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Salvador sedia congresso que discute impacto da obesidade nas doenças do sistema digestivo
Salvador recebe, entre os dias 26 e 28 de março, o Gastro Bahia 2026, evento voltado à gastroenterologia, reunindo especialistas de diversas áreas para discutir os avanços mais recentes no diagnóstico e tratamento das doenças do sistema digestivo. O congresso será realizado no Hotel Mercure Salvador e terá como um dos principais focos a obesidade e seus impactos na saúde.
Considerada uma doença crônica, multifatorial e com efeitos em diversos sistemas do organismo, a obesidade tem avançado de forma significativa no Brasil e na Bahia.
Dados recentes mostram que, segundo o Ministério da Saúde, Salvador tinha 41% de pessoas acima do peso em 2006. O dado mais recente, de 2023, mostra que 61,7% da população soteropolitana faz parte deste conjunto.
No recorte de gênero, o relatório mostra que mais de 63% das mulheres que moram na capital baiana estão na faixa de sobrepeso e obesidade. Entre os homens, o percentual é de 60%.
Os números do Ministério da Saúde mostram ainda que pessoas com menos instrução são as que mais estão acima do peso, totalizando 68%. O relatório aponta também que mesmo as pessoas com alto grau de estudo fazem parte de um universo grande de pessoas com sobrepeso ou obesidade. Eles somam 55%.
Programação
Logo no primeiro dia (26), o congresso traz como destaque a obesidade como doença multissistêmica, abordando sua relação direta com enfermidades do trato digestivo. Entre os temas estão o tratamento medicamentoso, o uso de novas terapias como os análogos de GLP-1 e GIP, além da indicação da cirurgia bariátrica. Também entram em pauta doenças associadas, como a doença hepática gordurosa (MASLD), refluxo gastroesofágico, esôfago de Barrett e alterações pancreáticas.
Outro ponto importante é o papel da microbiota intestinal e sua conexão com o cérebro, além de atualizações sobre distúrbios funcionais, intolerâncias alimentares e doenças imunomediadas, como a doença celíaca.
No segundo dia (27), a programação se volta para doenças específicas do trato digestivo, incluindo refluxo de difícil controle, infecção por H. pylori, câncer gástrico e doenças inflamatórias intestinais, como Doença de Crohn e retocolite ulcerativa. O rastreamento do câncer colorretal, dentro da campanha Março Azul, também será discutido.
Já no último dia (28), o foco será em doenças do pâncreas e do fígado, com debates sobre pancreatite, cistos pancreáticos, insuficiência hepática e diagnóstico precoce de câncer. O evento será encerrado com discussões sobre o uso da inteligência artificial na gastroenterologia, tanto na pesquisa quanto na prática clínica.
Além de promover atualização científica, o congresso também busca ampliar o debate sobre a obesidade como um problema de saúde pública. No Brasil, cerca de 68% dos adultos apresentam excesso de peso, e a condição está associada a mais de 60 mil mortes prematuras por ano.
A realização do evento em Salvador reforça a importância de discutir estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento, especialmente diante do crescimento dos índices de sobrepeso na população local.
Números no Brasil assustam
A obesidade no Brasil tem apresentado crescimento significativo nas últimas décadas. Entre 2006 e 2019, a prevalência de obesidade aumentou de 11,8% para 20,3%, representando um crescimento de 72% em treze anos. Dados mais recentes de 2024 indicam que 34,66% da população brasileira apresenta algum nível de obesidade, sendo 21,31% com obesidade grau I, 8,67% com obesidade grau II e 4,63% com obesidade grau III ou mórbida. A análise histórica do Vigitel mostra que, a partir de 2012, a proporção de indivíduos com excesso de peso superou a de indivíduos com peso normal, e em 2023, o sobrepeso ultrapassou pela primeira vez a proporção de peso normal.
O excesso de peso e a obesidade estão associados a doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e AVC. Estima-se que 60,9 mil mortes prematuras no Brasil possam ser atribuídas a essas condições relacionadas ao sobrepeso e à obesidade. Além disso, entre 40% e 50% da população adulta não pratica atividade física na frequência e intensidade recomendadas, o que contribui para o aumento da obesidade.
Em 2024, 1,16 milhão de brasileiros apresentavam obesidade grau III (mórbida). Entre 2020 e 2024, foram realizadas 291.731 cirurgias bariátricas, sendo a maioria pelo setor privado e cerca de 31 mil pelo SUS.
Serviço
Evento: Congresso de Gastroenterologia
Data: 26 a 28 de março
Local: Hotel Mercure Salvador
Cidade: Salvador
Por Gabriel Carvalho
