Foto: Divulgação/Arquivo O Candeeiro
Dia de São Francisco de Assis = André Naves defende maior conscientização sobre o papel de cães-guia e animais de suporte emocional na autonomia de pessoas com deficiência
Neste domingo (04/10), além de ser da data
do primeiro turno das eleições no Brasil, celebra-se o Dia de São
Francisco de Assis, padroeiro dos animais e do meio ambiente. A data,
tradicionalmente ligada ao afeto pelos animais, traz também uma
oportunidade para debater uma pauta fundamental de cidadania e direitos
humanos: o papel estratégico dos cães-guia e animais de assistência na
promoção da autonomia, mobilidade e saúde mental de pessoas com
deficiência ou
neurodivergências.
No Brasil, a Lei
nº 11.126/2005 garante à pessoa com deficiência visual o direito de
ingressar e permanecer com cão-guia em todos os locais públicos ou
privados de uso público. Apesar da legislação consolidada há quase duas
décadas, relatos de constrangimento e recusa de entrada em
estabelecimentos comerciais, transportes públicos e de aplicativo ainda
são frequentes.
O Defensor
Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Inclusão
Social, destaca que o animal de assistência não é um "pet de
estimação", mas uma extensão da própria autonomia e segurança do
indivíduo.
"O cão-guia e os
animais de suporte emocional devidamente treinados desempenham uma
função técnica e vital. Impedir a entrada de um animal de assistência é,
na prática, negar a uma pessoa com deficiência o direito irrestrito de
ir e vir, violando
sua dignidade e autonomia garantidas pela Constituição e pela Lei
Brasileira de Inclusão", explica André Naves.
Animais de suporte emocional e de terapia
Nos
últimos anos, o debate expandiu-se para além da deficiência visual.
Animais de suporte emocional e cães de assistência para pessoas no
Espectro Autista (TEA), com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
ou severas limitações motoras
têm demonstrado impactos profundos no bem-estar e na integração social.
No entanto, a falta de uma regulamentação federal única para animais de
suporte emocional ainda gera gargalos jurídicos e insegurança para quem
depende dessa ajuda
diária.
Para Naves, o
respeito a esses animais e aos seus tutores reflete o grau de maturidade
civilizatória de uma sociedade: "A presença desses animais nos espaços
urbanos nos lembra que a acessibilidade possui diversas camadas.
Respeitar o trabalho de um
cão-guia ou a presença de um animal de suporte emocional é reconhecer
que o afeto e a técnica, juntos, são instrumentos poderosos de inclusão e
saúde pública", conclui o defensor.
Por Andreia Constâncio
