Foto: Divulgação Poliedro
Novas vagas no ITA ampliam oportunidades para indígenas e quilombolas
O
Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma das instituições de
ensino superior mais disputadas do Brasil e referência na formação de
engenheiros, promoveu mudanças em seu processo seletivo para 2027. Além
da ampliação do número total
de vagas, de 180 para 200, o vestibular passou a reservar oportunidades
para candidatos indígenas e quilombolas e ampliou a participação
destinada a pretos e pardos.
Em
2026, eram 144 vagas de ampla concorrência e 36 destinadas a pretos e
pardos. Para 2027, a distribuição passa a ser de 140 vagas de ampla
concorrência, 50 para pretos e pardos, seis para indígenas e quatro para
quilombolas.
Para
quem já se prepara para a prova, a mudança também fortalece a
perspectiva de ingresso na instituição. É o caso de José Lima, de 21
anos, que começou a estudar no Curso Poliedro neste ano e pretende
cursar Engenharia Aeroespacial. Nascido em
João Pessoa (PB), ele foi criado nas aldeias potiguara Caieira e Jacaré
de César, no município de Marcação (PB), onde vive atualmente.
Para
estudar em São José dos Campos, José também conta com bolsa de
alojamento oferecida pelo Poliedro, que possibilitou sua mudança para a
cidade e reforça a possibilidade de estudantes de diferentes regiões do
país terem acesso à preparação
para o vestibular.
“A
nova lei de cotas é uma lupa que pode nos ajudar a enxergar sonhos que
antes nos pareciam muito distantes. Aldeias e quilombos geralmente se
encontram em locais afastados e os acessos à educação, à comunicação e à
formação definitivamente
não são os mesmos daqueles na cidade grande”, afirma José. Segundo ele,
anos de preparação tornaram o objetivo mais próximo. “O ITA, assim como
outras faculdades de prestígio tão longe de casa, parecia um sonho muito
distante, mas anos de
preparação deixaram-no mais palpável e as cotas vêm para trazer esse
sonho mais para perto”, completa.
A
trajetória de André Giancarlo, de 17 anos, também revela parte dos
desafios enfrentados por estudantes de comunidades quilombolas. Com
origem familiar no povoado Ladeiras, em Japoatã (SE), onde está
localizado o quilombo com o qual sua família
mantém vínculos, ele conta que ainda são poucos os jovens da região que
conseguem chegar ao ensino superior. “Lá, infelizmente, ainda não temos
muitos jovens que conseguem alcançar o nível superior de formação, pois
as condições ainda são
precárias. Depois da política de cotas nas universidades públicas,
surgiram alguns aprovados”, relata.
Em
busca de melhores oportunidades educacionais, os pais de André se
mudaram para Aracaju, onde ele cursou parte do ensino fundamental e
médio. Atualmente, o estudante está no Colégio Poliedro São José dos
Campos, onde conclui o ensino médio e se
prepara para o vestibular do ITA.
As
alterações no processo seletivo ocorrem em um contexto de
fortalecimento das políticas de inclusão no país. Em 2025, a Lei nº
15.142/2025 substituiu a Lei nº 12.990/2014 e passou a reservar 30% das
vagas em concursos públicos e processos
seletivos simplificados da administração pública federal para pessoas
pretas e pardas, indígenas e quilombolas.
Em
2026, o Poliedro registrou 104 aprovações no ITA e teve os cinco
primeiros colocados do vestibular. Para Robson Jr., coordenador
pedagógico da Turma ITA do Poliedro, a ampliação das oportunidades de
acesso não altera o nível de exigência da
seleção.
“A
reserva de vagas amplia o acesso, mas não reduz a exigência da prova. O
ITA mantém índices mínimos por disciplina que valem para todos os
candidatos, e um dos grandes desafios do vestibular é alcançá-los. Por
isso, a preparação específica
continua sendo fundamental”, afirma.
Diante
desse novo cenário, o Poliedro ampliou sua política de bolsas para
candidatos indígenas e quilombolas interessados em se preparar para o
vestibular do ITA, contribuindo para que a ampliação das oportunidades
de ingresso seja acompanhada
também por condições de preparação para a seleção.
