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ARTIGO - FinOps: como as empresas brasileiras podem reduzir o desperdício na cloud e ganhar eficiência = Paulo Amorim
A adoção de soluções em cloud vem crescendo de forma consistente, impulsionada pela busca por maior agilidade, escalabilidade e inovação. No entanto, à medida que as empresas ampliam a sua dependência desses serviços, surge um desafio cada vez mais relevante: controlar e otimizar os custos associados. Nesse cenário, o FinOps, ou Cloud Financial Operations, deixa de ser uma tendência e passa a ocupar um papel central na gestão financeira da tecnologia.
Apesar dos ganhos operacionais, uma parcela significativa dos investimentos em cloud ainda é desperdiçada. Estudos de mercado indicam que até 30% dos gastos podem estar associados a recursos subutilizados, má configuração de serviços ou ausência de monitoramento contínuo. Na prática, a facilidade de contratação sob demanda, somada à descentralização das decisões de tecnologia, contribui para o aumento descontrolado das despesas, muitas vezes sem visibilidade clara sobre o retorno gerado.
Esse cenário é especialmente comum em empresas que avançaram rapidamente na transformação digital, mas que ainda não estruturaram uma governança financeira robusta para a TI. Diferentes áreas contratam soluções de forma independente, o que fragmenta os custos e dificulta a previsibilidade orçamentária, um desafio direto para CIOs e CFOs.
É nesse contexto que o FinOps ganha relevância. Mais do que uma prática técnica, trata-se de uma abordagem que promove a integração entre tecnologia, finanças e negócio, com o objetivo de alinhar o consumo de cloud às prioridades estratégicas da empresa. O foco passa a ser não apenas o desempenho dos sistemas, mas também a eficiência financeira dos investimentos.
Um dos pilares dessa abordagem é a visibilidade. Com o apoio de ferramentas adequadas, as empresas conseguem monitorar o consumo em tempo real, identificar desperdícios e ajustar rapidamente a alocação de recursos. Nesse sentido, ganham destaque soluções de IT Expense Management (ITEM), que permitem consolidar e categorizar as despesas de tecnologia, desde contratos de cloud até licenças SaaS, em uma visão única. Essa centralização fortalece o controle, melhora a governança e apoia decisões mais informadas.
Além disso, o FinOps contribui para a previsibilidade financeira. Com base em dados históricos e padrões de consumo, torna-se possível antecipar custos, planejar investimentos e evitar surpresas no orçamento. Em um ambiente econômico ainda pressionado, essa capacidade de planeamento é um diferencial competitivo relevante.
Outro ponto crítico é a mudança cultural. O FinOps introduz uma lógica de responsabilidade compartilhada, em que diferentes áreas da empresa passam a ter consciência do impacto financeiro das suas decisões tecnológicas. Essa integração reduz desperdícios e promove um uso mais eficiente dos recursos.
No Brasil, onde a digitalização avança rapidamente em diversos setores, a maturidade na gestão da cloud torna-se um fator decisivo. Empresas que conseguem transformar dados operacionais em inteligência financeira não apenas reduzem custos, mas também aumentam a sua capacidade de investir de forma estratégica.
Mais do que adotar cloud, o desafio agora é gerenciá-la com eficiência. Nesse processo, o FinOps surge como um caminho estruturado para transformar complexidade em controle, e investimento em resultado.
Paulo Amorim é engenheiro Mecânico Nuclear pela Universidade de Utah (EUA), MBA pela BYU Marriott School of Business, CEO e fundador da K2A Technology Solutions.
