Foto: Uilame Dejan
Festival de Lençóis encerra 27ª edição celebrando cultura, ancestralidade e música baiana
O último dia do Festival de Lençóis foi com chave de ouro, reunindo diferentes expressões da cultura baiana e brasileira. Feira de artesanato, capoeira, samba de roda, poesia, literatura de cordel, roda de conversa e muita música marcaram o domingo (6), que ainda contou com a apresentação da Phylarmônica Lyra Popular de Lençóis, o reggae da Cidade Negra e o talento e energia de Larissa Luz.
Começando o dia, a Feira de Artesanato da Bahia serviu mais uma vez como um dos espaços de encontro entre cultura e tradição. Entre os expositores estava Seté Payayá, indígena da Aldeia Payayá, localizada na cidade de Utinga. Ele levou para Lençóis indumentárias produzidas a partir de elementos encontrados na natureza, como sementes. Morador de uma aldeia formada por cerca de 30 famílias, também realizou pinturas indígenas no local e contou que a atividade despertou o interesse de visitantes de diferentes partes do Brasil e do mundo. “Pessoas do Brasil e do mundo tiveram interesse em conhecer e fazer pinturas indígenas. É uma forma de mostrar nossa cultura, nossa identidade e a nossa relação com a natureza”, afirmou.
A programação cultural também contou com a apresentação da Capoeira Corda Bamba, comandada pelo Mestre Cascudo, que levou ao público a capoeira e o samba de roda. A atividade faz parte de uma tradição que atravessa gerações e que segue sendo apresentada para quem vive e visita Lençóis. “A capoeira Corda Bamba existe há 120 anos e eu faço parte dela há 38. A gente dá sequência ao projeto que fazemos, de apresentar a capoeira para os visitantes e moradores de Lençóis, nessas oportunidades que surgem. Ficamos muito felizes em poder mostrar essa cultura”, destacou.
A tarde ainda teve poesia e literatura com a apresentação do poeta Franklin Machado, que compartilhou seus versos e falou sobre a tradição da literatura de cordel. Na sequência, o Mercado Cultural recebeu a roda de conversa “A importância de desacelerar a vida e conviver com a natureza”, com o psicólogo e escritor Alexandre Coimbra e mediação do jornalista James Martins. O encontro propôs uma reflexão sobre o ritmo acelerado da vida contemporânea e a necessidade de recuperar espaços de presença, descanso e conexão com a natureza e com o outro.
Durante a conversa, Alexandre Coimbra abordou temas como a sensação constante de agonia e ansiedade, as relações interpessoais, o luto e o sentido da vida. Segundo ele, é preciso desenvolver maior sensibilidade para perceber quando alguém próximo precisa de um abraço, de escuta ou de um ombro amigo. “A gente precisa entrar no modo avião, desligar, descansar, fazer coisas lentas, reduzir o tempo de tela e voltar a fazer coisas que não precisam ser postadas. Estamos vivendo de uma forma que está transformando a nossa existência. Desacelerar também é observar as armadilhas da otimização do tempo e entender que nem tudo precisa ser produzido, compartilhado ou aproveitado o tempo inteiro”, refletiu.
Depois das atividades no Mercado Cultural, a programação seguiu para o Coreto, onde o Trio de Forró com Élisson Moura colocou o público para dançar o pé de serra. Com um repertório inspirado, o grupo encerrou a programação da tarde em clima de festa e valorização da música nordestina. “Sou muito agradecido pelo convite. Foram dois dias maravilhosos. O público se divertiu, dançou e recebeu muito bem as canções. É muito importante valorizar esse ritmo e poder levar essa música para as pessoas”, celebrou.
À noite, os grandes shows tomaram conta do Palco Lençóis. A programação começou às 19h30, com a Phylarmônica Lyra Popular de Lençóis, seguida por Larissa Luz, às 21h, e Cidade Negra, às 23h, encerrando oficialmente a programação musical do festival com uma mistura de sonoridades e referências.
Maestro Washington, da Phylarmônica Lyra Popular de Lençóis há quatro anos, celebrou a terceira participação do grupo no Festival de Lençóis. Para a apresentação, foi preparado um repertório especial, valorizando ritmos e referências da Bahia. “Essa é a terceira vez que participamos do Festival de Lençóis. Preparamos um repertório especial para o público, ressaltando a cultura baiana, trazendo elementos como o reggae e o ijexá. É uma alegria poder estar aqui mais uma vez e apresentar a nossa música”, afirmou.
Na sequência, Larissa Luz fez sua estreia no Festival de Lençóis e destacou a emoção de finalmente participar do evento e sentir de perto a energia do público. “Estou realmente muito feliz. Vou levar para sempre o que aconteceu hoje. É a primeira vez que participo e eu sempre quis estar aqui. Poder sentir o público, esse calor, essa energia, foi muito especial. Só tenho a agradecer”, declarou.
Encerrando a noite e o Festival de Lençóis, Toni Garrido e Bino Farias, líderes da Cidade Negra, levaram o reggae ao Palco Lençóis em uma apresentação marcada por mensagens de paz, celebração e conexão com o público. O show também teve um significado especial para o artista, que comemorou seu aniversário justamente no palco. “Levamos reggae de respeito e paz. Gratidão, Bahia. Estar aqui trabalhando no dia do meu aniversário é um presente. Melhor presente não há”.
O Festival de Lençóis 2026 contou com o patrocínio da Bahiagás, Banco do Nordeste (BNB) e Estado da Bahia, além do apoio da Prefeitura Municipal de Lençóis.
Por Bruno Ganem
