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Dia do Adulto: entenda a virada de chave prevista só aos 32 anos
Você acha que se tornou um adulto com a chegada da maioridade, aos 18 anos? Esqueça esta referência. Celebrado em 15 de janeiro, o Dia do Adulto traz a reflexão sobre um conceito que tem se tornado cada vez mais fluido. Se antes a vida adulta era associada a marcos bem definidos, hoje esses limites parecem mais diluídos, e não apenas por escolhas individuais.
Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Cambridge identificou quatro grandes momentos de mudança ao longo da vida, aos 9, 32, 66 e 83 anos. Cada um deles marca o início de uma nova “época” do cérebro. Entre esses pontos, o que mais chama atenção é a virada dos 32 anos, associada ao fim de um período intenso de reorganização cerebral, tradicionalmente ligado à juventude.
Para a psicóloga Aparecida Tavares, que atende no Órion Complex, em Goiânia, essa discussão vai além da biologia. Segundo ela, a maturação cerebral sofre influência direta do meio social, cultural e emocional. “Será que a sociedade tem estimulado esse cérebro para que essas maturações ocorram no tempo esperado?”, provoca.
Na avaliação da especialista, o avanço tecnológico e a lógica do imediatismo têm impactado o córtex pré-frontal, área ligada ao planejamento, ao controle dos impulsos e à tomada de decisões. “Somos seres sociais, e a aprendizagem se dá na troca, no convívio real”, afirma.
Na prática clínica, Aparecida observa pacientes mais inseguros, com dificuldades nas interações sociais, insatisfeitos com a autoimagem e emocionalmente dependentes. “Há muita busca por prazer e pouco espaço para reflexão, ponderação e planejamento futuro. É uma ambivalência constante entre o sim e o não na vida.”
Embora reconheça que a adolescência possa se estender, a psicóloga avalia que o problema está na forma como esse período vem sendo vivido. “A vida é tempo, tem relógio, inclusive biológico. Não basta nutrir apenas o corpo. É preciso nutrir a mente com conteúdos que resgatem o valor do ser humano.”
Para ela, os impactos dessa imaturidade afetam também o entorno do indivíduo. “Isso traz prejuízos sociais e econômicos. O país deixa de crescer, de evoluir e de ter pessoas engajadas no bem-estar coletivo”, conclui, ao deixar uma reflexão: “A quem interessa essa imaturidade implantada?”.
Por Thiago Burigato
