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Dia da Saúde Ocular: os cuidados com a exposição às telas
Nunca passamos tanto tempo olhando para telas. Celulares, computadores, tablets, televisores e painéis digitais acompanham praticamente todas as tarefas do dia. Paradoxalmente, em uma época em que os olhos são mais exigidos do que nunca, a saúde ocular continua sendo negligenciada por grande parte da população. O alerta ganha força no Dia da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças que podem comprometer a visão, em muitos casos, de forma permanente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2,2 bilhões de pessoas convivem com algum tipo de deficiência visual ou cegueira em todo o mundo. O dado mais preocupante é que pelo menos um bilhão desses casos poderia ter sido evitado ou ainda não recebeu o tratamento adequado.
No Brasil, o Ministério da Saúde estima que milhões de pessoas convivam com doenças oculares como catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade, muitas vezes sem que tenham percebido os sinais iniciais e só tenham buscado o diagnóstico quando a visão já estava comprometida.
Na Bahia, a preocupação ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento populacional e do aumento das doenças crônicas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a população com 60 anos ou mais cresce em ritmo acelerado no estado, grupo que concentra maior risco para doenças oculares relacionados à idade.
No entanto, a professora da Afya Salvador e oftalmologista, Daiane Gil, destaca que o problema não está relacionado apenas aos idosos. Para ela, o uso prolongado de dispositivos eletrônicos tem provocado aumento das queixas relacionadas à fadiga ocular, ressecamento dos olhos, dores de cabeça e dificuldades de concentração também entre adultos, jovens e crianças.
"A intensa exposição às telas tem levado a um aumento na fadiga ocular no final do dia. Quando utilizamos dispositivos eletrônicos por períodos prolongados, reduzimos a frequência do piscar em até 50%, favorecendo a evaporação da lágrima e o ressecamento da superfície ocular. Nesses casos, os sintomas mais comuns incluem ardor, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento excessivo, visão embaçada, dor de cabeça e sensibilidade à luz. Além disso, o uso excessivo de telas, especialmente em crianças e adolescentes, tem sido associado ao aumento da incidência e da progressão da miopia em todo o mundo", destaca a professora.
Ainda segundo Dra. Daiane Gil, outro agravante são os casos de perda de visão por falta de uma rotina oftalmológica adequada. Ela cita o glaucoma, uma das principais causas de cegueira no mundo, como uma das doenças que costumam avançar sem que seus sintomas sejam perceptíveis nas fases iniciais. Da mesma forma, doenças associadas ao diabetes e à hipertensão arterial podem provocar lesões oculares progressivas, tornando o acompanhamento oftalmológico essencial do cuidado com a saúde em geral.
"A catarata é a principal causa de cegueira reversível em todo o mundo, que acontece gradualmente, mas possui tratamento cirúrgico. A retinopatia diabética também pode causar uma baixa visual importante e merece total destaque em nossa população, pois pode evoluir para a perda visual severa se não tratada precocemente. Já o glaucoma, não costuma provocar dor ou perda visual relevante nas fases iniciais, mas, infelizmente, com a progressão da doença, o comprometimento é irreversível", destaca a professora da Afya, maior ecossistema de saúde do Brasil, e que na Bahia está presente com o curso de graduação em Salvador,, Vitória da Conquista, Itabuna e Guanambi, além dos curso de pós-graduação através da Afya Edmed Salvador e Vitória da Conquista.
Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) apontam que uma parcela significativa da população procura atendimento oftalmológico apenas quando já apresenta perda visual ou dificuldade para realizar atividades do dia a dia, reduzindo as chances de intervenção precoce. Nesse contexto, Daiane Gil ressalta que enxergar bem não significa necessariamente ter olhos saudáveis, pois muitas doenças permanecem assintomáticas por anos e podem ser identificadas apenas por meio de exames específicos.
"Os exames preventivos permitem identificar alterações precoces na pressão ocular, na retina, no cristalino, na córnea e no nervo óptico, possibilitando intervenções antes que ocorra perda visual significativa. Em doenças como o glaucoma e a retinopatia diabética, o diagnóstico precoce é, frequentemente, o principal fator que determina o prognóstico visual do paciente. Além disso, a consulta oftalmológica pode revelar sinais de descompensação de doenças sistêmicas, como diabetes, hipertensão arterial e doenças autoimunes, por exemplo, sendo aliada na detecção de complicações dessas patologias", conclui a professora da Afya Salvador.
Por Flamarion Reis
