Psicólogo, Mestre em Psicologia e escritor Vladimir Nascimento / Foto: Arquivo O Candeeiro
ARTIGO - Qualidade de vida no trabalho = Por Vladimir Nascimento
O trabalho dignifica o homem. E é importante, não somente pela função desempenhada ou pela remuneração, e sim pela utilidade e colaboração do empregado em desempenhar uma função que, sem a qual, o mundo seria prejudicado.
Todo trabalho é válido, honrado e digno de respeito (exceto o trabalho infantil, lógico!), apesar de nossa tendência em acreditar que o outro sempre vive melhor, trabalha menos e ganha mais do que nós.
O problema é quando essas atribuições laborativas excedem o limite, deixando o trabalhador dependente ou obcecado pelo trabalho, sem conseguir desvencilhar nem mesmo quando sai do setor. Não é raro pessoas levarem trabalho para casa, ampliando a jornada de trabalho e extrapolando um tempo que deveria ser destinado ao lazer, descanso, à família ou mesmo ao ócio.
São inúmeras as consequências que podem acometer o trabalhador que não consegue separar a esfera profissional da pessoal. E não apenas no âmbito das doenças físicas, como esgotamento e dores de cabeça, mas principalmente no campo das enfermidades psíquicas, desde as menos complicadas como estresse, cansaço mental ou irritabilidade, às mais severas como a depressão ou Síndrome de Burnout.
Essa síndrome é provocada pelo excesso de trabalho, levando o trabalhador a atingir seu limite máximo de exaustão, além de exigir deste, vigilância e atenção constantes correlacionados ao alto envolvimento emocional e pessoal. Essa doença ocupacional é mais frequente em profissionais que trabalham em situação de risco, como policiais ou agentes carcerários; da área de saúde, que trabalham em emergência; da área social, que atende crianças em situações de violências; dentre outros. Mas pode atingir também quaisquer outras esferas laborativas.
A atividade profissional deve fazer parte da vida como uma complementação e não como uma extensão desta. A vida pessoal e familiar devem sempre sobressair ao trabalho. Além de trabalhador também somos cidadãos, seres humanos, não máquinas. E apesar das grandes empresas visarem apenas os lucros e a produtividade, cabe ao trabalhador perceber se está sendo um colaborador ou mais uma vítima de exploração.
Às vezes a dependência é tão grande que muitos trabalhadores vendem suas férias, fazem constantes horas extras e, quando aposentados, ainda querem voltar a trabalhar… Será que esses trabalham por prazer, pelo dinheiro ou por que ainda não sabem viver? Quem se encaixa apenas nas últimas opções precisa urgentemente rever sua rotina laborativa em prol de uma melhor qualidade de vida, caso contrário todo dinheiro acumulado vai servir apenas para pagar as despesas do próprio funeral.
Vladimir de Souza Nascimento
Psicólogo, mestre em Psicologia (UFBA), escritor e Palestrante.
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