Lula destacou o crescimento da economia brasileira, a redução da pobreza e o avanço de políticas públicas como bases para atrair investimentos e fortalecer a cooperação bilateral - Foto: Ricardo Stuckert/PR
“A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil”, diz Lula durante 42º Encontro Econômico Brasil–Alemanha, em Hanôver
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
participou, nesta segunda-feira (20/4), do 42º Encontro Econômico
Brasil–Alemanha, realizado em Hanôver, na Alemanha. Em seu discurso,
Lula destacou a importância histórica da parceria entre os dois países e
defendeu o fortalecimento das relações econômicas e estratégicas diante
dos desafios globais.
“As relações econômicas entre Brasil e
Alemanha possuem não só uma longa tradição, mas também um futuro
promissor. Os governos podem criar as condições, mas são os empresários e
as empresárias que transformam o potencial em realidade. A Alemanha é
um parceiro indispensável para o Brasil. Não tenho dúvidas de que a
Alemanha pensa o mesmo do Brasil”, declarou, a empresários e autoridades
brasileiras e alemãs.
O presidente afirmou que o Brasil vive
um momento econômico favorável e está preparado para ampliar parcerias
estratégicas com a Alemanha em áreas como transição energética,
indústria e inovação.
As relações econômicas
entre Brasil e Alemanha possuem não só uma longa tradição, mas também um
futuro promissor. A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil.
Não tenho dúvidas de que a Alemanha pensa o mesmo do Brasil”
- Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República
Lula destacou o crescimento da
economia brasileira, a redução da pobreza e o avanço de políticas
públicas como bases para atrair investimentos e fortalecer a cooperação
bilateral. “Temos hoje uma política de inclusão bancária robusta. Em
poucos anos, o PIX tornou-se uma das maiores infraestruturas de
pagamento digitais do mundo. Reduzimos a pobreza, a extrema pobreza e a
desigualdade. Retiramos novamente o Brasil do mapa da fome da FAO
(Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura)”,
destacou.
O presidente também ressaltou que o
país cresceu acima de 3% nos últimos três anos, mesmo em um cenário
internacional adverso, e apontou avanços na geração de empregos, no
controle da inflação e na recuperação do poder de compra da população.
“Neste mês de abril, registramos o maior patamar histórico da nossa
Bolsa de Valores. Recuperamos a capacidade do Estado de formular
políticas públicas com eficiência e os resultados já são visíveis. O
mercado de trabalho respondeu com mais oportunidades para milhões de
brasileiros. A inflação segue controlada e devolvemos o poder de compra
às famílias brasileiras”, disse.
INVESTIMENTOS
Lula
destacou, ainda, que o Brasil está retomando o crescimento industrial e
criando condições mais favoráveis para investimentos. Segundo o
presidente, o país mobiliza cerca de 350 bilhões de dólares em um amplo
programa de infraestrutura e inovação, ao mesmo tempo em que avança em
mudanças estruturais. “A indústria brasileira voltou a crescer [...].
Aprovamos no Congresso Nacional uma reforma tributária esperada há mais
de 40 anos. Estamos simplificando o ambiente de negócios, reduzindo
custos e aumentando a competitividade da economia brasileira”, destacou.
Como exemplos da capacidade produtiva
do país, Lula também citou o recorde de exportações do agronegócio e o
desempenho de setores industriais. “Em 2025, o nosso agronegócio
alcançou um recorde histórico de 169 bilhões de dólares de exportação”,
citou Lula.
“Esse desempenho reforça a posição do
Brasil como fornecedor confiável de alimentos, energia e
matérias-primas, ao mesmo tempo em que avançamos na oferta de produtos
com maior valor agregado”, completou, ao mencionar também resultados da
indústria nacional. “No ano passado, a Embraer entregou mais de 240
aeronaves e teve receita recorde de mais de 7 bilhões e meio de
dólares”, disse.
CENÁRIO INTERNACIONAL
Ao abordar o cenário internacional, Lula afirmou que o mundo vive um
período de grandes transformações, marcado pelas mudanças climáticas,
pela fragmentação da economia global e pelas rápidas inovações
tecnológicas e energéticas.
“A mudança do clima é uma realidade. A economia internacional
está se fragmentando. Transformações tecnológicas e energéticas ocorrem a
todo tempo, em escala global. A previsibilidade, condição essencial
para o investimento, se torna mais escassa. Os conflitos armados, cada
vez mais numerosos, voltam a afetar diretamente preços, rotas marítimas,
investimentos e fluxos comerciais”, disse Lula.
Segundo ele, fóruns multilaterais também enfrentam fragilização.
“É justamente nesse momento que parcerias sólidas, como a do Brasil e
Alemanha, revelam a sua potência, a sua força”, registrou.
PRESENÇA ALEMÃ NO BRASIL
Em seu discurso, Lula afirmou que mais de 1,2 mil empresas alemãs
estão integradas à economia brasileira e que empresas brasileiras também
têm presença no mercado alemão, o que mostra uma relação sólida e de
longa data. “A presença alemã foi decisiva no desenvolvimento de setores
estratégicos da indústria brasileira. Também formou engenheiros e
técnicos, qualificou nossos quadros e enraizou entre nós uma cultura de
precisão e de muita qualidade. Nossa parceria é antiga, mas não está
alheia ao desafio dos novos tempos”, disse.
BRASIL E ALEMANHA
Ao
tratar da relação comercial entre os dois países, Lula destacou que a
Alemanha é o principal parceiro do Brasil na Europa, com um intercâmbio
superior a 21 bilhões de dólares por ano, mas avaliou que o volume ainda
está abaixo do potencial. “Nossa pauta segue concentrada e não reflete a
capacidade produtiva de nossas economias”.
