Foto: UNIFACS (Magnific)
Setembro Amarelo incentiva diálogo aberto como parte da prevenção ao suicídio
Durante muito tempo, falar sobre suicídio foi cercado pelo medo de que mencionar o assunto pudesse estimular uma pessoa em sofrimento a tirar a própria vida. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça uma perspectiva diferente: o diálogo responsável, aberto e acolhedor pode fazer parte da prevenção. Com o tema “Mudando a narrativa sobre o suicídio”, a campanha deste ano traz um chamado direto: “Comece a conversa”. A proposta é criar espaços nos quais pessoas em sofrimento se sintam seguras para falar e buscar ajuda.
A mudança de abordagem é importante porque o silêncio pode contribuir para o isolamento de quem está enfrentando uma crise. Segundo a OMS, o estigma e o tabu em torno do suicídio estão entre os obstáculos para que muitas pessoas procurem suporte. A entidade também destaca que a prevenção exige identificação precoce, apoio emocional e acesso a cuidados adequados.
Na prática, isso significa que familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas próximas não precisam esperar que alguém diga explicitamente que está pensando em morrer para iniciar uma conversa. Quando há uma preocupação concreta com o estado emocional de uma pessoa, perguntar como ela está e, se necessário, questionar diretamente sobre pensamentos suicidas pode abrir uma oportunidade para que fale sobre o que está vivendo. A orientação é do psiquiatra Armindo Barberino, professor do curso de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), integrante da Inspirali, vertical de educação médica da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas em diversas regiões do Brasil.
“Precisamos superar a ideia de que falar sobre suicídio necessariamente aumenta o risco. O que precisamos é aprender a falar de maneira responsável, sem julgamentos, sem romantização e sem transformar a conversa em espetáculo. Para alguém que está vivendo um sofrimento intenso, perceber que existe uma pessoa disposta a ouvir pode ser o primeiro passo para romper o isolamento e chegar até uma rede de cuidado”, explica o psiquiatra.
Desmistificação
A própria OMS afirma que essa abordagem pode reduzir a ansiedade e ajudar a pessoa a se sentir compreendida. A recomendação é escolher um momento tranquilo, demonstrar preocupação genuína, ouvir sem julgamentos e estimular a busca por ajuda profissional.
“Quando conseguimos transformar o silêncio em uma conversa acolhedora, criamos uma possibilidade de aproximação. Não se trata de ter a fala perfeita ou de resolver o sofrimento do outro, mas de não ignorá-lo. Perguntar, ouvir e encaminhar para ajuda especializada são atitudes que podem fazer parte de uma rede de proteção”, acrescenta Barberino.
Formas de prevenção e atendimento
Entre as diversas formas de cuidar da saúde mental, adotar um estilo de vida saudável pode ser uma das alternativas mais eficazes para evitar a intensificação de transtornos. Uma alimentação adequada, a prática regular de atividades físicas, uma vida social ativa, sono de qualidade, entre outros hábitos que podem fazer parte do cotidiano, propiciam corpo e mente mais saudáveis.
Tendo como mote a campanha Setembro Amarelo, a UNIFACS está promovendo uma ação voltada para a comunidade, que inclui atendimento especializado em nutrição e psicologia. O plantão psicológico acontece dias de segunda-feira das 8h às 16h, às terças-feiras das 8h às 20h, e sextas-feiras das 13h às 17h. Já os atendimentos em nutrição serão realizados na quinta-feira, dia 24 de setembro, a partir das 13h30, e na sexta-feira, dia 25, a partir das 8h30 e, pela tarde, a partir das 13h30. Para participar, basta comparecer ao campus Tancredo Neves.
Em todo o Brasil, o atendimento pode ser buscado na rede de saúde, incluindo Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de emergência, deve-se procurar um serviço de pronto atendimento ou acionar o SAMU, pelo número 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, oferece apoio emocional gratuito.
Por Andréa Castro
