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Regulação hormonal e neurológica são essenciais no processo de emagrecimento
O estresse intenso pode causar alterações no cortisol, dificultando o processo de emagrecimento, sobretudo quando acompanhado de sono ruim, ansiedade, alimentação desorganizada e pouca atividade física. Segundo o relatório World Mental Health Day 2024, da Ipsos, 42% dos brasileiros entrevistados relataram ter sido afetados pelo estresse algumas vezes durante o ano. Paralelo a isso, a prevalência mundial de obesidade em adultos mais que dobrou entre 1990 e 2022, passando de 7% para 16%. O emagrecimento vai além da contagem de calorias, regulação hormonal e neurológica são essenciais para obter resultados.
A nutricionista Caroline Costa explica que o estresse pode ocasionar em comportamentos alimentares diversos. “Em situações pontuais, a adrenalina pode diminuir temporariamente o apetite. Já quando o estresse se prolonga, o cortisol pode aumentar a fome e a vontade de consumir doces, fast-food e outros alimentos calóricos, que geram uma sensação rápida de conforto. Sono ruim, restrições alimentares e a relação emocional com a comida também influenciam essa resposta.” Caroline destaca que esse comportamento pode ser intensificado no fim da tarde e à noite, já que muitas pessoas ficam mais vulneráveis à fome e às escolhas alimentares impulsivas: “Isso acontece pelo acúmulo do estresse e do cansaço ao longo do dia, principalmente quando a pessoa dormiu mal, pulou refeições ou comeu pouco.”
Ter noites mal dormidas com frequência pode comprometer o emagrecimento tanto quanto os deslizes alimentares. A falta de sono interfere em hormônios importantes para o emagrecimento, como a grelina, que aumenta a fome, e a leptina, que sinaliza saciedade. Além de afetar a regulação desses hormônios, o metabolismo também é impactado e pode ficar mais lento do que o normal. Já o estresse, quando se torna constante, pode elevar o nível do cortisol e pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal, além de piorar o sono, aumentar a fome e estimular a vontade de consumir alimentos mais calóricos.
Rejiane Carneiro, que é psicóloga e neuropsicóloga clínica, destaca a importância de compreender que o emagrecimento não começa apenas na alimentação ou no exercício físico, mas também passa pela forma como as pessoas lidam com as emoções, com a rotina e com aquilo que fazem quando estão emocionalmente sobrecarregados. “Emagrecimento não começa apenas na alimentação ou no exercício físico. Ao longo do meu processo, fui compreendendo melhor os meus limites, os gatilhos do estresse e a importância de cuidar também da minha mente. Quando vivemos constantemente sobrecarregados, isso pode afetar o sono, a disposição, o apetite, nossas escolhas e até a forma como buscamos alívio e recompensa. Por isso, sempre procurei olhar para o cuidado de forma integrada: cuidar da mente, regular as emoções, movimentar o corpo e prestar atenção à minha saúde intestinal. Para mim, emagrecer também passou por compreender os sinais que o corpo emitia, melhorar a relação com a comida e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com o estresse.”
Há situações em que a comida pode se tornar uma forma rápida de aliviar emoções, como ansiedade, cansaço e frustração, podendo desencadear um ciclo de estresse e compulsão alimentar. Em momentos como esses, o cérebro busca recompensas e aumenta a vontade de consumir alimentos mais calóricos. Depois do episódio, surgem culpa e medo de engordar, o que pode levar a pessoa a fazer novas restrições.
“Para interromper esse ciclo, o primeiro passo é evitar compensações: não pular refeições, não fazer jejuns punitivos e não praticar exercícios em excesso para reparar o que comeu. É importante retomar a alimentação normalmente na refeição seguinte, mantê-las regulares e identificar os gatilhos emocionais envolvidos. Quando os episódios são frequentes, envolvem perda de controle ou causam sofrimento, o acompanhamento precisa ser mais de perto e com a ajuda de psicólogos ou psiquiatras. Compulsão alimentar não se resolve apenas com mais restrição, mas com acolhimento, estratégia e tratamento adequado”, pontua Caroline Costa.
