Ministro conversou com profissionais da imprensa de várias regiões do Brasil sobre o fortalecimento das regras do transporte rodoviário de cargas. Foto: Diego Campos / Secom-PR
“Vamos fiscalizar 100% dos fretes e o piso será cumprido”, afirma Renan Filho sobre MP que endurece penalidades e protege caminheiros
Durante o programa “Bom Dia, Ministro” desta terça-feira, 24 de março, o ministro Renan Filho (Transportes) enfatizou que a Medida Provisória nº 1.343/2026
representa um avanço decisivo na proteção dos caminhoneiros e no
fortalecimento das regras do transporte rodoviário de cargas no país. A
iniciativa do Governo do Brasil é para garantir o cumprimento do piso
mínimo do frete, ampliar a transparência nas operações e assegurar mais
justiça nas relações entre transportadores e contratantes.
“A MP é
muito importante porque o governo elencou novas ferramentas para
fiscalizar o cumprimento do preço mínimo do frete e com o preço
cumprido, melhora a vida do caminheiro, sobretudo o autônomo,
principalmente o pequeno, que na negociação com a grande empresa não
tinha poder de barganha. Com o preço mínimo, abaixo daquilo não pode
mais”, disse o ministro.
A MP é muito importante
porque o governo elencou novas ferramentas para fiscalizar o
cumprimento do preço mínimo do frete e com o preço cumprido, melhora a
vida do caminheiro, sobretudo o autônomo, principalmente o pequeno, que
na negociação com a grande empresa não tinha poder de barganha. Vamos
conseguir fiscalizar 100% dos fretes no país e o piso mínimo será
cumprido."
Renan Filho
Ministro dos Transportes
O
ministro destacou que a escassez de diesel devido ao cenário
internacional não poderá ser usada como justificativa para o
descumprimento da lei. “Por meio da ANP [Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis] vamos conseguir fiscalizar 100% dos
fretes no país e o piso mínimo será cumprido. É uma demanda dos
caminheiros, é lei no Brasil desde 2018. Uma lei que não era cumprida”,
destacou.
PENALIDADES
Entre as principais mudanças trazidas pela MP está o endurecimento
das penalidades para o descumprimento das regras. Empresas
transportadoras poderão sofrer desde a suspensão cautelar do Registro
Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) até o
cancelamento da autorização para atuar no setor por até dois anos, em
casos mais graves ou de reincidência. Já os transportadores autônomos
(TAC) não serão alvo dessas suspensões.
MULTAS
A medida também prevê multas mais elevadas para contratantes que
descumprirem o piso do frete, que podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10
milhões por operação, além da possibilidade de proibição de contratar
novos fretes. A responsabilização poderá alcançar ainda sócios e
integrantes de grupos econômicos, por meio da desconsideração da
personalidade jurídica.
ATUALIZAÇÃO NECESSÁRIA
O ministro ressaltou que o piso será atualizado sempre que necessário
para cobrir os custos da atividade. “Se qualquer custo aumentar, a
gente precisa elevar também o preço mínimo do frete. Ele será
integralmente cumprido.”
REFERÊNCIA BÁSICA
Renan também explicou que a política funciona como uma referência
básica de remuneração, semelhante ao salário mínimo para outras
categorias. “O piso mínimo do frete é mais ou menos como o salário
mínimo. Se você perguntar se todo mundo gostaria de pagar salário
mínimo, tem gente que não gostaria e queria pagar menos. No começo da
implantação do salário mínimo era assim. E o piso mínimo do frete é uma
espécie de salário mínimo para o proprietário de um caminhão que deseja
alugar o seu veículo, fretar o seu caminhão e isso, obviamente, tem
gente que não quer pagar”, disse.
O titular
dos Transportes também destacou a atuação firme do governo na
responsabilização de empresas que vinham descumprindo as regras. Segundo
ele, a divulgação das maiores infratoras já trouxe resultados, com
mudança de comportamento por parte das companhias.
“Divulgamos
o nome das cinco maiores não pagadoras de fretes no país, as mais
autuadas pela fiscalização e a maior parte delas já anunciou que vai
cumprir a tabela do frete, porque é mais caro para essas grandes
companhias o dano de imagem”, afirmou Renan. Nesse contexto, o ministro
reforçou que o objetivo é corrigir distorções históricas no setor e
garantir condições mais justas de negociação, sobretudo para os
caminhoneiros autônomos.
