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Maturidade digital aparece no que a empresa consegue medir após automatizar
A automação pode reduzir o tempo de uma
atividade e, ao mesmo tempo, aumentar o número de exceções que precisam
ser tratadas manualmente. Também pode acelerar uma etapa sem eliminar
gargalos nas fases seguintes ou gerar resultados que exigem
conferências e correções frequentes. Nesses casos, considerar apenas
velocidade ou volume cria uma visão incompleta do impacto da tecnologia.
“Uma automação não pode ser considerada
bem-sucedida apenas porque executa uma tarefa mais rapidamente. É
preciso observar se ela reduziu o problema que justificou o projeto, se o
resultado se mantém ao longo do tempo e se surgiram novas
exceções ou riscos para a operação. A medição é o que permite
transformar implementação tecnológica em aprendizado para a empresa”,
afirma Rodrigo Cabot, Gerente de Desenvolvimento de Negócios, Alianças e
Estratégia Tecnológica da
Ecosistemas Global.
O Relatório de Tendências em Automação
Inteligente 2026, elaborado pela companhia, aponta que as organizações
mais avançadas automatizam processos de ponta a ponta, integram
inteligência artificial (IA), dados e automação, mensuram o impacto no
negócio e mantêm a tecnologia alinhada à estratégia. O estudo também
alerta que automatizar fluxos ineficientes não reduz custos, mas amplia
problemas já existentes.
A dificuldade de acompanhar os resultados
também aparece no Índice de Transformação Digital Brasil 2025,
elaborado pela PwC Brasil e pela Fundação Dom Cabral. No estudo, a
existência de indicadores de sucesso para projetos de transformação
digital recebeu nota média de 3,1, em uma escala de 1 a 6. O resultado
indica que, mesmo com o avanço da adoção tecnológica, estruturar
critérios para avaliar seus efeitos ainda é um ponto frágil nas
organizações.
Nesse acompanhamento, a produtividade é
uma das métricas mais imediatas: “Indica se a companhia passou a
produzir mais com os mesmos recursos ou a executar uma atividade em
menos tempo”, explica Rodrigo Cabot. “A eficiência mostra se essa
melhora veio acompanhada de menor consumo de recursos, menos etapas e
melhor aproveitamento da operação. Já o time-to-market, ou tempo necessário para colocar um produto, serviço ou melhoria no mercado, ajuda a verificar se a tecnologia
realmente acelerou a capacidade de resposta do negócio”, completa.
O relatório da Ecosistemas Global também
relaciona a automação inteligente à liberação de fluxo de caixa. Na
prática, esse indicador permite avaliar se a redução de custos ou de
esforço operacional gerou recursos que podem ser direcionados a
outras prioridades da empresa. A competitividade, por sua vez, é uma
medida mais ampla, envolve a capacidade de responder mais rapidamente ao
mercado, adaptar processos e sustentar ganhos ao longo do tempo.
Esses indicadores precisam ser
complementados por métricas ligadas ao funcionamento cotidiano da
solução. Entre elas estão a quantidade de erros e retrabalhos, o volume
de exceções que continuam dependendo de intervenção humana, a
estabilidade da
tecnologia e seu efeito sobre as etapas seguintes.
“Os parâmetros, portanto, não devem aparecer apenas no relatório final do projeto. Eles precisam fazer parte do funcionamento da solução, permitindo que as equipes acompanhem desvios, investiguem causas e atualizem o processo conforme novas necessidades surgem”, conclui o executivo.
Por Mariana Sales
