Psicólogo, Mestre em Psicologia e escritor Vladimir Nascimento / Foto: Arquivo O Candeeiro
ARTIGO - RAÍZES HISTÓRICAS = Por Vladimir Nascimento
É comum pessoas desprezarem a importância de se visitar um museu ou ignorar importantes monumentos e símbolos antigos, rebaixando-os como meros objetos ou artefatos obsoletos, sem utilidade. Mas, como podemos entender o presente, e planejar o futuro sem ao menos conhecermos nossas raízes históricas? Como contribuir na construção de um mundo mais justo sem entender a história da vida e da humanidade, com suas diversas formas de expressões culturais e religiosas?
A imensa engrenagem da máquina mundial da qual fazemos parte, não se move aleatoriamente, mas é direcionada pelas alavancas das construções históricas, alimentadas pelo valiosíssimo combustível cultural.
Assim sendo, as peças que hoje estão preservadas nos museus ou nas ruínas de uma antiga Catedral são memórias de um povo, de um tempo que serviu para direcionar o caminho que estamos vivenciando agora. Um exemplo muito comum da importância dessa “volta ao passado” é a visita às Casas-grandes e Senzalas espalhadas pelo Brasil. Impossível não entrar nessas antigas construções do Brasil Colônia, sem lembrar dos elevados níveis de intolerância, desrespeito à humanidade, e atrocidades contra mulheres, idosos e crianças negros e indígenas. Como entrar nas antigas senzalas e não se compadecer com a lembrança das enxurradas de sangue naquele solo, através dos castigos públicos dos algozes contra outros seres humanos, apenas por causa da cor de pele diferente?
Quando se fala que a educação é o início da mudança de uma nação, não é apenas um clichê. Quem frequenta museus, bibliotecas, monumentos, ouvem relatos de memória, desde cedo tem possibilidade de entender que nossos antepassados padeceram, mas também lutaram para que o mundo de hoje fosse um lugar melhor para se viver. E é nossa obrigação resgatar essas memórias, reanalisar nossas concepções sobre a vida, e transmitir esses legados aos nossos filhos para evitar que males do passado tornem-se a repetir.
Há um provérbio sábio muito comum que diz que “a árvore se conhece pelos frutos”. Fazendo uma analogia com nosso tema, podemos entender perfeitamente que, uma cidade cujos mecanismos de interação com o passado (museus, bibliotecas, símbolos históricos) estejam desprezados e arruinados é prova não apenas de indiferenças com os esforços e memórias dos nossos ancestrais, mas também de insensibilidade com as gerações atuais e menosprezo com as que virão.
Vladimir de Souza Nascimento
Psicólogo, mestre em Psicologia (UFBA), escritor e Palestrante.
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