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Da tinta da parede ao plástico: há 55 anos, indústria em Camaçari produz insumo presente no cotidiano de milhões de pessoas
Ele está na tinta da parede, em embalagens, objetos plásticos, móveis, papéis, revestimentos e até na pintura dos automóveis. Apesar de pouco conhecido pelo consumidor, o dióxido de titânio (TiO?) faz parte do cotidiano de milhões de pessoas — e sua história no Brasil começou na Bahia.
Em 1971, a unidade hoje operada pela Tronox, em Camaçari, produziu o primeiro pigmento de dióxido de titânio fabricado no país. Cinquenta e cinco anos depois, a fábrica mantém capacidade instalada de 60 mil toneladas por ano e é a única planta integrada de TiO? da América do Sul.
Mas por que esse ingrediente está em tantos produtos? A principal explicação está na sua capacidade de proporcionar brancura, opacidade, brilho e poder de cobertura. É por isso que o TiO? se tornou um insumo importante para setores como tintas e revestimentos, plásticos, papéis e impressão.
“Quando olhamos ao nosso redor, provavelmente estamos olhando para o TiO? sem perceber. Ele pode estar nas paredes, nos plásticos, nos papéis e em inúmeros materiais que fazem parte do nosso dia a dia”, explica André Cabral, Líder de Melhoria e Controle de Processo da Tronox.
Antes de chegar a esses produtos, o dióxido de titânio passa por uma transformação industrial que começa com minerais que contêm titânio, como a ilmenita. Na fábrica baiana, André explica que o material passa por diferentes etapas até se transformar no pigmento branco utilizado pela indústria.
Ao longo de mais de cinco décadas, esse processo acompanhou a evolução da própria indústria. Automação, digitalização, análise de dados, inteligência artificial e manutenção preditiva passaram a fazer parte da operação, ao lado de iniciativas voltadas à eficiência no uso de energia, água e matérias-primas.
A unidade está localizada em uma área na região de Abrantes, em Camaçari. Atualmente, a Tronox Brasil conta com cerca de 350 empregados diretos e 280 indiretos.
A trajetória da fábrica também é marcada por sucessivos ciclos de expansão e modernização. Nos anos 1980, sua capacidade produtiva foi ampliada para 50 mil toneladas anuais. Na década seguinte, chegou às atuais 60 mil toneladas por ano, acompanhando investimentos e aprimoramentos contínuos na operação.
“A Bahia ocupa uma posição estratégica dentro da nossa cadeia integrada, reunindo história, capacidade industrial, conhecimento técnico e pessoas que ajudaram a construir essa trajetória”, afirma Rodrigo Assunção, Diretor da Tronox.
Hoje, o TiO? produzido na Bahia atende principalmente aos mercados brasileiro e latino-americano. A operação de Camaçari integra uma cadeia internacional que vai da produção mineral à fabricação do pigmento.
O diretor da Tronox, Moisés Santos, aponta os próximos passos. "A unidade baiana entra em um novo ciclo tendo como desafio combinar a experiência acumulada ao longo de mais de cinco décadas com as transformações que já redesenham a indústria. Tecnologia, eficiência, segurança e sustentabilidade passam, assim, a orientar não apenas a evolução dos nossos processos, mas a preparação da fábrica para os próximos anos".
