Foto: Divulgação/Arquivo O Candeeiro
El Niño coloca continuidade de energia no radar de residências e empresas
O El Niño 2026/2027 já está configurado e deve permanecer, segundo o Painel El Niño formado por órgãos federais como INMET, INPE, CEMADEN, ANA, SGB e Defesa Civil, pelo menos até o início de 2027. As projeções indicam probabilidade superior a 90% de permanência do fenômeno e alta chance de um episódio muito forte entre a primavera e o verão de 2026. Os efeitos variam conforme a região: enquanto áreas do Sul tendem a registrar chuva acima da média, partes do centro-norte do país podem enfrentar menor precipitação e temperaturas mais elevadas.
O cenário não
significa, por si só, que haverá falta de energia. A situação, porém,
amplia a discussão sobre resiliência e planejamento. A Agência
Internacional de Energia (IEA) observa que um El Niño mais intenso em
2026 pode elevar a demanda por eletricidade devido ao maior uso de
refrigeração e afetar a geração hidrelétrica e eólica em regiões como a
América Latina. Para residências, empresas e operações críticas, isso
reforça a importância de entender quais cargas precisam permanecer
ativas, por quanto tempo e com qual nível de continuidade.
“Preparar-se
não é presumir que haverá uma interrupção, mas conhecer a própria
necessidade de energia e ter uma estratégia compatível com ela. Em
alguns casos, uma estação portátil atende as cargas essenciais; em
outros, é necessário um sistema UPS com baterias, armazenamento
integrado à geração solar ou um projeto BESS de maior porte. O ponto
central é dimensionar corretamente a solução”, afirma André Ribeiro,
gerente de Renováveis da Powersafe.
A Powersafe atua em
diferentes escalas de armazenamento e continuidade de energia. Em vez de
tratar uma tecnologia como substituta universal de outra, a empresa
considera fatores como potência, autonomia, tempo de transferência,
frequência de uso, ambiente de instalação e criticidade das cargas para
definir qual solução faz sentido em cada aplicação:
• Energia
portátil - estações de energia EcoFlow, marca da qual a Powersafe é
distribuidora oficial no Brasil, podem atender situações que exigem
mobilidade e autonomia para cargas selecionadas, como iluminação,
conectividade e equipamentos compatíveis. A autonomia depende da
capacidade da estação e do consumo conectado.
• Baterias para
sistemas UPS e aplicações estacionárias - tecnologias VRLA, ventiladas e
de lítio podem compor soluções para nobreaks, telecomunicações, data
centers, segurança, hospitais e outros ambientes que exigem fornecimento
confiável de energia.
• Armazenamento residencial e comercial -
soluções de lítio Getpower e sistemas modulares podem integrar projetos
fotovoltaicos para armazenar energia, ampliar o autoconsumo e, quando a
arquitetura do sistema permitir, apoiar estratégias de backup.
•
BESS para aplicações de maior porte - a Powersafe reúne soluções BESS
Getpower e atua em parceria com a Huawei para projetos comerciais e
industriais. Esses sistemas podem apoiar gestão de demanda, peak
shaving, load shifting, integração de fontes renováveis e estratégias de
continuidade, conforme a configuração técnica de cada projeto.
Infraestrutura crítica exige projeto, não apenas uma bateria
Em
data centers, hospitais, operadoras de telecomunicações, centros
logísticos, indústrias e outras operações com processos contínuos, a
análise precisa ir além da capacidade nominal da bateria. Autonomia,
redundância, tempo de transferência, qualidade de energia, segurança e
integração com UPS, inversores, geradores ou outras fontes devem ser
considerados como parte de uma arquitetura completa.
Nos
sistemas BESS, a tecnologia Lítio Ferro Fosfato (LFP) ganhou espaço por
características como estabilidade térmica, eficiência, ciclabilidade e
resposta rápida. Isso não significa, contudo, que o armazenamento
sozinho garanta continuidade sem interrupção ou elimine oscilações da
rede: essas funções dependem do desenho completo do sistema e da
integração entre seus componentes. A mesma lógica vale para baterias
estacionárias tradicionais, que seguem relevantes em aplicações
consolidadas de UPS, telecomunicações, segurança e infraestrutura
crítica.
Do backup à gestão de energia
O
armazenamento também deixou de ser visto apenas como uma resposta a
quedas de energia. Em consumidores comerciais e industriais, sistemas
BESS podem ser utilizados para deslocar consumo entre horários,
gerenciar picos de demanda, aumentar o aproveitamento da energia gerada
por sistemas fotovoltaicos e dar mais flexibilidade à operação. O
potencial de economia depende do perfil de consumo, da estrutura
tarifária e do dimensionamento do projeto.
Esse movimento
acompanha a transformação dos sistemas elétricos. No relatório
Electricity 2026, a IEA destaca que a implantação de baterias em escala
de rede está acelerando e se tornando uma fonte crescente de
flexibilidade, especialmente em mercados com maior participação de
geração solar e eólica. Para a Powersafe, esse avanço amplia o papel do
armazenamento: de uma solução de contingência a um recurso que também
pode apoiar eficiência, previsibilidade e gestão energética.
“As necessidades
são muito diferentes. Uma residência pode querer manter conectividade e
itens essenciais; uma empresa pode precisar preservar sistemas de
segurança ou seus nobreaks; um hospital ou data center precisa tratar
continuidade como parte da operação; e uma indústria pode usar um BESS
também para gerenciar melhor a energia. Nosso papel é conectar cada
cenário à solução adequada, da residência à grande indústria, do Norte
ao Sul do país. É esse o sentido de ‘Fonte que gera, energia que
sustenta’: fazer a energia estar disponível onde ela é necessária, com
segurança, eficiência e responsabilidade”, conclui Ribeiro.
Por Thiago Nassa
