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ARTIGO - IA já aumenta a produtividade, mas desafio é fazer esse ganho chegar ao negócio = Por Eliel Mota Eleutério
Existe uma diferença importante entre
usar inteligência artificial (IA) e fazer com que ela mude a forma como
uma empresa opera. A pesquisa global The State of AI in 2026: On the road to ROI,
da McKinsey, ajuda a enxergar esse descompasso: 80%
dos respondentes afirmam que a tecnologia melhorou sua produtividade
individual e cerca de metade diz que ela ajuda a tomar decisões
melhores. Já 37% relatam contribuição positiva da IA para o EBIT — lucro
antes de juros e impostos — de suas
organizações, percentual praticamente inalterado em relação ao ano
anterior do estudo.
Para mim, esse é um dos pontos mais
importantes da discussão atual sobre IA. Um profissional pode escrever,
analisar ou consultar informações mais rapidamente e, ainda assim, a
empresa continuar tomando decisões devagar, convivendo com retrabalho ou
dependendo de processos fragmentados. O ganho individual existe, mas não
necessariamente percorre o caminho até o resultado do negócio.
É por isso que olhar apenas para adoção
pode ser pouco. Quantas ferramentas foram contratadas? Quantas pessoas
utilizam IA? Quantos agentes foram criados? São informações úteis, mas
não respondem ao que realmente me interessa: o que passou a
funcionar melhor depois da implementação?
Na operação, essa resposta aparece de
maneira bastante concreta. Um processo leva menos tempo? O retrabalho
diminuiu? Uma decisão que dependia de várias etapas passou a acontecer
mais rápido? Um problema começou a ser percebido antes? Quando não
conseguimos identificar mudanças desse tipo, vale questionar se estamos
medindo transformação ou apenas presença de tecnologia.
A própria McKinsey aponta uma diferença
interessante. As organizações que relatam resultados financeiros mais
relevantes com IA também afirmam, com muito mais frequência, ter
redesenhado seus processos e criado formas de medir o impacto da
tecnologia. Esse dado chama minha atenção porque muda o ponto de
partida. Em vez de perguntar primeiro onde colocar IA, faz mais sentido
entender o ponto em que operação perde eficiência. Aplicar tecnologia
sobre um fluxo mal estruturado pode
acelerar uma etapa e deixar intacto justamente o gargalo que limita o
resultado.
O mesmo vale para os dados que alimentam
essas soluções. IA consegue acelerar análises e ampliar a capacidade de
execução, mas velocidade não resolve informação pouco confiável,
sistemas desconectados ou falta de clareza sobre o que precisa ser
decidido. Uma resposta mais rápida só tem valor quando ajuda alguém a
tomar uma decisão melhor e agir a partir dela.
Por isso, eu começaria por três
perguntas: qual problema operacional queremos resolver, que mudança
esperamos provocar e como saberemos se ela aconteceu? A escolha da
tecnologia vem depois. E a medição não termina quando a solução entra em
funcionamento, porque o resultado precisa ser acompanhado para que
processo, dados e uso da IA possam ser ajustados.
No fim, talvez essa seja a mudança de perspectiva mais necessária neste momento. Em vez de medir quanto de IA uma empresa já incorporou, deveríamos perguntar o quanto essa IA já conseguiu melhorar a maneira como ela executa suas atividades. É aí que produtividade individual começa a se transformar em resultado para o negócio.
Eliel Mota Eleutério
COO (Chief
Operating Officer) da Genux Consult, Eliel Mota Eleutério possui 18
anos de experiência em tecnologia e serviços financeiros, com atuação em
transformação digital, gestão de produtos e ambientes regulados. Ao
longo da
carreira, liderou times multidisciplinares e iniciativas voltadas à
inovação, experiência do cliente e integração entre objetivos de negócio
e entregas técnicas.
