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Família é peça-chave no diagnóstico precoce do autismo e no desenvolvimento infantil
A dificuldade em identificar precocemente os primeiros sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA), associada a fatores como acesso limitado a serviços especializados e falta de informação, pode contribuir para o atraso no diagnóstico no Brasil, comprometendo o desenvolvimento de crianças em uma fase decisiva da vida. O alerta ganha ainda mais relevância no contexto do Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, dentro da campanha Abril Azul.
De acordo com a coordenadora técnica das unidades de desenvolvimento infantil da Hapvida, Carlane Machado, que possui formação em psicologia e análise do comportamento, sinais iniciais do autismo costumam surgir de forma sutil e, muitas vezes, são interpretados como características da personalidade ou fases do desenvolvimento infantil. “É comum que pais percebam pouco contato visual, atraso na fala ou preferência por brincar sozinho, mas atribuam isso à timidez ou ao tempo da criança”, explica.
Segundo a especialista, quando esses comportamentos persistem, é fundamental buscar avaliação profissional, já que a identificação precoce amplia as oportunidades de desenvolvimento da criança.
Apesar dos avanços na informação, a aceitação do diagnóstico ainda representa um desafio para muitas famílias. “A negação, muitas vezes, funciona como uma forma de proteção emocional diante do medo e da incerteza. No entanto, quando se prolonga, pode atrasar o início das intervenções e reduzir oportunidades importantes de aprendizagem”, destaca Carlane.
A coordenadora reforça que o envolvimento da família é decisivo nesse processo. “Quando a família entende o autismo, passa a interpretar melhor os comportamentos da criança, deixando de vê-los como birra ou desobediência. Isso permite respostas mais adequadas, favorecendo a comunicação, a autonomia e a segurança emocional”, afirma.
Além do acompanhamento profissional, a participação ativa no dia a dia potencializa os resultados das terapias e contribui para a evolução da criança em diferentes ambientes, como a escola e a convivência social.
Na Bahia, a Hapvida conta com unidades especializadas em desenvolvimento infantil em Salvador, localizadas nos bairros do Horto Florestal, Itaigara e Garibaldi. As estruturas oferecem suporte multidisciplinar, com atendimentos em diversas áreas, possibilitando um cuidado integrado e contínuo.
Para famílias que estão no início desse processo, a orientação é agir com calma e buscar informação de qualidade. “O diagnóstico não define a criança, mas ajuda a compreender suas necessidades. Com apoio e acompanhamento adequado, é possível promover desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida”, ressalta a especialista.
Atualmente, a operação da Hapvida na Bahia conta com cinco hospitais, dois prontos atendimentos, clínicas e unidades de diagnóstico, com presença em cidades como Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Alagoinhas e Camaçari, garantindo cobertura em diferentes níveis de complexidade.
Por Bianca Rocha
