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Presidente da Autistas Brasil chega à China para missão institucional voltada à cooperação internacional em inclusão
O presidente da Autistas Brasil, Guilherme de Almeida, está na China desde o início de janeiro, onde cumpre uma missão institucional que marca um novo passo na consolidação da atuação internacional da entidade. A agenda, que se estende até o dia 14 de janeiro, tem como foco o fortalecimento de ações globais multilaterais voltadas à promoção dos direitos das pessoas autistas e das pessoas com deficiência.
No dia 8 de janeiro, Guilherme de Almeida participou de uma reunião na Embaixada do Brasil na China, onde apresentou a atuação da Autistas Brasil ao ministro-conselheiro Rafael Leme e à diplomata Bárbara Policeno, chefe do Setor de Diplomacia Pública, Imprensa e Cultura da representação brasileira no país. Durante o encontro, os diplomatas demonstraram entusiasmo com o trabalho desenvolvido pela entidade e se comprometeram a apoiar e encampar uma aproximação institucional entre a Autistas Brasil e organizações chinesas com atuação na área da deficiência e da inclusão.
A iniciativa dá continuidade a uma trajetória internacional considerada pioneira no campo da neurodiversidade. A Autistas Brasil mantém cooperação institucional com o Stanford Neurodiversity Project, referência mundial na produção de conhecimento, formulação de políticas públicas e desenvolvimento de práticas inclusivas no ensino superior e no mercado de trabalho. A parceria posicionou a entidade brasileira entre as poucas organizações do Sul Global integradas, de forma estruturada, a redes internacionais de excelência nessa área.
Além dessa cooperação acadêmica, a atuação internacional da Autistas Brasil também se consolidou por meio de sua participação em fóruns multilaterais de alto nível. Em 2025, a entidade esteve presente em um evento global promovido pelas Nações Unidas, em Andorra, e no Global Disability Summit, realizado em Berlim, um dos principais encontros internacionais voltados à formulação de políticas públicas e compromissos globais em deficiência.
A partir dessa experiência, a associação passou a expandir novas frentes de cooperação internacional, orientadas pelo compromisso com o multilateralismo, a circulação horizontal de saberes e a construção de respostas globais baseadas em direitos humanos. A missão à China se insere nesse movimento estratégico de ampliação de parcerias, agora com instituições asiáticas e organizações com atuação consolidada em políticas de deficiência.
A agenda institucional no país inclui diálogo e aproximação com a China Disabled Persons’ Federation (CDPF), principal entidade de representação institucional das pessoas com deficiência na China, além de organizações da sociedade civil e fundações como o One Plus One Group for Disability, a Beijing Xinmu Disability Assistance Foundation e iniciativas internacionais como a Humanity & Inclusion. Também estão previstas visitas a instituições chinesas para a troca de estratégias, metodologias e abordagens relacionadas à inclusão, educação e políticas públicas em deficiência.
A cooperação proposta envolve o intercâmbio de experiências sobre governança institucional e políticas públicas em deficiência, o diálogo técnico sobre educação inclusiva, ensino superior e inclusão no mercado de trabalho, além do compartilhamento de abordagens acadêmicas, jurídicas e sociais relacionadas ao paradigma da neurodiversidade, à justiça cognitiva e ao reconhecimento da diferença como valor estruturante das políticas públicas.
Para Guilherme de Almeida, a missão reforça a importância de construir respostas globais a partir do diálogo entre diferentes realidades.
“Os desafios da inclusão são globais e não podem ser enfrentados a partir de um único eixo cultural ou político. A aproximação com instituições chinesas fortalece o multilateralismo, amplia a cooperação Sul–Sul e contribui para a construção de políticas públicas baseadas em direitos humanos, rigor técnico e respeito à diversidade humana”, afirma o presidente da Autistas Brasil.
Com a ampliação de sua presença internacional, a Autistas Brasil reafirma o compromisso com uma atuação ética, técnica e orientada por direitos humanos, voltada à construção de redes multilaterais, à produção de referências com impacto global e ao fortalecimento de uma agenda internacional de inclusão fundada na cooperação e na valorização da diversidade.
Sobre a Autistas Brasil
Organização nacional fundada e liderada por pessoas autistas, a Autistas Brasil atua na formulação de políticas públicas, na incidência jurídica e no desenvolvimento de programas educacionais em larga escala. Nos últimos três anos, suas ações alcançaram mais de 21 mil educadores em todo o país, consolidando a instituição como referência em inclusão, neurodiversidade e direitos humanos.
Por Myllena Reis
