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Psica cruza continentes e leva a Amazônia para China em programação oficial do MinC
Cumprindo sua missão de ir além das fronteiras brasileiras, o Festival Psica integra pela primeira vez a comitiva de artistas e produtores brasileiros selecionados para a Plataforma Música Brasil, dentro da programação oficial do Ano Cultural Brasil–China. A participação acontece a convite do Ministério da Cultura e marca mais um passo do evento na construção de pontes internacionais a partir da cena amazônica.
Ao longo do ano, a agenda do Ano Cultural Brasil–China 2026 reúne ações em música, audiovisual, patrimônio, turismo e inovação, consolidando a cultura como ferramenta estratégica de diplomacia contemporânea e intercâmbio entre Brasil e China.
Durante a missão, o Psica assina a produção do show do mestre Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro no JZ Spring Festival, em Xangai, um dos principais eventos de jazz da Ásia. A ação integra a Plataforma Música Brasil, iniciativa do Ministério da Cultura (MinC), realizada em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério do Turismo (MTur), a Funarte, a Embratur, o Instituto Guimarães Rosa, o Consulado Geral do Brasil em Xangai e a Embaixada do Brasil em Pequim.
“Estamos muito orgulhosos de poder levar a música popular brasileira feita na Amazônia para Xangai. É guitarrada, lambada, brega, carimbó, lá do outro lado do mundo! É muita onda!", celebrou Felipe Cordeiro, e o mestre Manoel Cordeiro complementa: “Essa parceria com o Psica é sensacional, pois ele é um festival que tem esse olhar para a cultura paraense. Com a estrutura deles, chegamos mais longe, e isso nos deixa mais fortes. Só temos a agradecer!”
A apresentação acontece no dia 4 de maio, no Hengshan 8 | Palco Water Tower, às 18h, dentro da programação oficial do festival. No palco, Manoel e Felipe Cordeiro serão acompanhados pelos músicos Camila Barbalho (baixo), Franci Oliver (percussão) e César Augusto (bateria), compondo a formação da banda que leva ao público internacional uma síntese contemporânea da música produzida na Amazônia.
O projeto também conta com patrocínio da Petrobras, Sebrae, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal. A produção executiva é assinada pela Quitanda Soluções Criativas, Instituto Cuidare e Ibero Culturas, com parceria da UNESCO Brasil.
“?O Psica sai da periferia de Belém para integrar uma missão oficial do Brasil na China, e isso é o resultado do reconhecimento do nosso trabalho, do que estamos construindo há muito tempo. E não só a gente, né? Mas de todos os artistas que estão entendendo esse movimento de valorização da música feita na Amazônia. Fazermos parte dessa programação mostra que essa cena tem força, tem consistência e está sendo vista”, afirma Jeft Dias.
Sobre a escolha da curadoria artística, ele comenta: “Levar o Manoel e o Felipe também é uma forma de reverenciar os nossos grandes mestres. O Manoel Cordeiro participou ativamente da construção desse movimento, desde a época da gravação até agora. Ele tem uma linguagem universal, mesmo sendo uma música feita na Amazônia, não tinha como ser outra escolha".
O Projeto
A Plataforma Música Brasil levará à China uma comitiva com mais de 120 profissionais da cultura, incluindo artistas, produtores e agentes do setor, ampliando a presença brasileira no mercado asiático. A programação no JZ Spring Festival reúne nomes consagrados e contemporâneos da música brasileira, além dos já citados, como Ivan Lins, Adriana Calcanhotto, Luedji Luna, Hamilton de Holanda, Jonathan Ferr, Juliana Linhares, Josyara e Josiel Konrad, evidenciando a diversidade estética e geracional da produção musical do país.
“Levar a música amazônica para um dos mercados culturais mais estratégicos do mundo é também um desafio de tradução. Queremos comunicar que a Amazônia também é dançante. A Amazônia é batida, é ritmo. Tem molejo, tem suingue. Isso é universal, isso chega nas pessoas. E, ao mesmo tempo, é algo muito nosso, que vem desse território. A ideia não é mudar isso, é mostrar com força.”, afirma Gerson Dias.
Esse projeto abre portas não só para o festival, mas também para a região Norte: “Esperamos que essa ação se expanda para outros cantos do mundo. Está aqui na China, do outro lado do planeta. E a ideia é que essa música continue reverberando, e chegando em outros espaços. Que abra caminhos não só pra quem está indo agora, mas pra toda essa cena”, complementa Gerson.
Ao longo dos últimos anos, o Psica vem consolidando sua atuação para além do festival, expandindo sua presença como plataforma cultural que articula música, território e impacto social. A participação na programação do Ano Cultural Brasil–China reforça esse movimento e aponta para novas possibilidades de inserção internacional.
Por Malu Bolanho
