Foto: Eric Fields
Ilha de Itaparica ganha primeiro viveiro de mangue com produção inicial de 28 mil mudas nativas
Com foco na recuperação de áreas degradadas e na conservação dos manguezais da Baía de Todos-os-Santos (BTS), foi inaugurado nesta quinta-feira (21), na Ilha de Itaparica, o primeiro viveiro de mudas de mangue do município. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Village Itaparica e a Aliança Kirimurê e prevê a produção inicial de 28 mil mudas de três espécies nativas destinadas à recuperação ambiental de áreas da ilha e do subúrbio ferroviário de Salvador.
O lançamento oficial do projeto aconteceu no Village Itaparica, empreendimento localizado às margens da BA-001, e reuniu estudantes de escolas estaduais da ilha, representantes de comunidades pesqueiras, equipes técnicas das instituições parceiras e autoridades municipais. Durante o evento, os participantes conheceram iniciativas ligadas à sustentabilidade, reciclagem e recuperação ambiental desenvolvidas no empreendimento.
De acordo com José Carlos Bezerra, gestor da Rede Aliança Kirimurê, o sistema de produção será dividido entre uma área de berçário instalada próxima à comunidade da Misericórdia, em Itaparica, e outra destinada à terminação das mudas, localizada no Village Itaparica. Segundo ele, o projeto nasceu a partir de uma demanda da Companhia de Transportes da Bahia (CTB), responsável pelas obras do VLT no subúrbio ferroviário de Salvador, que também contempla ações de recuperação de áreas degradadas de manguezal ao longo do trajeto do modal.
“O projeto se conecta às ações desenvolvidas pela Aliança Kirimurê junto ao CTB/VLT na recuperação de áreas de manguezal impactadas no subúrbio ferroviário de Salvador e reforça nosso compromisso com a geração de renda para comunidades pesqueiras da Baía de Todos-os-Santos, sempre tendo como premissas a inovação e a regeneração ambiental”, destacou Bezerra.
Segundo Adriana Muniz, gerente de ASG do Village Itaparica, além da produção das mudas de mangue-vermelho (Rhizophora mangle), mangue-preto (Avicennia schaueriana/germinans) e mangue-branco (Laguncularia racemosa), o espaço também será utilizado em ações de educação ambiental e formação comunitária.
“Hoje oficializamos a parceria com a Aliança Kirimurê para implantação de um viveiro de mudas de três espécies de mangue. É uma iniciativa de grande importância não apenas para a Ilha de Itaparica, mas para toda a região da Baía de Todos-os-Santos, porque a proposta é contribuir para a regeneração de áreas degradadas de manguezal”, afirmou Adriana.
Educação ambiental e fortalecimento das comunidades pesqueiras
Para Adelmo Assis, vice-prefeito de Itaparica e secretário municipal de Agricultura e Pesca, o projeto representa um importante instrumento de educação ambiental e também um reforço à atividade pesqueira tradicional da ilha. “A educação ambiental precisa começar cedo para que os jovens compreendam a importância de conservar o meio ambiente e entendam que disso depende o futuro das comunidades. Recuperar os manguezais é essencial porque eles funcionam como proteção natural da nossa costa e ajudam a preservar áreas fundamentais para a vida marinha”, afirmou.
Também presente, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Itaparica, Paulo Sérgio Pita, destacou a importância do viveiro para as comunidades costeiras. “O projeto ajuda as comunidades a compreenderem melhor o papel do manguezal como berçário natural da vida marinha e reforça a importância da conservação ambiental para o município”, disse.
Atynaira Gonçalves, coordenadora de Projetos Sociais do Consórcio Mobilidade Salvador, responsável pela execução das obras do lote 1 do VLT de Salvador, também ressaltou o legado socioambiental da iniciativa. “Mais do que uma ação ambiental, esse projeto deixa um legado social, econômico e ambiental para as comunidades vizinhas ao empreendimento”, destacou.
Vale destacar que os manguezais exercem papel fundamental para a biodiversidade e para a proteção costeira, além de contribuírem para a reprodução de espécies marinhas e para o enfrentamento das mudanças climáticas por meio da captura de carbono. A ação implementada pelo Village Itaparica e Aliança Kimurê contempla Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), entre eles o ODS 13, de ação contra a mudança global do clima; o ODS 14, voltado à conservação da vida na água; o ODS 15, relacionado à vida terrestre; e o ODS 8, de trabalho decente e geração de renda.
Por Liliam Cunha
