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Princípio de incêndio em motor de avião no Recife: especialista explica riscos e protocolos de segurança na aviação
Na tarde desta segunda-feira (05/10), um avião registrou um princípio de incêndio em um dos motores enquanto sobrevoava a Região Metropolitana do Recife. O voo havia decolado do Recife com destino a Guarulhos (SP), mas precisou retornar à capital pernambucana após a ocorrência que, segundo a companhia aérea, é conhecido como "bird strike", termo utilizado para designar a colisão de aves com aeronaves. Laissa Ribeiro, pilota e coordenadora do curso de ciências aeronáutica da UNINASSAU Boa Viagem, esclarece alguns pontos sobre o incidente:
1 - Frequência de colisões entre aeronaves e pássaros na aviação comercial
“Colisões entre aeronaves e aves são eventos conhecidos na aviação e fazem parte dos riscos operacionais que são permanentemente monitorados e gerenciados. Os momentos mais críticos, de maneira geral, são as fases próximas ao aeroporto, principalmente durante decolagem e pouso, porque é justamente onde existe maior interação entre a aeronave e o ambiente externo. Mas é importante destacar que a ocorrência de uma colisão com ave não significa, por si só, que haverá comprometimento da segurança da aeronave. A severidade pode variar bastante, e existem procedimentos e mecanismos de gerenciamento de risco para esse tipo de situação”.
2 - Possíveis causas das chamas observadas no motor após o impacto com a ave
“Uma imagem, isoladamente, não permite fazer um diagnóstico técnico de uma turbina ou determinar a natureza de uma ocorrência. A presença visual de chamas não significa, necessariamente, uma falha total do motor. Existem diferentes fenômenos que podem produzir efeitos visuais semelhantes. Para saber exatamente o que aconteceu, é necessário analisar os dados da aeronave, os parâmetros do motor, os registros de manutenção, as informações da tripulação e, quando aplicável, realizar uma inspeção física do equipamento. Somente após a investigação do CENIPA, com o objetivo de compreender os fatores contribuintes e novas ocorrências pode responder. Portanto, não é tecnicamente correto concluir a causa apenas pelas imagens”.
3 - Sistemas de segurança e redundância que permitem a continuidade do voo com apenas um motor em operação
“As aeronaves comerciais são projetadas para operar com redundância. Em uma aeronave bimotora, por exemplo, a perda de potência de um dos motores não significa perda imediata da capacidade de voo. O outro motor continua fornecendo potência, enquanto diversos sistemas da aeronave possuem redundâncias e fontes alternativas de energia. Além disso, a aeronave é certificada para realizar determinadas operações considerando situações de falha de um motor. E existe uma parte fundamental que não podemos esquecer: além da tecnologia, existe o treinamento da tripulação. Os pilotos treinam justamente para situações anormais e de emergência, seguindo procedimentos estabelecidos pelo fabricante e pela empresa aérea”.
4 - Critérios técnicos considerados pelos pilotos na decisão de retornar ao aeroporto de origem
“Essa é uma decisão operacional que envolve diversos fatores. A tripulação avalia as condições e o comportamento da aeronave, a situação dos sistemas, as condições meteorológicas, o peso da aeronave, o combustível disponível, as condições do aeroporto e das pistas e também as alternativas disponíveis. Outro aspecto fundamental é que existe uma avaliação contínua da situação. A decisão não é simplesmente continuar ou voltar. Os pilotos analisam as informações disponíveis, seguem os procedimentos previstos e escolhem a alternativa que ofereça as condições mais adequadas de segurança”.
5 - Diferenças entre um bird strike de baixa gravidade e uma ocorrência capaz de afetar a operação da aeronave
“A severidade de uma colisão com ave depende de diversos fatores. Entre eles estão o tamanho e a quantidade de aves, a velocidade da aeronave, o local onde ocorreu o impacto e qual componente da aeronave foi atingido. Uma colisão pode resultar em danos muito limitados, enquanto outra pode exigir que a aeronave interrompa o voo e retorne ao aeroporto. Por isso, não é possível classificar a gravidade apenas pelo fato de ter ocorrido uma colisão. A avaliação precisa considerar os efeitos sobre a aeronave e seus sistemas. É justamente por isso que a inspeção técnica e a investigação são tão importantes”.
Por João Milton Santos
