Relatório da ONU confirma que Brasil permanece fora do Mapa da Fome e aponta melhora em indicadores
O Brasil segue fora do Mapa da Fome, segundo
o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026”
(SOFI, na sigla em inglês), pela Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU). O documento
considera dados referentes ao triênio 2023-2025 e foi divulgado nesta
terça-feira (21.07).
O país manteve abaixo de 2,5% a proporção
da população que não tem renda suficiente para consumir a quantidade
mínima de calorias para uma
vida saudável, segundo o indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU,
na sigla em inglês) utilizado pela FAO na construção do Mapa da Fome.
O relatório também apontou melhoria do país em diversos indicadores, como a diminuição da
insegurança alimentar severa, chegando a 0,6%, o menor patamar da série histórica.
De
acordo com os dados, 16,7 milhões de pessoas deixaram a condição de
insegurança alimentar severa no triênio 2023-2025 no país. O percentual
de
insegurança alimentar severa segue uma trajetória de queda registrada
nos últimos triênios aferidos pela organização: 6,6% (2021-2023), 3,4%
(2022-2024) e 0,6% (2023-2025).
No Brasil, o Sistema Nacional de
Segurança Alimentar e
Nutricional (Sisan) integra a estrutura de governança das políticas de
segurança alimentar e nutricional, articulando ações de proteção social,
transferência de renda, acesso ao crédito agrícola e compras públicas
da produção de alimentos,
entre outras iniciativas.
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL —
A proporção de pessoas que não podem pagar por uma alimentação saudável
também apresentou queda no Brasil, ficando em 21,1% no triênio
encerrado em 2025. Para
chegar aos números, a FAO-ONU utiliza indicadores macroeconômicos e
demográficos que consideram variáveis como tamanho da população, perfil
de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudável.
Além
disso, segundo a FAO, o custo
da dieta saudável no Brasil foi de US$ PPC 4,89 (dólares em Paridade do
Poder de Compra) por pessoa ao dia, abaixo da média da América do Sul
(US$ 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ 4,91).
CONTEXTO —
Os resultados
brasileiros para o triênio 2023-2025 no campo da alimentação refletem a
melhoria também aferida também em indicadores macroeconômicos oficiais
do país, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). O Produto Interno Bruto
(PIB) — que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país —
acumulou altas nos três últimos anos: 3,2%, em 2023, 3,4%, em 2024, e
2,3%, em 2025. A taxa de desemprego para 2025 ficou em 5,6%. O
rendimento médio mensal real domiciliar
per capita alcançou R$ 2.264, em 2025, maior valor da série histórica
(desde 2012), de acordo com o IBGE.
O controle da inflação, em
especial da inflação de alimentos, também teve papel determinante nos
resultados. O Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Alimentos 2025 foi de 2,95%.
Considerando o triênio de referência do Relatório SOFI — 2023-2025 —, a
inflação média anual para alimentos foi de 3,8%.
RELATÓRIO SOFI 2026 E REDUÇÃO DA
FOME NO MUNDO — O relatório “O Estado da Segurança Alimentar e
da Nutrição no Mundo (SOFI)” é uma publicação anual elaborada
conjuntamente pela FAO, FIDA, UNICEF, PMA e OMS. Sob o tema “Compreender
e enfrentar o alto custo de uma
dieta saudável”, a publicação de 2026 foi apresentada durante um evento
especial no 30º período de sessões do Comitê de Agricultura (COAG), em
Roma, Itália.
O relatório estima que 7,8% da população mundial
enfrentou a fome em
2025, uma redução em relação aos 8,1% registrados em 2024 e aos 8,6% de
2022, confirmando uma melhora contínua, embora gradual. Segundo dados
divulgados, cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome no triênio
encerrado em 2025, o que representa
uma redução de quase 14 milhões de pessoas em comparação com o triênio
encerrado em 2024.
ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE POU E FIES —
O indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU) é a ferramenta
utilizada na construção
do Mapa da Fome. O PoU apresenta uma estimativa da população que, dada a
distribuição da renda e a quantidade de alimentos (calorias)
disponíveis no país, não teria acesso a uma quantidade suficiente de
calorias diárias para uma vida saudável. Um
país sai do Mapa da Fome quando esse percentual se reduz a menos de
2,5%.
A Escala de Experiência em Insegurança Alimentar (FIES),
por sua vez, estima a percepção das pessoas ou famílias sobre sua
segurança alimentar e nutricional.
Seus resultados são gerados a partir da aplicação de um questionário (a
escala) a uma amostra de pessoas ou famílias representativa da população
total de um país. Esses dados passaram a ser coletados pela FAO a
partir de 2014. Os dados do FIES
também são divulgados na forma de médias trienais.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
