Foto: Valter Andrade
Simpósio debate revolução no tratamento cardíaco
O avanço das técnicas minimamente invasivas, da cirurgia robótica e dos tratamentos personalizados para doenças estruturais do coração esteve no centro dos debates do 2º Simpósio de Cardiologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), realizado na última quinta-feira (21), durante o 38º Congresso de Cardiologia do Estado da Bahia. O evento reuniu especialistas de diferentes regiões do país para discutir o presente e o futuro de procedimentos voltados a alterações cardíacas que comprometem válvulas, septos e outras estruturas do coração.
Cada vez mais frequentes com o envelhecimento da população, as doenças estruturais cardíacas incluem problemas como insuficiência mitral, insuficiência tricúspide, defeitos congênitos e alterações valvares que podem provocar falta de ar, cansaço, arritmias, desmaios e até insuficiência cardíaca. Muitas dessas condições, antes tratadas apenas com cirurgias abertas de alta complexidade, hoje já podem ser corrigidas por técnicas menos invasivas, com menor tempo de recuperação e redução dos riscos cirúrgicos.
Diagnóstico precoce amplia chances - Durante o simpósio, a coordenadora da Cardiologia do hospital, a cardiologista Marianna Andrade, apresentou a linha de cuidados voltada aos pacientes com doenças estruturais cardíacas da unidade hospitalar. “No Mater Dei, a gente cuida desde o diagnóstico precoce e correto até a indicação do melhor tratamento através de um qualificado heart team, seja através de técnicas de hemodinâmica, cirurgias minimamente invasivas ou cirurgia robótica”, afirmou.
Na prática, o chamado heart team reúne uma equipe multidisciplinar formada por cardiologistas clínicos, hemodinamicistas, cirurgiões cardíacos, especialistas em imagem e outros profissionais que discutem conjuntamente o melhor tratamento para cada paciente, levando em consideração idade, quadro clínico, riscos e características individuais.
Robótica e hemodinâmica ganham espaço - A programação científica do simpósio trouxe discussões sobre intervenções percutâneas, avanços em valvoplastia mitral e cirurgia valvar robótica. Entre os convidados estiveram nomes de destaque da cardiologia e cirurgia cardiovascular brasileira, como o cirurgião cardíaco Fábio Jatene, além de especialistas em hemodinâmica e cirurgia robótica.
Segundo especialistas, o uso crescente da hemodinâmica e das tecnologias robóticas vem transformando o tratamento cardiovascular no país. “Em muitos casos, procedimentos são realizados por cateteres introduzidos pela virilha ou pelo braço, evitando grandes incisões cirúrgicas”, destacou o coordenador da hemodinâmica do HMDS, Fernando Bullos Filho. Já a cirurgia robótica permite movimentos mais precisos, menor trauma cirúrgico e recuperação mais rápida dos pacientes.
Atenção aos sinais - Cardiologistas alertam que sintomas como cansaço progressivo, palpitações, dor no peito, falta de ar e episódios de desmaio não devem ser ignorados, principalmente após os 60 anos. O diagnóstico precoce continua sendo um dos principais fatores para ampliar as chances de sucesso terapêutico e evitar complicações graves.
A discussão sobre doenças estruturais cardíacas ganha relevância em um cenário de aumento das doenças cardiovasculares no Brasil, que seguem entre as principais causas de morte no país. A tendência, segundo especialistas, é que o avanço tecnológico permita tratamentos cada vez mais seguros, personalizados e menos invasivos nos próximos anos.
Por Cinthya Brandão
