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Toalha úmida no banheiro pode favorecer fungos e bactérias
O calor e a umidade fazem parte da rotina de quem vive ou passa pela capital baiana. Já no sudoeste do estado, o tempo frio e seco predomina durante o inverno. Seja no interior ou na capital, um hábito corriqueiro e aparentemente inofensivo, como deixar a toalha molhada no banheiro, pode contribuir para problemas de saúde: a proliferação de fungos, bactérias e outros microrganismos que afetam a pele e o sistema respiratório.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram que Salvador e outras cidades do litoral baiano registram, ao longo do ano, níveis médios de umidade do ar frequentemente acima dos 70%, com picos que ultrapassam 80% em períodos mais chuvosos. Esse índice, considerado elevado, torna ambientes fechados e pouco ventilados, como os banheiros, locais perfeitos para o desenvolvimento de fungos e bactérias.
Para Caroline Barbosa, professora da Afya Salvador e médica infectologista, o gesto automático ganha outra dimensão quando se observa o comportamento desses microrganismos em superfícies têxteis úmidas, como as toalhas de banho, que podem levar poucas horas para se tornar um ambiente propício à multiplicação de bactérias como a Staphylococcus aureus e a Escherichia coli, além de fungos associados a micoses cutâneas.
"Em regiões de clima quente e úmido, como a Bahia, a evaporação da água ocorre de forma mais lenta, especialmente em ambientes pouco ventilados, como banheiros. Quando a toalha permanece úmida por muitas horas, cria-se um ambiente ideal para proliferação de fungos, bactérias e ácaros. Além disso, restos de células da pele, suor, oleosidade e resíduos orgânicos ficam impregnados no tecido, favorecendo a multiplicação desses microrganismos. Esse cenário aumenta o risco de irritações cutâneas, infecções e agravamento de doenças dermatológicas".
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a exposição contínua à umidade e ao mofo dentro de ambientes domésticos está também associada ao aumento de doenças respiratórias, agravamento de quadros de asma e maior incidência de alergias. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que problemas de pele e alergias figuram entre as principais causas de atendimentos na atenção básica à saúde, muitas vezes relacionados a fatores ambientais e hábitos do cotidiano.
O clima quente e úmido também reduz o tempo de evaporação da água em tecidos e superfícies. Dessa forma, uma toalha pode levar horas, e até mesmo dias, para secar quando deixada dentro do banheiro, especialmente após banhos quentes que aumentam ainda mais a concentração de vapor no ambiente.
Dois pontos devem ser observados com atenção: a frequência de troca e higienização das toalhas, que pode ampliar a carga microbiana presente no tecido, e o contato repetido com toalhas contaminadas, que pode desencadear desde quadros simples, como acne e irritações, até infecções fúngicas mais persistentes, além de contribuir para conjuntivites e agravamento de dermatites, principalmente em pessoas com maior sensibilidade, como crianças, idosos e aqueles com predisposição alérgica.
Dr. Manoel Peso, professor da Afya Educação Médica Vitória da Conquista e médico cirurgião plástico, alerta para os cuidados no inverno do sudoeste baiano, que muitas vezes apresenta clima oposto ao da capital: "Nesse paralelo, temos um clima seco, porém frio, então a dificuldade é conseguir que as roupas em geral sequem, até mesmo fora do banheiro, principalmente para quem mora em ambientes mais fechados, como apartamentos. É importante trocar com mais frequência toalhas, lençóis e evitar repetir peças como camisas, roupas íntimas e meias, por exemplo".
Para ele, a solução é simples e passa por ajustes na rotina: secar a toalha em ambientes ventilados ou ao sol, evitar deixá-la dentro do banheiro após o uso e garantir a troca frequente são medidas que deixam de ser apenas uma recomendação de higiene e passam a ser uma estratégia de prevenção. Em caso de suspeita de infecção, o especialista orienta procurar ajuda médica. "Muito frequentemente, as pessoas apresentam alguma inflamação de pele e o uso da toalha molhada pode ampliar essa contaminação. Caso o paciente identifique alguma vermelhidão, coceira ou secreção, procure o médico para o tratamento adequado", alerta Dr. Manoel.
A infectologista Dra. Caroline lembra ainda que o que está em jogo não é apenas a organização doméstica, mas a exposição diária a agentes nocivos que encontram nas condições climáticas do estado o ambiente ideal para se multiplicar.
"Para reduzir os riscos, o ideal é estender completamente a toalha após o uso, evitando deixá-la dobrada; secá-la em ambiente ventilado e, preferencialmente, com exposição ao sol; evitar deixar toalhas permanentemente dentro do banheiro; não compartilhar toalhas pessoais; trocar toalhas de banho a cada dois ou três usos, ou antes, se permanecerem úmidas; trocar toalhas de rosto diariamente ou a cada dois dias; lavar as toalhas com água e sabão adequados, garantindo secagem completa antes do próximo uso. São cuidados simples que ajudam a preservar a saúde da pele e diminuem significativamente o risco de contaminações dentro de casa", conclui Caroline Barbosa.
Por Flamarion Reis
