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Treinar só aos fins de semana funciona? Cardiologista explica quando o hábito protege o coração e quando pode representar um risco
Nem todo mundo consegue encaixar a atividade física na rotina durante a semana. Entre trabalho, estudos, filhos e outros compromissos, muitas pessoas acabam concentrando toda a prática de exercícios físicos aos sábados e domingos. Mas será que esse esforço concentrado é suficiente para compensar dias inteiros de sedentarismo?
Conhecido internacionalmente como "weekend warrior" (ou "atleta de fim de semana"), esse comportamento tem sido cada vez mais estudado pela ciência. De acordo com a médica cardiologista do Hospital Sírio Libanês de Brasilia, Dra. Fernanda Weiler, as evidências mais recentes mostram que concentrar os exercícios em um ou dois dias da semana pode, sim, trazer benefícios importantes para a saúde cardiovascular, desde que a pessoa atinja o volume recomendado de atividade física e respeite seus próprios limites. "Hoje sabemos que o mais importante é acumular, ao longo da semana, pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade intensa. Se essa meta for alcançada em dois dias, já existe redução do risco de doenças cardiovasculares e de mortalidade quando comparado ao sedentarismo completo", explica.
Isso, porém, não significa que qualquer pessoa possa sair do sofá e participar de uma corrida de rua ou realizar treinos intensos sem preparo. Segundo a médica, a prática concentrada exige alguns cuidados, especialmente para quem possui fatores de risco. "Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, histórico familiar de doenças cardíacas ou que passaram muitos anos sedentárias devem fazer uma avaliação médica antes de iniciar atividades de alta intensidade. Esse cuidado ajuda a identificar condições que muitas vezes ainda não apresentam sintomas", orienta Fernanda.
Outro ponto de atenção está na intensidade do exercício. A vontade de compensar uma semana inteira sem atividade pode levar muitas pessoas a exagerarem na carga dos treinos, aumentando o risco de lesões musculares e, em casos específicos, de eventos cardiovasculares. "O exercício deve desafiar o organismo, mas não provocar sofrimento extremo. A progressão precisa ser gradual, respeitando o condicionamento físico de cada indivíduo", alerta a especialista.
Durante a prática, alguns sintomas nunca devem ser ignorados: dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações persistentes, tontura, desmaio ou mal-estar intenso são sinais que exigem interrupção imediata da atividade e avaliação médica.
Embora o exercício seja um dos pilares da prevenção cardiovascular, a Dra. Fernanda lembra que ele não anula os impactos de outros hábitos prejudiciais. "Quem passa dez ou doze horas por dia sentado continua precisando reduzir o tempo de sedentarismo. Pequenas pausas para caminhar, subir escadas e se movimentar ao longo do dia também fazem diferença para a saúde do coração", diz ela.
Para a Dra. Fernanda Weiler, a mensagem mais importante é que a busca pela saúde cardiovascular não deve ser pautada pela perfeição, mas pela constância. "Nem todo mundo consegue treinar todos os dias, e tudo bem. Fazer atividade física aos fins de semana é muito melhor do que não fazer nenhuma. O coração responde positivamente a cada escolha saudável. O que realmente faz diferença é transformar o movimento em um hábito duradouro, seguro e compatível com a realidade de cada pessoa", finaliza.
Sobre a Dra Fernanda Weiler:
Dra Fernanda Weiler é formada em medicina pela Universidade de Brasília (UNB) com residência em cardiologia pela mesma Universidade. É membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e certificada internacionalmente em Medicina do Estilo de Vida. Entre 2014 e 2015 foi professora da UNB, mesma Universidade em que se formou.
Sua extensão em Medicina do Estilo de Vida, feita na Harvard Medical School (EUA) fez com que Dra Fernanda passasse a olhar a saúde cardíaca como resultado também (e principalmente) das escolhas de vida de cada pessoa. Defensora da atividade física e da promoção dos bons hábitos, dedica parte de sua carreira a incentivar seus pacientes e seguidores das redes sociais a adotarem melhores hábitos no que tange aos seis pilares da Medicina do Estilo de Vida.
Dra Fernanda é também co-fundadora do grupo “Mais uma D.O.S.E (dopamina, ocitocina, serotonina, endorfina)”, que visa a melhora na qualidade de vida através da Medicina do Estilo de Vida.
Por Tatiana Fanti
