Reinaldo Bulgarelli / Foto: Divulgação
ARTIGO - Empresas e Direitos LGBTI+: desejos, compromissos e tarefas para 2026 = Por Reinaldo Bulgarelli
No
Brasil, criamos uma organização, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+,
para promovermos juntos o respeito aos direitos humanos de pessoas
LGBTI+ nas empresas e na sociedade. Ele articula empresas em torno de 10
Compromissos, uma agenda de trabalho que concretiza o que é para ser
feito e como.
O Fórum não está sozinho e se articula com outras organizações da mesma natureza, todas com compromissos em torno dos temas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Estas organizações constituem um movimento, articulado com outras organizações da agenda de empresas e sustentabilidade, que propõe transformações na cultura das empresas e efetiva adição de valor para as pessoas, os negócios e a sociedade.
São
organizações como o Fórum que permitem lidar com a onda reacionária que
habita também o próprio mundo empresarial. Há um movimento crescente
para exterminar a agenda de transformações no mundo dos negócios para
que se tornem mais sintonizados com a realidade e com as necessidades da
vida no planeta. A emergência climática, desigualdades intoleráveis e
violências de todo tipo têm as empresas como parte do problema e devem
contar com elas como parte da solução.
Em 2026, serão essas organizações que continuarão a propor caminhos, fortalecendo o movimento de diversidade, equidade e inclusão dentro da agenda mais ampla de negócios sustentáveis. Mais que uma previsão, o aprendizado retirado dos últimos anos de resistência e avanços, permitem recomendar que a articulação em torno de compromissos concretos é um bom caminho.
O
risco da perda de reputação é imenso para empresas que atenderam à
ordem de eliminar programas de DEI, desmontar equipes, retirar recursos
para o tema, escondendo as marcas e fugindo de tudo que seja ou pareça
ser respeito aos direitos humanos. Há um movimento reacionário, assim
como há um movimento que vai cobrar das empresas compromisso com
direitos humanos na relação com todos os públicos de relacionamento ou
stakeholders. Há uma disputa que se acirrou e está exigindo
posicionamento, não mais atalhos ou desvios para tentar agradar todo
mundo.
A consistência dos programas de DEI nas empresas está relacionada a este compromisso com o respeito e a promoção dos direitos humanos. Fora dele, não há como pensar a valorização da diversidade, a realização de ações afirmativas e tudo que isso significa para ampliar oportunidades para todas as pessoas. Olhar apenas para dentro, para o ambiente de trabalho, significa fechar as portas para a imensa população de mulheres, pessoas negras, pessoas LGBTI+, pessoas com deficiência, entre tantos outros segmentos que dependem de ações afirmativas para que seu talento seja respeitado.
Portanto,
2026 deve aprofundar a conversa sobre ações afirmativas, alvo principal
do movimento reacionário, para que a conversa sobre a qualidade do
ambiente de trabalho seja verdadeira. Cuidar da qualidade da demografia
ou da qualidade do ambiente? O movimento de DEI nunca colocou prioridade
em apenas um aspecto, mas sempre entendeu que mudanças concretas
articulam diversidade, equidade e inclusão.
Empresas articuladas em movimentos resistem e avançam, aprendem a resolver conflitos deste mundo polarizado e a influenciar o ambiente de negócios a partir de valores inegociáveis. Movimentos de valorização e promoção da diversidade expressam compromisso com a democracia, com o enfrentamento das desigualdades e outras violências que comprometem a sustentabilidade da vida no planeta.
Não
vai ser um ano fácil para algumas empresas porque manter-se em cima do
muro já não é mais uma escolha. Quando alguém decreta, por exemplo, que
pessoas trans não devem existir, que só há homens ou mulheres, como
definido por Deus ou pela natureza, não é possível ficar em silêncio.
Marcas que silenciam podem achar que terão um ano mais tranquilo do que aquelas que têm uma liderança corajosa para defender seus próprios princípios e valores. Como dizem, a paz não é ausência de guerra, mas presença de justiça.
A
barbárie nunca foi uma possibilidade para o sucesso dos negócios. Assim,
no Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ nós já “adivinhamos” como será o
futuro: mais um ano com lideranças e profissionais engajados em torno
dos 10 Compromissos para termos empresas bem-sucedidas em um planeta
sustentável.
*Reinaldo Bulgarelli é Secretário Executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, onde lidera esforços para promover o respeito e a promoção dos direitos
humanos LGBTI+ no ambiente empresarial e na sociedade. Desde o início
de 2023, ele também atua como Conselheiro do Conselho de Desenvolvimento
Econômico Social Sustentável da Presidência da República e Conselheiro
do Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção da
Controladoria Geral da União. Além disso, é sócio-diretor da Txai
Consultoria e Educação, fundada em 2001, professor, autor do livro
“Diversos Somos Todos - Valorização, Promoção e Gestão da Diversidade
nas Organizações”, publicado em 2008 e reeditado em 2023 pela editora
ABERJE.
