Unidade Santana da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo Foto: ACS Hospital São Camilo
Cultivar vínculos de amizade fortalece a saúde física e mental
A solidão já é considerada um desafio para a saúde pública. Segundo relatório da Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pelo problema, que está associado a cerca de 100 mortes por hora. Os impactos vão além do bem-estar emocional e incluem maior risco de ansiedade, depressão, declínio cognitivo e outras condições de saúde.
Para a psicóloga Giorgia Ocinschi, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, manter relações de confiança vai além da convivência: é um fator de proteção para a saúde mental, especialmente em uma sociedade marcada pelo aumento das interações virtuais e pela dificuldade de estabelecer conexões profundas.
"A amizade oferece um espaço de acolhimento que ajuda a reduzir a sensação de isolamento. Quando a pessoa encontra alguém com quem pode falar livremente sobre medos, inseguranças e frustrações, ela fortalece sua capacidade de enfrentar situações de estresse e sofrimento emocional. Ter uma rede de apoio não impede que os problemas aconteçam, mas faz com que eles sejam enfrentados de maneira menos solitária", afirma.
Os efeitos positivos das amizades também aparecem no funcionamento do organismo. O apoio emocional e a convivência ajudam a reduzir os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse, favorecem o controle da pressão arterial e fortalecem o sistema imunológico. Além disso, quem conta com uma rede de apoio costuma aderir com mais facilidade a hábitos saudáveis, como praticar exercícios, manter uma rotina de sono adequada e seguir corretamente tratamentos médicos.
Para a especialista, um dos principais desafios da atualidade é não confundir quantidade de contatos com qualidade das relações. "É possível conversar com muitas pessoas todos os dias e, ainda assim, sentir-se sozinho. O que faz diferença é ter vínculos em que exista confiança, escuta e disponibilidade. São essas relações que oferecem suporte quando surgem perdas, mudanças ou situações de sofrimento”, explica.
A psicóloga destaca que manter amizades exige tempo e dedicação, principalmente em um contexto em que boa parte das interações acontecem pelas redes sociais. Ela lembra, porém, que o apoio de amigos não substitui o acompanhamento profissional quando o sofrimento emocional é persistente ou interfere na rotina. Nesses casos, a orientação é procurar ajuda especializada o quanto antes.
Por Fernanda Ventura
