O check-up oftalmológico de rotina é essencial na prevenção e no diagnóstico das doenças oculares (Imagem: Freepik)
Abril Marrom alerta população sobre doenças que podem causar cegueira
Cerca de 285 milhões de pessoas no mundo têm a visão prejudicada, sendo que a maioria dos casos poderiam ser evitados - entre 60% e 80%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). E é dentro deste contexto que surgem ações de conscientização como a campanha nacional Abril Marrom, que tem o objetivo de alertar a população a respeito da prevenção e do combate às principais causas de cegueira. Na Bahia, a Opty Rede Integrada abraça a causa e reforça a importância do acompanhamento oftalmológico em todas as idades. A título de curiosidade, o marrom foi escolhido por ser a cor da íris (região mais visível e colorida dos olhos) da maior parte dos brasileiros.
Carla Cordeiro Vita, oftalmologista do DayHORC – unidade que integra a Opty em Salvador, conta que o glaucoma é uma doença que deve afetar 111,8 milhões de pessoas mundo afora em 2040, segundo projeção da OMS. “Trata-se de uma doença degenerativa que danifica as células do nervo óptico progressivamente, sem cura, mas que pode ser controlada. É mais comum o diagnóstico da doença após os 40 anos de idade, que tem como principal fator de risco o aumento da pressão intraocular, mas o histórico familiar, a miopia elevada e o diabetes também devem ser considerados fatores de risco. Além disso, pessoas negras têm maior predisposição. Atualmente, o Brasil tem aproximadamente 900 mil pessoas com o diagnóstico de glaucoma”, detalha a profissional.
Outra patologia ocular que pode levar à cegueira é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Segundo o oftalmologista Murilo Barreto, da OftalmoDiagnose - outra clínica da Opty na Bahia, a DMRI é uma doença crônica, progressiva, que ocorre na parte central da retina chamada mácula, e que leva à perda gradual da visão central. “Ela é a principal causa de perda visual em idosos nos países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento como o Brasil, a importância da DMRI vem crescendo rapidamente, somando-se a outras causas de cegueira mais prevalentes como catarata, retinopatia diabética e glaucoma. Dados da OMS apontam que cerca de 30 milhões de pessoas no mundo têm DMRI. Ainda que condições ambientais, alimentação, tabagismo e predisposição genética também devam ser considerados, o maior fator de risco para a DMRI, como o próprio nome já diz, é a idade, afetando principalmente pacientes com mais de 70 anos”, pontua Murilo.
Outras doenças oculares que podem levar à cegueira
A oftalmologista Dra Camila Koch, que atua no Instituto de Olhos Freitas, também da Opty na capital, informa que a retinopatia diabética é outra doença que atinge os olhos, de forma silenciosa, podendo levar à cegueira. E os maiores fatores de risco para o desenvolvimento da retinopatia diabética são a ausência de controle e a duração do diabetes. “O alto nível de açúcar no sangue provoca lesões nas paredes dos vasos que nutrem a retina. O aumento da permeabilidade vascular pode gerar acúmulo de líquido na retina (o edema), comprometendo a visão. Uma vez instaladas, as alterações retinianas mais graves não se modificam significativamente com a normalização da glicemia, necessitando de tratamento oftalmológico específico, como a fotocoagulação a laser, as injeções intravítreas ou o tratamento cirúrgico”, pondera a médica, orientando que a melhor maneira de prevenir a retinopatia é controlando a glicemia e tendo acompanhamento oftalmológico.
Por fim, mas não menos importante, outra doença bastante conhecida do público e que não poderia ficar de fora da lista de principais patologias oculares é a catarata. Conhecida como a principal causa de cegueira reversível no mundo, a doença provoca a perda progressiva da visão. Segundo o oftalmologista Frederico Faiçal, a boa notícia é que há reversão da doença com cirurgia.
“A catarata atinge principalmente pessoas com mais de 60 anos, afetando diretamente o cristalino - parte do olho responsável por regular o foco dos objetos. Ela evolui de forma silenciosa. Se não tratada pode acarretar turvação visual importante fazendo a pessoa enxergar apenas luzes e vultos, podendo ocorrer cegueira. Na cirurgia, removemos o cristalino opacificado e o substituímos por uma lente intraocular artificial transparente”, explica o oftalmologista. Ele ainda faz a ressalva que a catarata não é exclusiva de idosos, afinal crianças também podem apresentar catarata congênita, bem como indivíduos abaixo dos 65 anos como consequência de processos inflamatórios, outras doenças sistêmicas como o diabetes, uso de medicações, acidentes oculares etc.
O check-up oftalmológico de rotina é essencial na prevenção e no diagnóstico das doenças oculares, sejam elas mais simples ou mais complexas, que podem levar à cegueira. Por isso, a recomendação médica é que, desde a infância, é importante incluir idas anuais ao oftalmologista. Afinal, quanto mais cedo a patologia for descoberta, maiores serão as chances de cura ou de controle. Além disso, ter uma alimentação balanceada, praticar atividade física, fazer uso de óculos de sol com filtro UV e cultivar hábitos saudáveis contribuem para uma boa saúde ocular.
Por Sílvio Tudela
