Foto: Divulgação
Mirela França leva “(em) carne viva” ao Quinta da Casa em diálogo com o pensamento de Nêgo Bispo
No dia 17 de setembro, às 20h, a bailarina Mirela França faz apresentação única do espetáculo (em) carne viva no Teatro Cambará da Casa Rosa. Primeiro solo da artista potiguar radicada na Bahia, a obra se inspira no pensamento contracolonial do mestre Nêgo Bispo e transita entre espetáculo de dança e palestra-performance. Os ingressosestão a venda pelaplataforma Sympla
e custam R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira).
Idealizada, dirigida e interpretada por Mirela França, e desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação Profissional em Dança da Universidade Federal da Bahia (PRODAN/UFBA), (em) carne viva também conta com a colaboração de duas artistas baianas: Milena Pitombo, na iluminação, e Andrea Martins, na trilha sonora.
“Na universidade, onde, via de regra, a teoria é mais valorizada do que a prática, Nêgo Bispo me ajuda a pavimentar um caminho em que a dança, enquanto saber encarnado, se apresenta como principal linguagem de um trabalho acadêmico de uma pessoa como eu, que tem a vida profissional marcada pela prática da dança", explica a bailarina.
Em cena, Mirela questiona sua formação predominante em balé clássico e parte de experiências autobiográficas para retratar alguns aspectos do imaginário brasileiro. A bailarina ironiza estereótipos e ressignifica comentários descabidos que marcam seu êxodo artístico por cinco estados de três diferentes regiões do país.
“Eu sou uma artista da dança nordestina migrante e ele [Nêgo Bispo] fala, por exemplo, que, além do colonialismo universal, existe um colonialismo de submissão que, segundo ele, marca a relação subserviente que o Nordeste institucionalizado possui com o Sul e o Sudeste", aprofunda-se Milena.
Como pessoa branca no Brasil e, orgulhosamente, mulher nordestina, a artista reflete sobre a responsabilidade de sua presença e de seu fazer em um sistema patriarcal e elitista, alimentado pela colonialidade. (em) carne viva também questiona a ideia de progresso quando ela se transforma em uma corrida que atropela pessoas e grupos sociais pelo caminho. Na dança do desenvolvimento, especialmente nesta terra, é crucial ressaltar que grupos sociais específicos sucumbem primeiro.
A cena propõe um encontro com o público a partir da interatividade e de estados de presença e reflexão. Ao acentuar suas origens nordestinas, (em) carne viva tensiona, sem deixar de aproveitar, uma sólida formação em balé clássico, enquanto as experiências autobiográficas se entrelaçam a cenas que dialogam com o imaginário nacional.
Sobre o Quinta da Casa
O Quinta da Casa busca fortalecer as trajetórias artísticas com potência e capacidade de marcar uma nova geração. Realizado no Teatro Cambará da Casa Rosa, sala cênica de múltiplo formato com capacidade de público para até 80 (oitenta) pessoas sentadas, o projeto oferece a talentos a oportunidade e toda a estrutura para difundir suas produções.
Após uma edição de sucesso em 2025, viabilizada através do Edital Gregórios – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (FGM), a Associação Viração, mantenedora da Casa Rosa, garantiu a continuidade desta iniciativa em 2026, apoiando a produção artística local.
Ficha técnica
Direção, criação e interpretação: Mirela França
Produção musical e trilha sonora: Andrea Martins
Desenho e operação de luz: Milena Pitombo
Orientação artística (Incubadora, Junta Festival): Mariana Pimentel
Produção: Pedro Silveira
QUINTA DA CASA APRESENTA: (em) carne viva, de MIRELA FRANÇA
Quando: quinta-feira, 17 de setembro de 2026, pontualmente às 20h
É proibida a entrada após o início do espetáculo
Onde: Teatro Cambará da Casa Rosa
(Praça Colombo, 106 – Rio Vermelho – Salvador, Bahia)
Quanto: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada). Vendas pela plataforma Sympla
Por Maria Marques
