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Cetrel integra projeto da ONU para eliminar resíduos tóxicos no Brasil
Transformadores antigos, capacitores industriais e outros equipamentos elétricos ainda em operação no Brasil podem conter PCBs (bifenilas policloradas), substâncias tóxicas banidas há décadas, mas que seguem como passivo ambiental relevante no país. Nesse contexto, a Cetrel passou a integrar o Projeto PCB ZERO, iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente voltada à eliminação desses resíduos no país.
Com o avanço das pesquisas científicas, os PCBs passaram a ser associados a impactos ambientais persistentes e riscos à saúde humana. Por resistirem à degradação natural e se acumularem na cadeia alimentar, essas substâncias podem permanecer por décadas no solo, na água e em estruturas contaminadas. Estudos internacionais relacionam a exposição prolongada a alterações hepáticas, imunológicas, hormonais e potenciais efeitos carcinogênicos, o que levou à proibição progressiva de sua produção e uso em diferentes partes do mundo.
No âmbito do programa, a Cetrel foi a primeira empresa no Brasil homologada para a destinação final desses resíduos, etapa realizada por meio de incineração licenciada, tecnologia considerada uma das mais eficazes para eliminação definitiva dessas moléculas. Com parque de incineração em operação desde 1991, a empresa informa já ter tratado mais de 15 mil toneladas de PCBs ao longo de sua trajetória.
Além da destinação final, a Cetrel atua de forma integrada em toda a cadeia de gestão de resíduos perigosos, oferecendo soluções relacionadas à gestão de resíduos, economia circular, monitoramento ambiental, investigação e remediação de áreas contaminadas e atendimento a emergências ambientais. A estrutura permite apoiar empresas desde a identificação e manejo seguro dos materiais contaminados até a mitigação de impactos ambientais e a recuperação de áreas impactadas.
A homologação amplia a capacidade nacional de resposta a um desafio ambiental ainda pouco visível fora do setor industrial: retirar de circulação substâncias proibidas há décadas, mas que seguem presentes em equipamentos antigos e exigem solução técnica especializada.
Projeto PCB ZERO
No Brasil, a fabricação e comercialização foram proibidas em 1981, mas muitos equipamentos tiveram autorização para seguir operando até o fim de sua vida útil. Como transformadores podem permanecer ativos por décadas, o país ainda convive com estoques remanescentes e casos de contaminação cruzada provocados por manuseio inadequado, armazenamento irregular ou substituição incompleta de fluidos contaminados. Esse cenário tornou a gestão desses resíduos uma exigência ambiental e regulatória crescente para empresas de setores como energia, indústria química, mineração e infraestrutura.
A Convenção de Estocolmo, da qual o Brasil é signatário, determinou a eliminação do uso de PCBs até o final de 2025 e a destinação ambientalmente adequada dos resíduos até 2028. Para apoiar esse processo, o Projeto PCB ZERO prevê subsídios para viabilizar a destinação de até 15 mil toneladas de materiais contaminados e reúne etapas como identificação dos ativos, inventário, retirada segura de operação, acondicionamento, transporte especializado e destruição final em unidades licenciadas.
Por Eduardo Bittencourt
