Foto: Fernanda Capri
Especialista explica a importância do apoio psicológico no processo da adoção
A
adoção é uma das formas de construir uma família. De acordo com o
Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento do Conselho Nacional de
Justiça, em 2025 3.140 crianças e adolescentes ganharam um novo lar.
Esse processo da adoção é novo tanto para as crianças como para os país
e, por isso, contar com o apoio psicológico é fundamental para que a
convivência se torne mais tranquila e saudável. Para
a psicóloga Aline Santana, a preparação psicológica faz com que a
pessoa possa pensar melhor nesse novo momento da vida. “É uma etapa
muito importante porque a pessoa poderá refletir sobre a adoção, desde
as suas motivações até as expectativas que ela tem em relação a esse
tipo de maternidade e paternidade”, explicou. Aline
fez questão de lembrar que a criança ou o adolescente que será adotado
tem uma história, uma jornada e os novos pais precisam entender e se
preparar para os possíveis desafios. Foi justamente por isso que o casal
Paulo e Andreia Mensoni optaram por ter acompanhamento psicológico. Andreia
conta que ela e o marido, hoje pais de Letícia,Larissa e João,
decidiram adotar após tentativas de engravidar sem êxito, além de perda
gestacional. Ao conversar com Paulo, eles entenderam que a adoção era
uma maneira de construir a família que tanto desejavam e foi nesse
período que procuraram uma psicóloga. “Procuramos
a psicologia quando tínhamos algumas dúvidas em relação a ficha que
devíamos preencher com os dados da criança. Isso era muito estranho para
a gente. A psicóloga clareou nossos pensamentos, entendemos que isso
era legítimo e não tinha nada de errado em fazer algumas escolhas. Além
disso, aproveitamos e nos preparamos para a chegada deles, mesmo sem
conhecê-los ainda. Considero que o apoio dela foi essencial e tornou
tudo mais leve”, afirma Andreia. Paulo
concorda com a esposa e destaca que desde o início da preparação
entendeu que ter um profissional de psicologia com eles faria o processo
ser mais tranquilo. “Nós passamos a acompanhar alguns processos por
vídeo na internet e na própria preparação já tínhamos certeza que seria
importante.Eu diria que foi imprescindível para entender o que viria”,
ressaltou. Segundo
Aline, o acompanhamento com um profissional também é importante para
que a pessoa que está se habilitando à adoção compreenda quais são suas
expectativas. As pessoas precisam entender que independente da idade, a
criança ou o adolescente virá com uma história, um rompimento de laço e
vai precisar que os pais estejam dispostos a dedicar tempo, paciência e
amor. A
psicóloga também pontua que a autonomia física da criança é muito
diferente da autonomia emocional, e isso vai exigir da pessoa uma
dedicação e disponibilidade para ajudá-la. Outra expectativa que
necessita ser trabalhada é a de que o adotado precisa ser grato, como se
a adoção fosse um favor, e na verdade não é. Impactos emocionais O
processo de adoção inclui compreender que muitas crianças passaram por
rupturas e perdas e que isso pode causar diversos impactos emocionais. A
criança que vai para adoção foi acolhida porque alguns dos seus
direitos, se não todos, foram violados. Algumas em parte do tempo do seu
acolhimento ainda receberam visitas das suas famílias de origem e que
em algum momento foi destituída do poder familiar. Tudo isso são
rupturas de vínculo e mudanças na vida, com isso ela perde a
previsibilidade e suas referências. “É
muito importante que usemos uma linguagem adaptada a cada atividade
para explicar o que está acontecendo na vida dela, sejam as rupturas ou a
nova inserção nessa família. É essencial que a criança saiba o que vai
acontecer e o que aconteceu com ela, isso causa muito mais segurança e é
um fator que pode ajudar no sucesso da adoção”, afirmou Aline. A
psicóloga esclarece que nesses casos os pais precisam criar um ambiente
seguro e esse ambiente precisa de previsibilidade, permanência e
constância, além da disponibilidade de acolher o histórico da criança
que muitas vezes está manifestando um comportamento pois não consegue
elaborar suas emoções.
Por Rebeca Nascimento
