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Lideranças do setor de Óleo e Gás devem se preparar para transição energética
O mercado de Óleo e Gás está voltando a crescer, principalmente no estado do Rio de Janeiro. Segundo levantamento anual da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), houve um crescimento de 33% no número de novos poços destinados ao processo de produção de petróleo e gás em 2023, com destaque para a Bacia de Campos. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), só as petroleiras instaladas no país devem desembolsar cerca de US$ 2 bilhões na exploração de cerca de 40 poços no Brasil nos próximos anos. As licitações recentes de blocos exploratórios têm aquecido o setor, o que tem impulsionado novas movimentações de mercado em termos de vagas e alta demanda por líderes, analisa o Grupo Hub, consultoria de RH com soluções de recrutamento e seleção e desenvolvimento de pessoas, com 10 anos de atuação no mercado, atendendo clientes como Teekay, Repsol, CHC e Viridien (ex-CGG).
“As atividades exploratórias irão consumir de 80% a 90% deste montante de US$ 2 bilhões e, com isso, setores como o de Perfuração, por exemplo, acabarão se destacando na cadeia de valor da indústria. Os executivos que lideram as empresas desta vertical estão sendo muito disputados no mercado. As organizações que não se blindarem, vão acabar perdendo talentos”, afirma Rafael Meneses, diretor da regional Rio de Janeiro do Grupo Hub e da unidade de negócio Top Executive.
Gabrielle Botelho, diretora de RH da Viridien, líder mundial em Geociência e que atende as principais empresas do setor em mais de 40 países, afirma que existe um otimismo no mercado que já está se refletindo nas contratações de profissionais. “Em 2023, abrimos vagas técnicas e de liderança e, para 2024, a expectativa é dobrar esse número, acompanhando o crescimento e as novas oportunidades no setor de Óleo e Gás”.
De acordo com Rafael, que chegou este mês ao Grupo Hub para reforçar a atuação da empresa no estado do Rio, o mercado de Óleo e Gás tem exigido atuação multidisciplinar dos seus executivos, demandando perfis que, para além da excelência técnica, sejam capazes de contribuir com visões estratégicas mercadológicas de longo prazo. Rafael observa que, embora a nova CEO da Petrobras, Magda Chambriard, tenha afirmado que a prioridade de sua gestão será acelerar a atividades de exploração de petróleo para repor as reservas da estatal ao longo dos próximos anos, a transição energética gradativa para fontes de energia “mais limpas” já é exigida no mundo inteiro e deve estar na agenda de todo executivo.
“Já vivemos uma obrigatória transição energética para fontes de energia ‘mais limpas’ (como solar e eólica, por exemplo), e a forma como todos passam a pensar a produção e o consumo de energia vira de ponta à cabeça. Com isso, a pergunta que fica para os líderes deste mercado é: como manter seu negócio relevante e competitivo no longo prazo, se o curso da matriz energética vive esta transformação? E como o próprio executivo pode se manter relevante diante deste cenário? Não existe somente uma resposta para uma questão tão complexa, mas é inegável que pensar estrategicamente sobre estes movimentos já é mais do que vital”, frisa.
Anna Paula Lougon, diretora de Desenvolvimento de Novos Negócios da Viridien, corrobora. Ela diz que, além da experiência técnica, a empresa tem buscado profissionais com conhecimento do mercado e de negócios. “Essa necessidade levou a um aumento na contratação de gerentes de projetos, diretores de operações e outros executivos que possuam um conhecimento aprofundado das dinâmicas regionais e do setor de Óleo e Gás”, afirma. “Além de termos que lidar com as flutuações na parte de exploração, devido a processos de licenciamento que são muito morosos, por exemplo, temos a pressão crescente para reduzir as emissões de carbono. E como parte de nosso processo de melhor contínua, buscamos eficiência energética e operacional constante. Este cenário, além de desafiador, traz muitas oportunidades de desenvolvimento e crescimento profissional. E quem quiser alcançar altos patamares nesta carreira terá que trabalhar sua capacidade de adaptação às novas tecnologias e práticas de sustentabilidade”, conclui.
Liderança humanizada
Outro grande desafio para as novas lideranças do setor, segundo Rafael, é a sua necessária humanização em um universo considerado extremamente técnico. “A atividade precisa de um líder que particularize as abordagens junto aos liderados e até mesmo valorize as diferenças entre eles, não só garantindo o resultado que eles entregam no curto prazo, como também os preparando para posições de liderança futuras. Como exemplo prático, este é um grande desafio dos gestores das grandes embarcações ou plataformas de perfuração de poços que, muitas vezes, funcionam como verdadeiras cidades isoladas dos continentes”.
Para Rafael, estes profissionais estão o tempo todo expostos a um cenário de pressão por resultados, exercendo atividades que demandam nível de precisão altíssimo, ao longo de semanas seguidas sem que se possa acessar espaços na natureza para equilibrar o estresse. “Diante de todos estes desafios, o papel da liderança passa ser mais importante do que em outros negócios que operam em condições normais de temperatura e pressão. A gestão das emoções é crucial”, reforça.
Sobre o Grupo Hub:
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Fundado em 2014 enquanto consultoria de Recursos Humanos, o Grupo Hub cresceu e hoje desenvolve soluções one stop shop para Recrutamento e Seleção, desenvolvimento e tecnologia, com a missão de conectar empresas com os melhores talentos. Partindo da premissa de que a contratação está comoditizada, o Grupo se destaca na preocupação com as pessoas do início ao fim do processo, reconhecendo as diferenças entre as gerações e o potencial de cada uma para impulsionar a performance das empresas. Com alto nível de flexibilidade, desenvolveu uma metodologia consultiva escalável que ao longo de 9 anos já atendeu 400 companhias, alcançou 282 mil candidatos entrevistados e quase 9 mil posições trabalhadas, com 99,5% de assertividade, índice de recompra do cliente de 90% e NPS de 98%. Em seu portfólio, estão grandes marcas como Natura, Itaú, iFood, Stellantis e Vale.
Por Joana Negri
