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Dra. Ana Mamari: cirurgia plástica para ‘ficar bem na foto’
A
relação com a própria imagem ganhou novos contornos na era das redes
sociais. Para a cirurgiã plástica Dra. Ana Mamari, o consultório também
passou a refletir essa transformação: selfies, filtros, ângulos de
câmera e referências encontradas na internet podem influenciar a maneira
como algumas pacientes enxergam o próprio rosto e corpo e até mesmo
aquilo que desejam modificar.
Um exemplo comum é a paciente
chegar à consulta mostrando uma fotografia de uma celebridade ou uma
imagem encontrada nas redes sociais e pedir um resultado semelhante. O
desafio está em compreender que cada rosto possui proporções, estruturas
ósseas, características de pele e particularidades próprias. Uma
referência visual pode ajudar a explicar um desejo, mas não significa
que aquele resultado possa ou deva ser reproduzido exatamente.
“Os
filtros digitais também acrescentam uma nova camada à discussão. Eles
podem alterar contornos, suavizar a pele, modificar o formato do nariz,
aumentar os olhos ou redefinir o rosto em poucos segundos. Quando essa
imagem editada passa a ser utilizada como parâmetro de beleza, pode
surgir uma expectativa incompatível com a realidade anatômica”, adverte a
médica. “A cirurgia plástica, entretanto, trabalha com limites físicos e
com resultados reais, não com recursos digitais”.
Outro ponto
importante é a comparação estética constante. A exposição diária a
imagens cuidadosamente produzidas pode fazer com que características
absolutamente naturais sejam percebidas como defeitos. “Uma selfie
tirada de perto, por exemplo, pode distorcer proporções do nariz ou do
rosto, enquanto iluminação, maquiagem e ângulo também interferem
significativamente na fotografia. Por isso, a avaliação médica precisa
considerar a pessoa diante do profissional, e não apenas a imagem
apresentada na tela”, acrescenta a cirurgiã plástica.
Nesse
cenário, a conversa entre médico e paciente torna-se fundamental. Mais
do que atender a um pedido baseado em uma tendência, a cirurgia plástica
deve envolver expectativas realistas, avaliação individualizada e
compreensão dos limites de cada procedimento. Para Dra. Ana Mamari,
discutir o que está por trás do desejo de “ficar bem na foto” pode ser
tão importante quanto definir a técnica cirúrgica, especialmente em uma
época em que a imagem digital nem sempre corresponde à realidade.
Por Mateus Moreira
