Foto: Divulgação
Vitor Truono revive nostalgia dos anos 2000 em fantasia
Vitor Truono já é um adulto, mas o processo de escrita do primeiro romance O Rito do Pentagrama começou ainda na adolescência. O esboço da obra iniciou aos 13 anos, quando compartilhava capítulos e ideias com uma amiga, e continuou durante mais de uma década. O fluxo criativo o acompanhou durante todo o processo de amadurecimento e perdurou entre faculdades, pós-graduações e rotinas de trabalho. Hoje, o livro publicado é uma fantasia repleta de mistérios e enigmas, com um “ar” de anos 2000 – em homenagem ao período em que foi idealizada.
As referências a músicas de Pitty e Mariah Carey, dentre muitas outras, se unem a uma trama investigativa intensa. No enredo, Sarah e Alex estão de férias da escola, mas passam a buscar respostas para os assassinatos de mulheres jovens em sua cidade. Por causa da falta de resultados das autoridades, os dois embarcam em uma jornada que envolve amuletos mágicos, experiências sensitivas e dons sobrenaturais.
Além disso, o enredo trata dos impactos do bullying na saúde mental dos adolescentes. “Vivi o turbilhão da adolescência nos anos 2000, com as dores e confusões de uma sociedade que ainda não falava abertamente sobre bullying e saúde mental. Predominava o ‘não se deixe influenciar’, tão fracamente estruturado que era incapaz de produzir impacto real. Com isso, proponho uma reflexão sobre a importância da abertura ao diálogo e da busca por ajuda profissional, sem medo nem tabu”, explica Vitor Truono.
Conheça mais sobre a obra e o autor na entrevista abaixo:
1. "O Rito do Pentagrama" apresenta uma série fantástica com elementos mágicos e sensitivos. O que lhe motivou a construir a narrativa dentro deste universo?
Vitor Truono: A história rapidamente adentra o estranho, o improvável e o impossível. O desconhecido aflora para alguns, mas permanece distante para outros; discutivelmente, uma questão de perspectiva. Busquei replicar o paradoxo entre ceticismo e intuição presente em nosso cotidiano. O leitor se depara com menções a artefatos, experiências pessoais de determinadas personagens e crenças compartilhadas por outras. Contudo, nada é absoluto, e a narrativa desafia a própria interpretação dos acontecimentos apresentados. Esse aspecto sempre me fascinou nos universos da ficção, daí minha motivação.
2. Sarah precisa lidar com os próprios sentimentos em situações complexas. Como você construiu essa personagem?
V.T.: Tanto Sarah quanto Alex possuem núcleos emocionais intensos, marcados por decisões e impulsos diante das complexidades sociais e de ameaças igualmente sérias. Como eu tinha apenas 13 anos ao retratar aspectos de suas personalidades, muitas características minhas acabaram naturalmente impressas no processo; afinal, eu vivia, simultaneamente, a construção da minha própria identidade. Por isso, posso afirmar queos dois carregam traços que funcionam como alter egos de quem eu era naquela época.
3. A obra acompanha a trajetória de adolescentes e faz menções ao mundo pop. O que você buscou trazer dentro das referências escolhidas?
V.T.: As letras e melodias que marcaram o período de 2005 a 2010 expressavam com fidelidade sentimentos e conflitos presentes no livro. Posteriormente, selecionei uma faixa para cada capítulo e criei umaPlaylist Oficial no Spotify [https://tinyurl.com/ordp-spotify]. Além dessa “trilha sonora”, o pop transborda em referências literárias, personalidades, tendências da moda, objetos, hábitos e costumes característicos da época. Esses elementos assumem papel central na narrativa, complementando, contextualizando e justificando modos de agir e pensar daquele período.
4. Ao mesmo tempo, o livro também aborda discussões como vício em drogas e bullying. O que você espera projetar para os leitores em relação aos temas?
V.T.: Vivi o turbilhão da adolescência nos anos 2000, com as dores e confusões de uma sociedade que ainda não falava abertamente sobre bullying e saúde mental. Predominava o“não se deixe influenciar”, tão
5. Como sua formação em Letras e Ciências Sociais influenciou a escrita?
V.T.: Definitivamente adquiri maior segurança linguística e uma compreensão mais aprofundada dos papéis sociais, fatores que influenciaram os estágios finais da obra.Morfossintaxe, sociolinguística, semiótica e semiologia deram-me confiança para lapidar o texto assumindo riscos estilísticos, a ponto de brincar com metáforas, provocar sensações e até distribuir easter eggs para os mais atentos. Ao final das minhas revisões, a única regra verdadeiramente inviolável foi preservar a inocência sonhadora e a estética de projeção e escapismo que impulsiona essa fase da vida das personagens.
Sobre o autor: Vitor Truono nasceu em Santos, litoral de São Paulo. Filho de professora de alfabetização, ele sempre soube que seria escritor. De poemas a obras didáticas, as palavras são a ferramenta favorita dele. Formado em Tradução & Interpretação, Ciências Sociais e Letras, é professor pós-graduado em Línguas e Culturas Estrangeiras. Embora escrever e lecionar sejam suas paixões, o autor está continuamente expandindo oportunidades de atuação: dedica-se agora à Farmácia e à Biomedicina e pretende contribuir com pesquisas na área da Saúde.
Por Maria Clara Menezes
