Foto: Marcelo Tanajura
Hospital Mater Dei amplia cuidado com o sono
Dormir bem é uma necessidade biológica essencial, tão importante quanto se alimentar ou respirar. Ainda assim, os distúrbios do sono seguem subdiagnosticados e subtratados, impactando silenciosamente a saúde de milhões de pessoas. Atento a essa realidade, o Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) lançou, nesta segunda-feira (26), no auditório do centro médico, seu novo serviço de polissonografia, ampliando o acesso da população baiana ao diagnóstico preciso das principais alterações do sono.
De acordo com a médica Fernanda Aguiar, coordenadora do serviço de Medicina Respiratória do HMDS, o sono é um processo ativo e fundamental para o equilíbrio do organismo. “Dormir não é apenas ‘desligar’ o corpo. Durante o sono, há regulação hormonal, consolidação da memória, controle metabólico e recuperação cardiovascular. Quando o sono vai mal, o corpo todo sente”, afirma.
Distúrbios frequentes e silenciosos
Entre
os diversos distúrbios conhecidos, dois se destacam pelo impacto na
saúde pública: a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) e a insônia. A apneia
ocorre quando há relaxamento excessivo da musculatura da garganta
durante o sono, provocando o fechamento parcial ou total das vias aéreas
e múltiplas interrupções da respiração ao longo da noite, muitas vezes
sem que o paciente perceba.
A insônia, por sua vez, está relacionada à dificuldade para iniciar ou manter o sono, além do despertar precoce e da sensação de sono não reparador. O que chama a atenção dos especialistas é que esses dois distúrbios podem coexistir. “Quando insônia e apneia acontecem juntas, elas se retroalimentam. O paciente demora a dormir e, quando consegue, passa por sucessivas pausas respiratórias, o que gera um estresse biológico ainda maior”, explica Fernanda Aguiar.
Números que preocupam
Os
dados do EPISONO, maior estudo epidemiológico sobre o sono realizado no
Brasil, ajudam a dimensionar o problema. A pesquisa aponta que cerca de
33% da população adulta brasileira sofre de apneia obstrutiva do sono, o
que significa que uma em cada três pessoas convive com a condição,
muitas vezes sem diagnóstico. A prevalência é maior entre homens,
pessoas obesas e mulheres após a menopausa, fase marcada pela perda da
proteção hormonal das vias aéreas.
Sono e outras doenças
A
apneia do sono não atua de forma isolada. Ela está diretamente
associada ao agravamento de doenças respiratórias, como asma, Doença
Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e fibrose pulmonar, dificultando o
controle clínico dessas condições. Além disso, aumenta
significativamente o risco de hipertensão arterial, arritmias cardíacas,
infarto, AVC, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e obesidade.
No campo neurológico, os impactos incluem déficits de memória, dificuldade de concentração, irritabilidade e maior risco de demências. “Um sono de má qualidade compromete a produtividade, o humor e a segurança. Pessoas mal dormidas têm maior risco de acidentes, especialmente de trânsito”, alerta a médica.
Exame padrão-ouro
Para
identificar com precisão esses distúrbios, a polissonografia é
considerada o exame padrão-ouro. Realizada durante a noite, em ambiente
confortável e silencioso, ela permite monitorar, de forma contínua e não
invasiva, diversos parâmetros fisiológicos enquanto o paciente dorme.
De acordo com o médico Guilherme Montal, que também coordena o Serviço de Medicina Respiratória do HMDS, sensores superficiais registram a atividade cerebral, as fases do sono, o esforço respiratório, o fluxo de ar pelas vias aéreas, a oxigenação do sangue e o ritmo cardíaco. “O exame nos entrega um verdadeiro filme da noite do paciente. Conseguimos ver exatamente o que acontece quando ele apaga as luzes e isso faz toda a diferença para um diagnóstico preciso”, explica o especialista.
Novo serviço amplia acesso
Com
a implantação do novo serviço de polissonografia, o Hospital Mater Dei
Salvador fortalece sua atuação no cuidado integral à saúde. A estrutura
conta com tecnologia de ponta e equipe especializada, permitindo
diagnóstico adequado e direcionamento do tratamento mais indicado para
cada paciente.
“O cuidado com o sono precisa ser encarado como prioridade em saúde. Diagnosticar e tratar os distúrbios do sono é investir em prevenção, qualidade de vida e longevidade”, conclui Guilherme Montal.
Por Cinthya Brandão
