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Literatura infantil baiana resgata raízes da Chapada Diamantina e sabor de acarajé no Mês das Crianças
SALVADOR – Aos 77 anos, prestes a completar 9 anos do lançamento do seu primeiro livro e com a 5ª obra em revisão final, Maria Izabel Nascimento Muller conecta Jacobina, Salvador e a cidadesuíça, Basileia, em uma trajetória de literatura afro-centrada, afeto e valorização da essência humana. No Mês das Crianças, a autora defende a urgência de descentralizar o imaginário infantil. "É urgente quepossamos colocar no centro histórias que tenham o cheiro do tempero baiano, trocando cenários distantespor narrativas que trazem nossa potência, a grandiosidade da Chapada Diamantina e o orgulho da nossaancestralidade", opina.
Com uma trajetória dedicada à literatura humanizada e à valorização da cultura local, Maria Izabel aponta que o repertório oferecido na infância molda a autoestima e a visão de mundo dos pequenos. "As crianças precisam se reconhecer nas histórias que leem. Quando trocamos os cenários distantes por uma narrativa que traz o sabor do acarajé, a grandiosidade dos morros da Chapada, o Sertão e os afetos da nossa terra, estamos dizendo a elas que a sua realidade também é mágica e digna de ser contada", destaca a autora.
A proposta de Maria Izabel não é apenas entreter, mas criar uma ponte afetiva entre as novas gerações e o patrimônio cultural do Nordeste. Em suas obras e atuações, o protagonismo infantil ganha contornos de brasilidade, incentivando a leitura a partir da identificação direta com o território, as cores e os saberes baianos que envolvem diferentes públicos.
A iniciativa ganha ainda mais relevância estratégica no mês de outubro, período em que escolas e famílias buscam alternativas pedagógicas e literárias que fujam dos clichês comerciais, promovendo uma formação crítica, representativa e orgulhosa das suas raízes desde os primeiros anos de vida.
Essa mudança de comportamento dialoga com transformações consolidadas no mercado editorial e educacional. Dados recentes da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro (CBL/SNEL/Nielsen) apontam que o segmento Infantil e Juvenil responde por mais de 18% do total de exemplares comercializados no país, reafirmando a força das produções voltadas à primeira infância. No entanto, indicadores da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostram que o país ainda enfrenta um gargalo histórico no hábito leitor, onde o estímulo na infância a partir da identificação cultural é o principal fator de retenção de novos leitores.
Na avaliação do Sebrae, o fortalecimento de pequenas editoras, autorias independentes e narrativas regionais, como as de Maria Izabel, é hoje um motor de economia criativa essencial no Nordeste, gerando valor cultural e impacto socioeducativo direto nas comunidades. Por isso, neste Mês das Crianças, a trajetória e a produção literária de Maria Izabel reafirmam que valorizar a ancestralidade e as raízes locais não é apenas uma escolha estética, mas um compromisso urgente com a formação da identidade e o futuro das próximas gerações.
SOBRE MARIA IZABEL NASCIMENTO MULLER | Instagram: @mariaizabelmuller
Professora aposentada, pesquisadora e escritora natural de Jacobina, Maria Izabel vive há 25 anos na Suíça e divide sua rotina com Salvador. Autora reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e pioneira no fortalecimento da literatura negra infantil, ela transforma memórias sertanejas e vivências
internacionais em narrativas afro-centradas, afetuosas e alinhadas à Lei 10.639/03. Suas obras reescrevem clássicos sob a ótica baiana: trocam castelos europeus pela Chapada Diamantina e fadas por baianas de acarajé, fortalecendo a autoestima e a identidade de novas gerações.
Obras Publicadas:
1) Os contos de fadas na realidade afro-baiana (2017)
2) Inventando e contando baianidades (2022)
3) Inventando e contando baianidades entre a Bahia e Basel na Suíça (2023)
4) Cinderela Sertaneja (2025)
Por Cris Sacramento
