Foto: Divulgação/Arquivo O Candeeiro
Setor de Telesserviços na Bahia tem 60% das novas contratações entre inscritos no CadÚnico ou beneficiários de programas sociais, aponta ABT
Em Salvador, o setor de Telesserviços tem ajudado a transformar oportunidades de trabalho em caminhos de inclusão produtiva, especialmente em regiões reconhecidas por sua vocação empregatícia, como o bairro do Uruguai. Levantamento da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) mostra que, entre janeiro de 2024 e agosto de 2026, cerca de 60% das contratações realizadas pelo segmento na Bahia foram de pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) ou beneficiárias de programas sociais. Na capital baiana, esse percentual chega a quase 57%, o equivalente a mais de 24 mil admissões nesse perfil.
"O setor de telesserviços tem sido um parceiro estratégico da Prefeitura na nossa missão de dinamizar a economia local. Saber que mais de 24 mil soteropolitanos oriundos de programas sociais conquistaram a carteira assinada mostra que o esforço da Semdec para ampliar capacitações por meio de nossos programas, como o Treinar para Empregar, fortalecer o ambiente de negócios e a atração de investimentos em Salvador se traduz em um benefício concreto para a população: emprego formal, dignidade e renda para quem mais precisa", destaca Mila Paes, secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda.
Para a ABT, o levantamento reforça que, quando encontram oportunidades de emprego com carteira assinada, benefícios e perspectivas reais de desenvolvimento profissional, pessoas que historicamente enfrentam maiores dificuldades de inserção no mercado conseguem construir uma trajetória de crescimento.
"Ainda existe a ideia de que beneficiários de programas sociais não têm interesse em ingressar no mercado de trabalho, mas a realidade que observamos nas empresas é diferente. Quando encontram oportunidades com carteira assinada, benefícios e perspectiva de crescimento, essas pessoas se dedicam, investem na própria qualificação e constroem uma trajetória profissional. É assim que o setor vem contribuindo para transformar inclusão social em inclusão produtiva.", afirma Gustavo Faria, diretor executivo da ABT.
A história da baiana Laíse, de 31 anos, ajuda a explicar esses números. Moradora do Subúrbio Ferroviário de Salvador e mãe de uma menina de 10 anos, ela trabalhou durante quase quatro anos como técnica de enfermagem. A rotina de plantões e o pouco tempo disponível para acompanhar a filha fizeram com que buscasse uma atividade que lhe proporcionasse mais estabilidade e qualidade de vida.
Em junho de 2025, participou de um processo seletivo da Atento, na unidade do bairro do Uruguai. Foi contratada como analista de atendimento e, poucos meses depois, conquistou uma promoção em um processo seletivo interno. Hoje atua como analista nível 3 em uma operação especializada de relacionamento com clientes. "Com poucos meses de empresa consegui crescer. Isso me mostrou que existem oportunidades para quem quer evoluir", afirma.
Segundo Laíse, a estabilidade proporcionada pelo emprego foi determinante para reorganizar a rotina da família. Ela destaca que o salário, aliado aos benefícios oferecidos pela empresa, trouxe segurança para planejar o futuro.
"Hoje tenho uma renda fixa, benefícios e oportunidade de crescimento profissional. Quero continuar construindo minha carreira."
Além da remuneração, ela cita plano de saúde, assistência odontológica, vale-refeição, auxílio-creche e a flexibilidade na gestão das escalas como diferenciais que ajudam a conciliar o trabalho com os cuidados da filha.
Embora ainda receba o Bolsa Família, benefício utilizado para ajudar a custear a escola e o transporte da filha, Laíse afirma que pretende seguir investindo na própria carreira. "Se um dia o benefício deixar de existir para mim, vou continuar trabalhando. O emprego me dá segurança e a possibilidade de crescer. É isso que eu quero para a minha vida."
Para Gustavo Faria, a trajetória da colaboradora resume uma realidade observada diariamente pelas empresas do setor. "Para muitas pessoas, o Telesserviço representa a porta de entrada para o mercado formal ou a oportunidade de retomar a vida profissional. Mais do que contratar, as empresas do setor investem na formação de seus colaboradores e criam condições para que eles avancem na carreira. Quando há desenvolvimento e perspectivas de crescimento, o emprego passa a gerar não apenas renda, mas também autonomia, qualificação e mobilidade social."
Por Leilane Ferreira
