Foto: Divulgação – Laboratório GEM
Laboratório da Unicamp usa impressão 3D para miniaturizar análises químicas
Identificar e medir o que existe em uma amostra, seja um simples
íon de sódio ou moléculas de DNA, é o ponto de partida de boa parte da
química analítica. No Grupo de Eletroforese e Microssistemas de Análise
(GEM), do Instituto de Química (IQ)
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), essa tarefa vem sendo
aprimorada cada vez mais com o uso de instrumentos próprios,
principalmente dispositivos produzidos em impressoras 3D.
Liderado pelos professores Dosil Pereira
de Jesus e José Alberto Fracassi da Silva, o grupo recebeu a visita do
InovaLab, programa de conexão da Agência de Inovação Inova Unicamp com
os laboratórios da Universidade.
A equipe da Inova Unicamp conheceu as linhas de pesquisa e os equipamentos do laboratório, e discutiu com o Grupo oportunidades de parceria com o setor industrial e de proteção da propriedade intelectual (PI) desenvolvida pelo grupo e de geração de empresas spin-offs (que são criadas a partir de pesquisas, conhecimentos ou tecnologias desenvolvidos na Universidade, protegidos ou não por PI).
Da eletroforese ao laboratório em um chip
A missão do GEM é tornar as análises
químicas mais rápidas, eficientes e portáteis por meio do
desenvolvimento de sistemas analíticos microfluídicos, que operam com
pequenos volumes de líquido. O grupo emprega técnicas de impressão 3D
multimateriais de alta resolução, que, segundo os pesquisadores, vêm
transformando o desenvolvimento de dispositivos analíticos.
As pesquisas também abrangem a
eletromigração e a eletroforese capilar, técnicas que separam compostos
com o auxílio de um campo elétrico, além de nanotecnologia,
instrumentação analítica, detecção eletroquímica e fluorescente e
sistemas
de análise miniaturizados, conhecidos como ?-TAS (sigla em inglês para
sistemas de análise total miniaturizados) ou lab on a chip (laboratório em um chip).
O trabalho do GEM pode ser acompanhado no Instagram gemunicamp.
Uma técnica para separar quase tudo
A eletroforese capilar, base do trabalho
do GEM, por exemplo, separa os componentes de uma amostra dentro de um
tubo fino, de sílica ou vidro, preenchido com uma solução. Quando se
aplica uma diferença de potencial, que chega a 30 mil volts nos
equipamentos montados pelo grupo, as partículas com carga elétrica se
deslocam em velocidades diferentes. Um detector posicionado no tubo
registra sinais proporcionais à concentração de cada substância.
A versatilidade é o principal trunfo. A
técnica alcança íons inorgânicos e orgânicos, metabólitos, pesticidas,
proteínas, DNA e até células. “A gente consegue calibrar o sistema e
fazer a quantificação de quanto tem de determinada
substância de interesse nas amostras”, explica Fracassi da Silva.
Da sala limpa à impressora 3D
O GEM nasceu em 2004, com a proposta de
desenvolver instrumentação e métodos para eletroforese e microssistemas
de análise. Esses microssistemas reúnem, em uma única peça, o preparo da
amostra, a separação e a detecção. No início, eram
fabricados em silício e vidro, com técnicas semelhantes às usadas na
produção de circuitos integrados.
Hoje, a maioria dos dispositivos é
produzida no laboratório por impressoras 3D. “Deixamos de lado as
estruturas de sala limpa, que são caras. Nelas, qualquer alteração no
dispositivo exige reiniciar todo o processo”, explica o professor
Fracassi da Silva. “Já na impressão 3D, basta ajustar o software em
poucos minutos e recomeçar”.
O laboratório reúne cerca de 15 pessoas,
entre pós-graduandos, bolsistas e técnicos. Além de sistemas comerciais
de eletroforese capilar, conta com dois equipamentos montados pela
própria equipe, microscópio óptico com fluorescência e fontes
de alta tensão. O grupo também participa da estruturação de um centro de
impressão 3D no Instituto, que deverá atender pesquisadores e alunos
interessados em desenvolver pequenos dispositivos de análise.
Patentes e uma spin-off no Parque da Unicamp
Os dispositivos desenvolvidos no GEM
possuem elevado potencial comercial. Fracassi da Silva cita as fitas de
teste de glicose como exemplo de sensor ajustável a outros metabólitos e
ao monitoramento ambiental. “Na grande maioria dos casos, é
possível vislumbrar a geração de invenções com aplicação industrial”,
destaca.
O grupo já tem patentes depositadas com
suporte estratégico da Inova Unicamp, que é o Núcleo de Inovação
Tecnológica (NIT) da Universidade. A mais recente protege um sistema de
impressão 3D com múltiplos materiais. “Quando eu cheguei na
Unicamp, há mais de duas décadas, a Inova já existia, e eu me surpreendi
com o apoio e facilidade para depositar uma patente desenvolvida na
Universidade”, lembra o professor.
Um dos inventores dessa patente, o
egresso da Unicamp Reverson Fernandes Quero, orientado por Dosil Pereira
de Jesus, é fundador da startup Polaris. A empresa-filha da Unicamp atua com microfluídica e impressão 3D e está instalada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.
InovaLab visita o GEM
Fracassi da Silva soube do InovaLab
durante uma reunião na Agência de Inovação da Unicamp e inscreveu o
laboratório logo em seguida. Para ele, receber a equipe no próprio
espaço muda a conversa. “É diferente de ir ao escritório da Inova e
explicar com um jargão técnico. Aqui, no laboratório, os profissionais
da Agência veem na prática o que está sendo feito e trabalham com
potenciais parcerias que a gente mesmo, às vezes, não visualiza”,
avalia.
Segundo o pesquisador, empresas de instrumentação estão entre as parceiras com maior afinidade com o trabalho do grupo.
As empresas interessadas em desenvolver
projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) com o
laboratório podem procurar a Inova Unicamp pela página Conexão Pesquisa e Mercado. Tecnologias protegidas da Universidade disponíveis para licenciamento estão no Portfólio de Tecnologias da Unicamp.
