Foto: Daniel Cerqueira
Indústria criativa, responsável por 3% do PIB nacional, aposta em Salvador como ‘vitrine estratégica’ no verão de 2026
A indústria criativa da Bahia, em diálogo com a música, artes, design, audiovisual, moda e cultura, tem se consolidado como vetor do desenvolvimento urbano e cultural no Brasil, nas últimas décadas. Com o mercado aquecido pela chegada do ‘verão’, a atividade econômica na capital soteropolitana torna-se uma “vitrine de sucesso” país afora, fortalecida pelo segmento de eventos e turismo.
Para se ter noção, o último relatório da Firjan revela que a indústria criativa no Brasil, somente em 2023, movimentou mais de R$ 393 bi, o equivalente a 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Ranqueada acima de setores tradicionais da economia, a aposta é que Salvador concentre, neste primeiro trimestre, uma parcela significativa dessa movimentação.
Atuando no setor de eventos há 10 anos, a produtora, founder e CEO da Festa Preciosa, Marcela Silva, explica que o verão soteropolitano deixou de ser apenas um ‘período festivo’ para se consolidar como ativo estratégico da economia criativa, capaz de articular cultura, turismo e eventos com geração de empregos e renda em larga escala.
“Quando a gente pensa no ‘verão’ como propulsor do turismo e da economia, como cultura e experiência urbana, Salvador nos mostra que já tem tudo para liderar esse movimento. O ano de 2026 será um divisor de águas para colocar a nossa capital em evidência, já que o número de turistas deve aumentar consideravelmente. Esse é o momento de aproveitarmos a ‘maior vitrine do planeta’ e consolidar projetos e ações para as múltiplas comunidades, espalhadas por Salvador”, explica.
Isso se deve pela alta circulação de turistas com destino à capital. Segundo dados projetados pela Secult, Salvador entra na alta temporada com a expectativa de atender 3,4 milhões de turistas – o que equivale à 800 mil destinos à mais que a média registrada em 2025. Disputando atenção com destinos como Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza, Marcela explica que o ‘verão soteropolitano’ chama a atenção pelos ensaios, festas temáticas e pelo maior Carnaval de rua do mundo.
Somente no último ano, o Carnaval de Salvador chegou à movimentar mais de R$ 1,8 bilhão na economia, sendo a principal força motriz da temporada. A profissional observa que, além do impacto econômico, o Carnaval é a plataforma estratégica da economia criativa na cidade, revelando a força das comunidades de nicho e a diversidade de experiências simultâneas que Salvador oferece durante o verão.
“Entre os meses de janeiro à março, temos a maior vitrine afetiva do mundo, quando o assunto é festa, música e ocupação urbana. É nesse contexto que comunidades de nicho representam uma força avassaladora, mas ainda pouco observada pelas empresárias da noite soteropolitana. O mercado é amplo, mas fragmentado: além das multidões que participam da folia dos blocos, ensaios e trios, há um público segmentado que busca festas com espaços seguros, infraestrutura adequada e experiências autênticas ligadas à sua comunidade”, comenta a especialista.
No comparativo à outros carnavais do país, como Olinda e Rio de Janeiro, Marcela destaca que Salvador se diferencia pela escala e a diversidade de experiências simultâneas. Enquanto outras capitais concentram eventos em polos específicos, a capital baiana espalha festas por diferentes bairros, formatos e públicos, criando um calendário que se estende por todo o verão – antes e depois do Carnaval.
Salvador como ‘polo’ estratégico de iniciativas à diversidade no mundo
Aproveitando o calendário festivo e o intenso fluxo de turistas que se dirige à cidade, Marcela ressalta que Salvador traz um potencial ainda maior: ser o principal polo mundial de iniciativas voltadas à diversidade.
À medida que o verão avança, a empresária destaca que eventos bem estruturados funcionam como motores do turismo e da economia, oferecendo experiências inclusivas e de alto impacto, que ampliam a visibilidade cultural da capital baiana.
É nesse cenário de inclusão e fortalecimento da economia criativa que Marcela posicionou a Festa Preciosa, colocando Salvador no radar dos principais eventos voltados para mulheres. Mesmo durante a ‘baixa temporada’, a iniciativa aquece o mercado de eventos, música e cultura da cidade, mostrando que o nicho soteropolitano ainda é pouco observado pelo circuito empresarial.
“Salvador tem público, artistas e um calendário disputado. O desafio é transformar essas condições em experiências que dialoguem com a cultura local, o fluxo turístico e a economia da cidade, sem perder a identidade que faz da festa ser algo único. No caso da Preciosa, por exemplo, a proposta é gerar um espaço de afeto, identidade e pertencimento próprio, feito de mulheres e para mulheres”, conta.
Criada em 2022, a Festa Preciosa ganhou espaço pelo formato organizado, com infraestrutura completa, programação musical diversa e produção exclusivamente conduzida por mulheres – fortalecendo um ecossistema próprio dentro da noite soteropolitana. De 2022 para cá, a Preciosa já alcançou mais de 6 mil mulheres, movimentando mais de R$ 1 milhão na economia.
“Durante essas cinco edições, pudemos observar um aumento na participação de mulheres de outras cidades e estados que já vem curtir a Preciosa, e que injetam capital na nossa economia, no turismo, alimentação e demais atividades locais. Com os holofotes voltados à Salvador, essa é a chance de mostrar uma capital ainda mais diversa e estratégica, quando o assunto é desenvolver o mercado e a diversidade”, conclui.
Por Anna Vilarina
