Evento reuniu empresários baianos para apresentar caminhos para ampliar as relações comerciais com o gigante asiático. Foto: Jefferson Peixoto/ Coperhoto/ Sistema FIEB
FIEB aproxima empresários baianos de oportunidades de negócios com a China
A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) reuniu, nesta
terça-feira (22), empresários baianos para apresentar oportunidades de
negócios com a China e os caminhos para ampliar as relações comerciais
com o gigante asiático. O encontro destacou desde aspectos culturais e
estratégicos para fazer negócios com os chineses até questões
relacionadas a importação, logística, pagamentos internacionais,
inovação e participação em feiras empresariais.
Na abertura, a
gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEB, Patrícia
Orrico, destacou a atuação da entidade no apoio a empresários
interessados em estabelecer conexões entre a Bahia e a China. Segundo
ela, as missões empresariais realizadas pela Federação fazem parte desse
esforço e buscam intensificar tanto as parcerias tecnológicas quanto as
oportunidades comerciais.
Ela ressaltou que a relação entre os
dois mercados apresenta perfis complementares. Enquanto a Bahia importa
tecnologias, equipamentos e soluções associadas a investimentos, mantém
exportações expressivas para o mercado chinês em segmentos como celulose
e produtos agrícolas, a exemplo da soja. “A China também ocupa posição
de destaque nas relações comerciais e nos investimentos realizados no
estado, sendo nosso maior parceiro comercial”, lembrou.
A
importância de compreender as particularidades do país foi um dos pontos
abordados por Sophia Rezende, representante da Câmara Chinesa de
Comércio do Brasil. Em sua apresentação, ela contextualizou aspectos
políticos, econômicos, culturais e de infraestrutura da China e chamou a
atenção para a relevância das relações pessoais no ambiente
empresarial.
Segundo Sophia, relacionamento e confiança são
elementos fundamentais para estabelecer negócios com parceiros chineses.
Por isso, “conhecer a etiqueta empresarial, respeitar aspectos
culturais e construir vínculos de longo prazo podem fazer diferença nas
negociações”, afirmou. Ela também alertou para os riscos de
preconceitos, generalizações e informações falsas sobre o país,
reforçando a importância de buscar conhecimento qualificado antes de
ingressar nesse mercado.
Para Gabriela Marcondes, da NT Cargo, a
expansão das relações comerciais com a China exige, sobretudo,
assertividade nas escolhas. Ela defendeu que estudar o mercado, visitar o
país e elaborar um planejamento consistente devem anteceder qualquer
decisão empresarial. “É impossível pensar em comércio internacional sem
planejamento”, ressaltou.
Entre as oportunidades apresentadas
estão o acesso ao mercado asiático, soluções de inovação e automação,
alternativas logísticas e novas tecnologias. Por outro lado, Gabriela
destacou que as empresas também precisam estar preparadas para desafios
ao longo do processo. Analisar a reputação dos fornecedores, solicitar
amostras, estabelecer prazos claros, formalizar as condições em
contrato, acompanhar o pós-venda e avaliar mecanismos de pagamento e
seguros estão entre os cuidados necessários.
Durante a
apresentação, Gabriela chamou a atenção para a elevação dos custos dos
fretes internacionais, que, segundo os dados apresentados no encontro,
registraram aumento de 500% nos últimos seis meses. O cenário reforça a
necessidade de planejamento e acompanhamento constante das condições do
mercado.
Outro aspecto abordado foi a transformação dos
pagamentos internacionais. Thiago Martello, da XTransfer Brasil,
apresentou a evolução dessas operações e explicou como a digitalização
vem modificando o mercado e criando novas possibilidades para empresas
envolvidas no comércio exterior.
Já Gustavo Gomes, do China Trade
Center, apresentou um panorama das oportunidades existentes no país e
falou sobre Hainan e seu projeto de porto de livre comércio. Para ele,
compreender a dimensão da economia chinesa é fundamental para
identificar possibilidades de negócios. “A China está no centro nas
principais cadeias produtivas globais, possui um mercado consumidor de
grande escala, um amplo parque industrial e se consolidou como um
importante ambiente de desenvolvimento e aplicação acelerada de
inovações”, pontuou.
Gustavo também destacou a Canton Fair,
realizada em Guangzhou, como uma das principais portas de entrada para
empresários interessados em conhecer fornecedores, produtos, tecnologias
e tendências. A feira reúne diferentes setores e oferece a
possibilidade de estabelecer contatos diretamente com empresas chinesas.
Como resumiu Gustavo Gomes durante o encontro: “A China é grande demais
para ser compreendida à distância”.
Para o empresário Vladimir
Rosário, sócio de uma fábrica chinesa de equipamentos fitness, o evento
foi enriquecedor. “A gente ter acesso, aqui em Salvador, a toda essa
bancada aqui de profissionais, trazendo informações desde a logística
até você ter uma empresa que procure o fabricante ideal, ter o pessoal
da agência que dê essa assistência, ter o pessoal da trade que fale
sobre dinheiro, como é que eu pago, como é que eu faço esse
investimento, foi muito bom para o empresariado. A FIEB está de
parabéns”, elogiou.
Fonte: FIEB
