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Infarto antes dos 40: por que casos em adultos jovens estão crescendo e preocupando médicos
O infarto agudo do miocárdio, historicamente associado a pessoas de idade mais avançada ou com problemas crônicos de saúde de longa data, tem mudado de perfil. Cada vez mais, os hospitais e consultórios médicos registram a chegada de pacientes com menos de 40 anos sofrendo com crises cardíacas agudas. Esse crescimento na incidência entre adultos jovens tem acendido o sinal de alerta entre os especialistas da área cardiovascular.
De acordo com o cardiologista Dr. Ricardo Ferreira da Silva, a ideia de que a juventude funciona como um "escudo protetor" contra problemas graves no coração ficou no passado. “Antigamente, atender um paciente na faixa dos 20 ou 30 anos com infarto era uma grande exceção. Hoje, infelizmente, essa realidade mudou muito devido à deterioração precoce dos hábitos de vida”, explica o médico.
O especialista aponta que o aumento de casos nessa faixa etária está diretamente ligado à combinação de fatores de risco modernos. O estresse crônico, a rotina de trabalho exaustiva (que muitas vezes leva ao burnout), o sedentarismo, a má alimentação rica em ultraprocessados e a obesidade infantil e juvenil criam o cenário perfeito para o desenvolvimento precoce de placas de gordura nas artérias.
Além disso, novos hábitos comportamentais têm acelerado esses danos. O uso de vapes, populares entre os mais jovens, é um forte agravante. “Muitos acreditam que o cigarro eletrônico é inofensivo, mas ele contém nicotina concentrada e outras substâncias químicas que causam inflamação e lesões diretas nas paredes das artérias, além de contrair os vasos sanguíneos e elevar a pressão arterial imediatamente”, adverte o Dr. Ricardo.
Um dos maiores desafios no manejo do infarto em pacientes jovens é o atraso no diagnóstico provocado pela negligência dos sintomas. Por acreditarem que são novos demais para ter um problema cardíaco, muitos ignoram sinais clássicos como dor ou aperto no peito que irradia para os braços ou mandíbula, falta de ar inexplicável, suor frio e náuseas, confundindo-os com crises de ansiedade ou dores musculares provocadas pelos treinos.
Para mudar esse cenário, a prevenção deve começar o quanto antes. O Dr. Ricardo Ferreira da Silva reforça que o histórico familiar de doenças cardíacas também exige uma atenção redobrada desde cedo. “A melhor estratégia é realizar avaliações médicas de rotina e exames de sangue preventivos para controlar o colesterol e a glicose. Cuidar do coração não é uma preocupação para o futuro, é uma atitude que deve ser tomada no presente, independentemente da idade”, conclui.
Dr. Ricardo Ferreira Silva
Dr. Ricardo Ferreira Silva é graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018.
Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.
Por Thierre Silva
