Foto: Divulgação – S do Bem Biotecnologia
Repelente desenvolvido por empresa-filha da Unicamp obtém registro da Anvisa e chega ao mercado em abril
Um repelente que contribua no combate a arboviroses.
Foi com esse desafio que a S do Bem Biotecnologia, empresa-filha da
Unicamp, desenvolveu um repelente de uso corporal, a partir das análises
dos bioativos extraídos por fluído supercrítico da Artemisia annua. O resultado dos estudos, iniciados em 2018, chega agora ao consumidor final por meio de um produto aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que oferece segurança e eficácia comprovadas, otimizadas por nanotecnologia.
O repelente desenvolvido pela empresa graduada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp),
sob gestão da Agência de Inovação Inova Unicamp, se diferencia pela
associação de duas biotecnologias. Esse mecanismo possibilitou o uso de
uma baixa concentração de icaridina na formulação – substância
reconhecida na Anvisa como repelente. A redução foi de 50% e o produto
tem uma eficácia de proteção contra picada de mosquitos por mais de seis horas.
Outro diferencial que resulta dessa associação biotecnológica é que o
repelente age apenas na epiderme, sem que haja absorção sistêmica.
“A substância com ação
repelente não é absorvida pela pele, como acontece com outros
repelentes. Além desse diferencial, o repelente desenvolvido é uma loção
com ação hidratante muito suave e com fragrância natural da planta
Artemísia. Isso traz um impacto muito positivo para a saúde e o
bem-estar, principalmente das pessoas com tendência à sensibilidade,
crianças, lactentes e gestantes”, aponta Soraya El Khatib, CEO fundadora
da S do Bem.
Os testes realizados em laboratório demonstraram que o repelente é eficaz contra três gêneros de mosquitos, responsáveis pela transmissão das principais arboviroses no país: Aedes aegypti, Anopheles e Culex.
“Após oito anos de estudos e
testes, desenvolvemos um produto com potencial para contribuir no
combate às arboviroses. Os dados de infecções e mortes, infelizmente,
são muito significativos no Brasil. Para esse ano, há uma estimativa de 2
milhões de casos de dengue”, comenta Soraya.
Biotecnologia
Além da associação de duas biotecnologias, o desenvolvimento do repelente resulta de um upcycling,
processo que recebe este nome devido ao aproveitamento de uma das
frações residuais obtida no processo de extração por fluido supercrítico
dos bioativos da Artemisia annua. Essa biotecnologia de
extração, limpa, sustentável e sem emissão de CO?, foi desenvolvida em
conjunto com a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, protegida com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp e licenciada para a S do Bem Biotecnologia.
O extrato é utilizado pela empresa para o desenvolvimento de dermofitocosméticos.
A fração residual utilizada para o repelente é um óleo volátil e análises apontaram a presença de bioativos.
“Com essas informações, partimos para o desafio de desenvolver um repelente, aproveitando os bioativos voláteis da Artemisia annua.
Fizemos o nanoencapsulamento do óleo volátil, associamos com a
icaridina nanoencapsulada e realizamos uma série de estudos e testes
para chegarmos à menor concentração possível, segura e eficaz de
icaridina”, conta Soraya. “Além de não ser absorvido pela pele, o repelente ainda tem ação de hidratação, graças à riqueza dos bioativos da planta que são importantes para a saúde da pele”, acrescenta.
O processo para desenvolvimento do repelente teve início a partir da aprovação de um projeto submetido à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que em conjunto com a Financiadora de Estudos e Projeto (FINEP), oferece apoio financeiro a pequenas empresas paulistas que já desenvolveram tecnologias e buscam introduzi-las no mercado.
Sobre a S do Bem Biotecnologia
Atualmente, a empresa está em processo de reestruturação
estratégica da marca, para atender à ampliação das atividades. A S do
Bem Biotecnologia nasceu como S Cosméticos do Bem, em 2011, passou pelo
processo de incubação na Incamp e graduou-se em 2020. Hoje, ela tem o
selo da empresa-filha da Unicamp, além de vários prêmios conquistados,
entre eles, o de Pessoa Empreendedora do Ano, conferido à El Khatib na edição de 2021 do Prêmio Empreendedores da Unicamp, organizado pela Inova Unicamp.
Sobre a Inova Unicamp
A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova
Unicamp), criada antes da Lei de Inovação, atua desde 2003 como o único
Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade, responsável pela proteção dos ativos de propriedade intelectual da Unicamp e pela proteção dos interesses da Unicamp em acordos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) firmados com empresas e instituições e nas transferências de tecnologias da Universidade.
Também é responsável por promover a comunicação e cultura de inovação e empreendedorismo, pelo apoio na criação de empresas spin-offs acadêmicas, pelo mapeamento de empresas-filhas da Unicamp e pela gestão do Parque Científico e Tecnológico e da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp).
Fonte: Inova Unicamp / Por Véronique Hourcade – S do Bem Biotecnologia
