Foto: Dander Freitas
Arquitetura é aliada estratégica na valorização de imóveis, em um mercado projetado para crescer até 10% em 2026
Mesmo diante das taxas de juros elevadas, o mercado imobiliário no Brasil continua atraindo investidores na carteira de ativos. A recuperação do setor é um ‘alívio’ para quem planeja investir à médio e longo prazo, prevendo a valorização de até 10% do setor imobiliário no país, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).
No entanto, a plaquinha de ‘vende-se’ têm gerado um “efeito rebote” em habitações residenciais e comerciais. A oscilação na aquisição de casas, lofts e apartamentos têm saltado de preferência, conforme o potencial de valorização e a atratividade do imóvel, especialmente quando o projeto é pensado estrategicamente para venda ou aluguel.
Nesse contexto, a arquitetura tem ganhado espaço quando o assunto é ‘valorização’ dos imóveis. Com a onda de novos consumidores chegando ao mercado imobiliário, os moldes patrimoniais agora passam por um olhar estratégico de profissionais que englobam design, funcionalidade e identidade nas plantas. Com 58% dos jovens da Geração Z, entre 18 e 29 anos, estudando consórcios imobiliários, de acordo com a pesquisa realizada pela Kantar Brasil para a ABAC, os locatários se viram diante de um público mais exigente quando o assunto é moradia.
“Não basta apenas equilibrar o ‘valor médio por m²’ nos municípios, mas entender que o fator ‘atratividade’ afeta na hora do retorno financeiro do imóvel. Por isso, muitos proprietários de imóveis têm buscado profissionais de arquitetura para elevar o potencial retorno de venda desses imóveis”. A explicação é da arquiteta brasileira Rafaela Giudice, que desenvolve uma cartela de projetos que já atende essas especificidades no estado de São Paulo, a exemplo das obras ‘Mini Bold’ e dos projetos ‘Cheio de Bossa’ e ‘Helena’.
Na visão da especialista, os imóveis com foco em ‘investimento’ têm transformado o olhar arquitetônico sobre projetos residenciais. A partir desse fenômeno, a arquiteta conta que é necessário criar uma persona ou público-alvo que guie o desenvolvimento do espaço, pensando tanto no perfil atual, quanto no potencial futuro dos moradores.
“Essas moradias precisam ter personalidade, ser atrativo, funcional, mas ao mesmo tempo, não podem ser opostos à personalidade do cliente. Além disso, é preciso entender qual o melhor ‘programa’ para aquele espaço, o que será mais ‘comercial’, por exemplo: criar um lavabo ou deixar um banheiro de serviço? Ter três quartos ou dois quartos e um closet? Ou dois quartos e um home office? A cozinha compacta, ou uma cozinha completa? Essas decisões de projeto pautam o valor da venda, ou do aluguel, mas precisam sempre estar alinhados ao sentido do cliente”, explica.
Além disso, a especialista explica que o design e a identidade visual do imóvel se tornaram fatores estratégicos para atrair locatários, principalmente em plataformas de curta temporada. “Acredito que mais pessoas estão buscando personalidade. Muitas vezes, elas têm medo de ousar na própria casa e aproveitam estadias curtas para experimentar algo diferente. Ser diferente não significa algo completamente fora da caixa; às vezes é apenas ter coragem de criar algo que se destaque. Isso chama atenção e valoriza o imóvel”, revela;
Por Glaucia Pinheiro
Para Rafaela, o cuidado com o imóvel e a preocupação de mantê-lo como habitação destaque, em meio às oportunidades do mercado, é bem visto na hora de fechar um negócio. “A arquitetura contribui com essa movimentação de diversas formas: desde atingir aquele público que não quer passar por obra e busca imóveis prontos, até quem se envolve no processo de reforma por acreditar que cuidar do espaço com carinho e criatividade gera valor. Esse cuidado é percebido e valorizado na hora da venda ou da locação”, conclui.
