
Gaby Amarantos e Rock Doido: O Filme - A invenção sonora
Gaby Amarantos traz ao mundo Rock Doido: O Filme, um projeto que não se explica, se sente. É um álbum com 22 músicas e um filme de 21 minutos que queima com a intensidade das pirotecnias de uma festa, de um transe coletivo, de um Brasil que nunca soube ser pouco, porque sempre soube que merece muito. Gravado em Belém do Pará, o curta-metragem é uma verdadeira revisão da música brasileira, mostrando que o som que nasce no Norte não precisa de intermediários: ele é uma força nacional. Com diferencial marcante, filmado em uma só tomada, a obra é um espetáculo de fôlego contínuo, onde Gaby vai passando por diversos cenários, envolvendo o espectador em uma viagem imersiva.
Tudo começou na Florentina, uma casa de shows em Belém, onde o momento mais frenético da festa, pirotecnia, fumaça, batidas e histeria, fez Gaby olhar tudo com outros olhos. “Minha equipe estava paralisada. Eu sabia que tínhamos algo maior ali”, conta. Foi nesse instante que ela decidiu transformar toda essa energia em um projeto que pudesse condensar a alma de uma região inteira, mas que transborda para o Brasil e para o mundo.
O mercado musical chama de tendência o que as aparelhagens já fazem há décadas: faixas curtas, intensas e incendiárias. É nesse terreno fértil que o gênero cresce e ganha força. Rock Doido não é apenas música, nem apenas imagem, mas é uma experiência no universo tecnobrega. Essa reinvenção coloca o ritmo não como algo datado ou regional, mas como uma estética sonora atemporal e global, conectada diretamente à força criativa do Brasil.
Este álbum é uma obra visceral, um projeto concebido como uma narrativa ininterrupta, idealizado para ser experienciado por completo, à maneira dos sets dos DJs de aparelhagem. Por meio dele, Gaby formula uma expressão artística que canaliza a essência de Belém, representada como uma “grande maniçoba Cultural”, onde múltiplas referências se fundem e germinam. Transformando tradições, celebrações populares, manifestações de fé e paisagens urbanas em arte, o disco sintetiza uma pluralidade que transcende fronteiras. Inspirado na sofisticação conceitual de Beyoncé, especialmente evidenciada em Renaissance (2022), o trabalho renova e eleva as influências que o moldaram, consolidando-se como uma obra de profundo impacto cultural e estético.
Gaby comanda essa festa cercada de convidados que transformam Rock Doido: O Filme em uma celebração única. Ela transita entre palcos, bares, festas e encontros em movimento constante, promovendo colaborações que destacam a diversidade extraordinária do projeto. Em cada cena, os encontros ganham singularidade: Viviane Batidão entrega intensidade com a poderosa “Te Amo, Fudido”, onde a batida paraense encontra sua essência mais vibrante. Lauana Prado surge calma e profunda, sentada com seu violão em uma mesa de bar, trazendo emoção sincera com “Não Vou Chorar”. Gang do Eletro conduz ao êxtase com “Tumbalatum”, fazendo as batidas do tecnobrega invadirem o espaço como um convite irresistível para dançar, enquanto MC Dourado entra como um furacão, transformando “Cerveja Voadora” em um espetáculo de luzes e fogos de artificio.
A dinâmica fluida do filme transforma cada momento em uma conexão. Gaby Amarantos e seus convidados constroem juntos um retrato do Pará que pulsa, grita,dança e ocupa seu espaço como uma representação autêntica da força cultural brasileira. Essa força não precisa pedir licença. Assim como o samba e o sertanejo se espalharam pelos quatro cantos do país como símbolos da identidade brasileira, o Rock Doido chega para ocupar seu espaço como mais uma peça desse quebracabeça cultural que define o Brasil. Afinal, músicas como as que vêm do Pará nunca foram apenas locais, elas são nacionais desde sempre. No final, Rock Doido: O Filme não é apenas sobre música ou imagem. É sobre a reafirmação de que nossa nação é exagerada, vibrante, autêntica e absolutamente impossível de conter. Em seu projeto inovador, Gaby Amarantos prova que o Norte não precisa de intermediários para ser gigante. Ele simplesmente é.
O lançamento oficial acontece a partir de 28 de agosto, às 23h40, com a estreia do curta-metragem no perfil oficial do YouTube. E, na sequência, logo após a virada para o dia 29, o álbum completo estará disponível para ouvir, trazendo a energia e intensidade do projeto para todos os fãs. Então, prepare os graves, aumente o volume e ouça com toda a potência o fenomeno que a aparelhagem do Norte merece!
Por Telma Cascello