Foto: Divulgação/IA
Inteligência artificial na anestesia: até onde a tecnologia pode ajudar?
A publicação da Resolução nº 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que regulamenta o uso da inteligência artificial na prática médica, abriu espaço para debates sobre os impactos da tecnologia nas diversas especialidades. No estado baiano, a Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia (Coopanest-BA) acompanha de perto essa transformação e destaca que a IA pode representar um importante avanço para a segurança dos pacientes, desde que utilizada como ferramenta de apoio à atuação médica.
Na anestesiologia, a inteligência artificial já desponta como uma aliada importante para ampliar a precisão dos procedimentos e auxiliar na tomada de decisões clínicas. Sistemas inteligentes são capazes de analisar grandes volumes de dados em tempo real, identificar padrões, prever riscos e contribuir para a personalização do cuidado ao paciente ao longo de todo o processo cirúrgico.
No entanto, o anestesiologista Anderson Gazineu, diretor comercial da Coopanest-BA, ressalta que a adoção dessas tecnologias deve ocorrer de forma responsável e sempre sob supervisão humana.
“A inteligência artificial tem potencial para tornar a anestesiologia ainda mais segura e eficiente. Ela consegue processar uma enorme quantidade de informações e identificar situações de risco com rapidez, funcionando como uma ferramenta de apoio ao médico. No entanto, é fundamental destacar que nenhuma tecnologia substitui o conhecimento, a experiência clínica e a capacidade de julgamento do anestesiologista”, afirma.
Entre as aplicações mais promissoras da IA na especialidade estão a previsão de possíveis complicações durante cirurgias, a identificação precoce de alterações clínicas, a sugestão de ajustes individualizados na administração de anestésicos e o monitoramento contínuo dos parâmetros fisiológicos dos pacientes.
Para Anderson Gazineu, a combinação entre inovação tecnológica e expertise médica representa um caminho inevitável para a evolução da anestesiologia, mas exige critérios bem definidos para garantir a segurança assistencial.
“A inteligência artificial não veio para substituir o médico, mas para ampliar sua capacidade de análise e fornecer mais informações para uma tomada de decisão segura. A medicina continuará sendo uma atividade essencialmente humana, baseada na responsabilidade profissional, na empatia e na relação de confiança com o paciente. A tecnologia é uma ferramenta valiosa, mas a palavra final continuará sendo do anestesiologista”, destaca.
Por Gabriela Bandeira
