Foto: Acervo Coomafs
Coreto da Agricultura Familiar em Jacobina celebra conquistas após um ano de inauguração
Após pouco mais de um ano de funcionamento, o Coreto da Agricultura
Familiar, instalado no antigo Solar da Missão, na Praça da Missão, em
Jacobina, consolidou-se como um importante espaço de comercialização de
produtos da agricultura familiar. O local reúne
itens produzidos em comunidades rurais dos territórios de identidade
Piemonte da Diamantina e Bacia do Jacuípe, onde atuam grupos produtivos
de mulheres e jovens ligados à Rede Semiárido Forte e à Cooperativa
Agropecuária de Mulheres e Jovens do Semiárido
(Coomafs).
Além de fortalecer a geração de renda, o Coreto também se tornou palco
para manifestações das riquezas culturais da região, valorizando
saberes, sabores e modos de vida do Semiárido baiano.
A iniciativa contou com o apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio
da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública
vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). A CAR também
apoiou os grupos produtivos ligados à Coomafs
com a implantação de quintais produtivos, cozinhas comunitárias e
investimentos em sistemas produtivos como caprinocultura, avicultura e
mandiocultura, além do incentivo à produção de orgânicos. O projeto
contou ainda com o apoio da Prefeitura de Jacobina.
“O Coreto da Agricultura Familiar nasceu do sonho de muitas pessoas, com
a perspectiva de ser uma vitrine dos produtos dos grupos produtivos e
dar visibilidade ao trabalho dessas mulheres. Hoje, vemos mulheres
empoderadas, potentes, que saíram da extrema pobreza
por meio desses grupos, e jovens que estão se formando e retornando às
suas comunidades para trabalhar, muitos deles como agentes de negócio”,
destaca Aline Silva, representante da Coomafs.
Políticas públicas que transformam
Segundo Aline Silva, os investimentos do Governo do Estado têm sido
fundamentais para transformar a realidade das mulheres e dos jovens do
Semiárido, a partir da escuta das comunidades e do fortalecimento das
ações já existentes nas organizações produtivas
locais.
“Hoje podemos dizer que estamos alcançando objetivos sonhados lá atrás.
Mulheres negras, sem terra, que, por meio do Governo da Bahia,
participaram de missões técnicas na Bélgica e em Portugal, representando
tantas outras mulheres do campo. O objetivo é dar
visibilidade a essas mulheres que viviam em situação de violência e
extrema pobreza e que hoje conquistaram autonomia, dignidade e qualidade
de vida”, celebra Aline.
Espaço de sabores, cultura e geração de renda
O Coreto da Agricultura Familiar funciona de quarta a domingo, das 16h
às 23h, e se consolidou como um ponto de referência dos sabores, da
cultura regional e dos modos de vida do Semiárido. No espaço, são
realizadas apresentações artísticas, rodas de conversa,
visitações guiadas, exposições e oficinas sobre temas variados.
Para a agricultora familiar Maria Lúcia, que atua no Coreto, as ações da
CAR foram fundamentais para dar visibilidade às mulheres do campo,
especialmente às mulheres quilombolas, que antes não conseguiam
comercializar sua produção. “A CAR enxergou a necessidade
dessas mulheres, que eram invisibilizadas, e nos deu a oportunidade de
nos transformarmos em mulheres potentes, guerreiras e trabalhadoras.
Hoje temos a nossa loja da agricultura familiar, linda. É a realização
do sonho de muitas mulheres”, afirma.
Sobre a Coomafs
A Coomafs nasceu da necessidade de comercialização dos produtos de
grupos produtivos de mulheres e jovens comunidades rurais de municípios
dos territórios Piemonte da Diamantina e Bacia do Jacuípe, grupos e
formamos coletivos de produção. Atualmente, a cooperativa
conta com 270 mulheres e trabalha com mais de 30 grupos produtivos de
nove municípios dos dois territórios.
Por Silvia Costa
