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Histórias de reconstrução de pessoas refugiadas emocionam público no Rio Innovation Week
As histórias de vida e de superação de três pessoas refugiadas emocionaram o público do Rio Innovation Week durante o painel "O Talento que Atravessa Fronteiras", realizado no Palco Inovação Social e mediado pela atriz e apresentadora Danni Suzuki, apoiadora de alto perfil da Agência da ONU para Refugiados.
Vindos de Angola, Venezuela e Afeganistão, respectivamente, Delmany Rodrigues, de 40 anos, que chegou ao Brasil ainda criança; Karla Morante, de 43 anos; e Esmatullah Mohsini, de 22 anos, compartilharam suas trajetórias e falaram sobre a importância do acesso aos estudos, do aprendizado da língua portuguesa, das políticas públicas brasileiras e de uma simples oportunidade.
Ao conduzir a conversa, Danni Suzuki destacou a importância do acolhimento. "É muito clara a importância do olhar para a história de cada um de vocês, ver a pessoa refugiada, enxergar as necessidades. É muito inspirador ver as histórias de superação e a importância do amor, dar um amor genuíno a essas pessoas", afirmou.
O painel partiu da reflexão de que pessoas obrigadas a deixar seu país perdem suas casas, seus bens, mas preservam aquilo que ninguém pode tirar: sua história, seus conhecimentos, sua criatividade e seu talento. Ao compartilhar suas trajetórias, os participantes mostraram como o acesso à proteção, ao acolhimento e a oportunidades de integração permite reconstruir a vida e transformar esse potencial em inovação, desenvolvimento e contribuição para a sociedade.
O angolano Delmany Rodrigues relembrou a chegada ao Rio de Janeiro, aos oito anos de idade, após fugir da guerra civil em Angola. Segundo ele, o apoio recebido pelo ACNUR foi fundamental para que sua família conseguisse documentação, acesso à saúde e condições de recomeçar. Mais tarde, também foi beneficiado por uma parceria da Agência com uma instituição de ensino superior, que possibilitou sua formação em Fisioterapia. Atualmente, é empresário do setor de saúde, fisioterapeuta, osteopata e educador físico.
Já a venezuelana Karla Morante contou que chegou ao Brasil em 2019,
ao lado da mãe e do filho, para reencontrar o marido após deixar seu
país em razão da crise humanitária. Depois de enfrentar as dificuldades
impostas pela barreira do idioma, pela pandemia e pelo preconceito na
busca por emprego, encontrou na Cáritas, organização parceira do ACNUR,
uma oportunidade de recomeçar. Hoje, atua
acolhendo outras pessoas refugiadas e migrantes que chegam ao Brasil em busca de proteção e novas oportunidades.
O afegão Esmatullah Mohsini emocionou o público ao contar que chegou sozinho ao Brasil em 2022, por meio de um visto humanitário. Sem falar português e ainda não alfabetizado, passou três meses no Aeroporto de Guarulhos até ser acolhido por voluntários brasileiros. Com apoio para aprender o idioma e retomar os estudos, transformou sua experiência com costura em um negócio próprio. Hoje, é fundador da marca Esmat Wear e inaugurou sua primeira loja física em São Paulo, sem deixar de sonhar em trazer sua família para viver no Brasil.
Por Gabriela Pereira
