Foto: Divulgação/Arquivo O Candeeiro
Mesmo com mercado retraído, setor de energia solar atinge 2 milhões de empregos verdes acumulados no Brasil, diz ABSOLAR
O setor de energia solar no Brasil acaba de atingir a marca histórica de 2 milhões de empregos verdes acumulados, com mais de R$ 296,1 bilhões de investimentos desde 2012, segundo mapeamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). O resultado acontece em meio a desaceleração dos projetos no País, tanto nas grandes usinas quanto nos pequenos sistemas de geração própria.
Somente em 2025, a
retração foi da ordem de 25,6% na potência adicionada, com 11,6
gigawatts (GW) registrados em 2025, ante os 15,6 GW verificados no ano
anterior. Essa queda também repercutiu na desaceleração dos empregos
criados no setor solar em cada período, que saiu 469,8 mil adicionados
em 2024 para 349,1 mil no último ano.
Entre as razões desta baixa no mercado, estão os cortes
de usinas renováveis sem o devido ressarcimento aos empreendedores
prejudicados e os obstáculos de conexão nos pequenos sistemas dos
consumidores, sob a alegação de incapacidade das redes e inversão de
fluxo de potência.
Mesmo diante do cenário adverso mais recente, o setor
fotovoltaico, com os atuais 66,7 GW em operação, é responsável por mais
de R$ 92,8 bilhões em arrecadação aos cofres públicos. Atualmente, a
solar é a segunda fonte na matriz elétrica brasileira, representando
cerca de 25,3% do total.
Segundo a entidade, a tecnologia fotovoltaica está
presente em todas as regiões do País com as usinas de grande porte e em
mais de 5 mil munícipios com a geração própria em telhados e pequenos
terrenos. Neste cenário, os empregos gerados pelo setor são distribuídos
de forma regionalizada pelo Brasil, levando oportunidades e renda para
todos os cantos da nação.
Esses postos de trabalho são criados pelas milhares de
empresas que atuam no território nacional, em torno de 20 mil, entre
fabricantes, distribuidores, integradoras, instaladoras, consultorias,
epecistas (companhias de engenharia de projetos solares), fintechs e
mais recentemente o segmento de armazenamento energético por baterias,
que tem crescido de forma expressiva e representa um grande potencial
para alavancar ainda mais a economia verde brasileira.
Os cargos mais comuns estão nas áreas administrativa,
vendas, jurídica, engenharia, treinamentos, instalação e operários de
fábrica. Entre os estados com maior nível de emprego no setor solar,
estão Minas Gerais, com 428 mil postos de trabalho, São Paulo, com 229
mil, Bahia, com158 mil, Paraná, com 126 mil, e Rio Grande do Sul, com
110 mil.
De acordo com o Relatório Anual de Energia Renovável e
Empregos 2025, elabora pela IRENA (Agência Internacional de Energia
Renovável) em parceria com a OIT (Organização Internacional do
Trabalho), a fonte solar é a que mais gera empregos entre as tecnologias
renováveis. No último ano, o mercado fotovoltaico brasileiro criou
323,8 mil postos de trabalho, colocando o País entres as três maiores
nações que mais geraram empregos no área.
“Na prática, a economia verde brasileira poderia estar
num patamar ainda maior de pujança, não fossem os enormes desafios
enfrentados no último ano pelo setor fotovoltaico, que levaram a
fechamento de empresas, cancelamento de investimentos e demissões de
profissionais”, lembra Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR.
Para Barbara Rubim, presidente eleita para o Conselho
de Administração da ABSOLAR (2026-2030), a meta para este ano é
concentrar esforços em medidas capazes de promover uma expansão racional
da energia solar, sobretudo para evitar o surgimento de novos subsídios
e colaborar com a criação de sinais de preços ao consumidor, além da
ampliação de tecnologias sinérgicas, como armazenamento, data centers,
hidrogênio verde e eletromibilidade. “A aceleração do processo de
transição energética brasileira passará, certamente, por mais inovação,
sustentabilidade e modernização regulatória”, conclui.
Por Thiago Nssa
