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Disparada nos preços imobiliários torna programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ caminho acessível para classe média
A
escalada consecutiva no preço dos imóveis, durante o mês de fevereiro,
tornou a preocupar os brasileiros. Os preços salgaram em 0,32% no
segundo mês de 2026, representando um acumulado de 0,52% até o momento. A
procura por residências tem se estreitado no estado de Santa Catarina,
seguido por regiões como Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, onde o preço de venda está acima da média de R$ 9.130/m² – chegando até R$ 14.206/m² em cidades como Balneário Camboriú (SC). Embora
mais de dez cidades tenham registrado preços acima da média, segundo o
FipeZap, as famílias passaram a adotar novas estratégias para acessar a
moradia. Nesse contexto, as condições
de financiamento e a possibilidade de aquisição em áreas estratégicas,
com juros reduzidos, surgem como um respiro para a classe média, impulsionadas pelas diretrizes recém-anunciadas do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, em março. Reajustando todas as faixas do programa habitacional, as medidas chegam para tapar o gargalo dos juros elevados, crédito limitado e a defasagem da renda que não acompanha o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). A explicação é do diretor da A&F Pop Imobiliária, Anderson Ferreira, que
observa a ampliação das faixas de renda desde 2025. Para o
especialista, as medidas vêm para enquadrar uma parcela de brasileiros
que estava excluída de opções viáveis de financiamentos e consórcios
residenciais de volta ao mercado imobiliário e ao ‘sonho da casa
própria’. “Os
preços dos imóveis não escalam de maneira isolada, mas refletem uma
série de fatores socioeconômicos. O crescimento da inflação de
construção, medido pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC),
combinado com o aumento do valor dos terrenos e da mão de obra,
pressiona o mercado para cima. Ao mesmo tempo, a renda da população não
tem acompanhado esses aumentos, criando um descompasso entre o preço dos
imóveis e a capacidade de pagamento das famílias. O drama vivido por
muitas famílias, a partir deste déficit habitacional, no entanto, vem
cada vez mais sendo sanado diante de financiamentos mais baratos,
conquistados através de programas como o MCMV”, explica Anderson. Com as mudanças, Anderson sinaliza
que novos segmentos populacionais estão sendo efetivamente incluídos na
economia formal, e não exclusivamente a classe média. Para alcançar
esse objetivo, o programa “Minha Casa, Minha Vida” propõe o aumento das seguintes faixas: a faixa 1 passa de R$ 2,85 mil para R$ 3,2 mil; a faixa 2 de R$ 4,7 mil para R$ 5 mil; a faixa 3 de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil; e a faixa destinada à classe média sobe de R$ 12 mil para R$ 13 mil. Visando
reduzir as barreiras para a compra do primeiro imóvel, o especialista
explica que as mudanças tornam os financiamentos mais compatíveis com a
renda das famílias, ampliando a oferta de crédito acessível. À frente do
“Feirão Minha Casa, Minha Vida”, em Salvador (BA), Anderson destaca que, com taxas muito mais acessíveis, a partir de 10% ao ano, o financiamento pelo programa se tornou mais barato do que os bancos privados. “Essa
é a oportunidade da classe média conquistar planos de pagamento mais
flexíveis, que exigem um valor de entrada menor, para poder enfim
caminhar para o sonho da casa própria”, conclui.
Em
meio à alta nos preços dos imóveis do último bimestre, uma parcela dos
brasileiros se viu desencorajada a correr atrás do ‘sonho da casa
própria’. Com imóveis mais caros, após a alta de 0,20% nos preços de venda no início do ano, segundo o Índice FipeZap, muitos compradores em potencial passaram a abrir mão do financiamento e voltaram aos tradicionais boletos de aluguel.
Por Antonio Anselmo