Diante disso, Lula defendeu o acordo
entre Mercosul e União Europeia como instrumento essencial para
impulsionar o comércio bilateral. E pediu o engajamento do setor privado
para consolidar sua vigência permanente, fazendo um apelo para que os
setores favoráveis ao acordo se posicionem com mais força.
“Conto com o engajamento do setor
privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja
transformada em vigência permanente. Precisamos que os setores
favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na
Europa. É hora de garantir que ele gere benefícios a trabalhadores,
empresas e consumidores diante de um cenário internacional muito
turbulento e incerto”, registrou Lula.
O presidente também abordou desafios
industriais comuns aos dois países. Segundo ele, a Alemanha enfrenta
custos elevados de energia e a necessidade de adaptação tecnológica,
enquanto o Brasil ainda busca recuperar níveis industriais anteriores.
“A produção industrial no Brasil avança, mas ainda está abaixo de um
nível recorde alcançado em 2011. São desafios importantes que podemos
enfrentar juntos”, disse.
Quanto a isso, ele mencionou o diálogo
em áreas estratégicas como defesa, incluindo blindados, sistemas
antiaéreos e drones, e citou projetos conjuntos já em andamento. “Há
espaço para aprofundar a presença da Alemanha em setores estratégicos da
neoindustrialização brasileira”, destacou.
SAÚDE
Lula também
apontou oportunidades de cooperação no setor de saúde, indicando o
Complexo Industrial da Saúde como espaço estratégico para investimentos e
cooperação bilateral. “A Alemanha pode encontrar no Complexo Industrial
da Saúde amplas oportunidades para atender às demandas do Sistema Único
de Saúde do Brasil. O Brasil é o único país do mundo com mais de 100
milhões de habitantes que tem um sistema de saúde universal, que é
gratuito para 215 milhões de brasileiros. É um exemplo para o mundo. E o
poder de compra deste sistema de saúde pode ser trabalhado muito
conjuntamente com as empresas alemãs”, afirmou.
SUSTENTABILIDADE
Ao
abordar energia e sustentabilidade, Lula ressaltou que o Brasil reúne
escala produtiva e compromisso ambiental, com uma das matrizes
energéticas mais limpas do mundo e participação de fontes renováveis
muito superior à média global. “Poucos países combinam escala e
sustentabilidade como o Brasil. Temos uma das matrizes energéticas mais
limpas do mundo, com participação de renováveis quase quatro vezes
superior à média global. A União Europeia espera chegar a 50% de
renováveis em sua matriz em 2050. O Brasil já cumpriu essa meta em
2025”.
BIOCOMBUSTÍVEIS
O
presidente também enfatizou o protagonismo brasileiro na produção de
biocombustíveis. Ele citou demonstrações realizadas durante a Feira
Industrial de Hanôver, incluindo o desempenho de caminhões movidos a
biodiesel brasileiro, que combinam potência com redução expressiva de
emissões.
“Os brasileiros construíram, desde os
anos 70, uma trajetória pioneira em biocombustíveis. O nosso etanol, de
cana-de-açúcar, produz mais energia por hectare plantado, tem uma das
menores pegadas de carbono do mundo e reduz emissões de até 90% em
relação à gasolina. Hoje, na Feira de Hanôver, vimos na prática a força
do biocombustível brasileiro”, destacou.
Ainda durante o discurso, o líder
brasileiro mencionou propostas recentes da União Europeia relacionadas à
regulação de biocombustíveis e à medição de emissões de carbono.
Segundo o presidente, algumas dessas iniciativas desconsideram práticas
sustentáveis adotadas pelo Brasil e podem dificultar o acesso dos
consumidores europeus a fontes de energia limpa. “A elevação de padrões
ambientais é necessária, mas não é correta. Adotar critérios que ignorem
outras realidades e prejudiquem os produtores brasileiros”, disse Lula.
MINERAIS CRÍTICOS
O
presidente também destacou o potencial do Brasil em setores
estratégicos para o futuro, como minerais críticos e terras raras,
essenciais para a transição energética e digital. Ele afirmou que o país
não aceitará modelos que limitem sua atuação à exportação de recursos
naturais, defendendo a agregação de valor e o desenvolvimento da
indústria nacional.
“Não é à toa que o mundo olha cada vez mais para o Brasil.
Oferecemos oportunidades crescentes em setores decisivos para o futuro.
Estamos ampliando em minerais críticos e terras raras essenciais para a
transição energética digital. Não aceitaremos modelos que reduzam nosso
território à extração de recursos voltados a atender apenas demandas
externas. Vamos assegurar que as riquezas do Brasil sirvam ao
desenvolvimento da população e das empresas brasileiras”, destacou.
ENCONTRO ECONÔMICO
O
42º Encontro Econômico Brasil–Alemanha (EEBA) reúne lideranças
empresariais dos dois países para fortalecer a cooperação bilateral e o
desenvolvimento industrial. Organizado pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias Alemãs (BDI), o fórum
atua há mais de 40 anos na redução de barreiras comerciais e na promoção
de investimentos. Esta edição prioriza agendas estratégicas de longo
prazo, com foco em energias renováveis, hidrogênio verde, clima e
inovação, digitalização, infraestrutura e investimentos.
O presidente está no segundo e último dia de agendas em Hanôver, na Alemanha. Mais cedo, Lula participou da abertura do pavilhão brasileiro da Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do planeta. No domingo (19/4), ele discursou na cerimônia de abertura da Feira e destacou políticas públicas para incentivar a indústria, o fortalecimento do multilateralismo e cooperação na exploração de minerais críticos.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