CIOT
Entre os principais avanços da medida, o ministro apontou a
obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte
(CIOT), que permitirá o monitoramento detalhado de todos os fretes
realizados no país. Ele explicou que o sistema impedirá, na prática, o
registro de operações abaixo do piso, criando uma barreira efetiva
contra irregularidades.
“Isso é
uma novidade, exigido para todos os fretes. Com esse código do CIOT, nós
vamos fiscalizar cada frete. Se aquele frete, na hora de entrar no
sistema, for abaixo da tabela mínima, nós não vamos permitir que o
transportador emita o documento e sem o CIOT ele não trafega. É mais ou
menos como uma carga trafegar sem nota fiscal. Se ela for parada numa
fiscalização a mercadoria é apreendida. Ninguém transporta mais no
Brasil sem nota. Isso é o que vai permitir uma malha fina para que a
gente fiscalize todos os fretes no Brasil”, acrescentou.
CONTROLE DAS OPERAÇÕES
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) irá publicar
nesta semana duas resoluções com novas regras de fiscalização,
penalidades mais rigorosas e controle das operações para o uso
obrigatório do CIOT. As sanções serão aplicadas de forma escalonada e
incluem suspensões de 5 a 30 dias. Em caso de reincidência, podem chegar
à suspensão definitiva e ao cancelamento do registro.
VALORIZAÇÃO DA CATEGORIA
O ministro também contextualizou como a medida impacta diretamente a
realidade dos caminhoneiros, especialmente em situações de
vulnerabilidade econômica. Ele explicou que, muitas vezes, a falta de
alternativas levava profissionais a aceitarem fretes abaixo do custo, o
que comprometia a sustentabilidade da atividade.
“O que é
um frete? É o caminhão que o cidadão comprou, não foi de graça, aí ele
resolve fazer um frete da cidade dele, por exemplo, para São Paulo. Para
esse frete, por exemplo, uma empresa deseja pagar R$ 10 mil. Se esse
valor for abaixo da tabela do preço mínimo ele não vai conseguir emitir o
CIOT. Às vezes, o cara está com o caminhão parado, não vai viajar nos
próximos dias, e aí aparece um frete abaixo. Isso leva a capacidade de
negociação para o chão”, pontuou o ministro.
CONQUISTA DOS CAMINHONEIROS
Renan Filho lembrou ainda que, embora o piso mínimo tenha sido
instituído em 2018, parte significativa do mercado ainda descumpria a
regra, prejudicando os trabalhadores e a própria estrutura do setor.
“Isso já tinha sido uma conquista dos caminhoneiros brasileiros. De lá
para cá, cerca de 20% das empresas não cumpriam o preço mínimo. Isso
atrapalhava muito a vida de muitos caminheiros no Brasil, desestimulava,
sucateava a frota, porque o cara estava vendendo o frete abaixo do
custo, então isso não permitia manutenção do caminhão, o sustento da
família do caminhoneiro.
IMPACTOS AO CONSUMIDOR
Ao tratar dos possíveis impactos nos preços ao consumidor, o ministro
ponderou que o objetivo da medida não é gerar aumento generalizado, mas
sim corrigir práticas abusivas. Ele explicou que, em muitos casos, o
não pagamento do piso não resultava em preços mais baixos, mas sim em
maior margem de lucro para grandes empresas. Por isso, reforçou que a
política busca equilíbrio e justiça, evitando que o caminhoneiro arque
com prejuízos.
“Como o
frete é um preço, se o frete sobe, em tese isso pode acontecer, aumentar
o produto na ponta. Qual o problema? Grandes companhias não pagavam o
preço mínimo do frete para ampliar o lucro, não vira preço, vira lucro
da grande companhia. Companhias como na área de celulose, bebida,
distribuição de proteína animal não colocam isso no preço [do produto],
porque ela não consegue. Imagine a empresa aumentar o preço da cerveja,
do frango. Ela aumentava era a margem, esmagava o preço do caminheiro
para aumentar a margem dela ", destacou.
QUEM PARTICIPOU
O “Bom Dia, Ministro” é uma coprodução da Secretaria de Comunicação
Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de
Comunicação (EBC). Participaram do programa desta terça (24/3) a Band
News (Belo Horizonte/MG); Rádio Gaúcha (Porto Alegre/RS); Portal
Primeira Página (Cuiabá/MT); Portal RIC (Curitiba/PR); Jornal O Hoje
(Goiânia/GO); Portal ND Mais (Florianópolis/SC); e Portal Imperatriz
Online (Imperatriz/MA).
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
